domingo, março 18, 2007
VQP - PAPAS, PRAGAS E CHAGAS
VQP - A PREVIDÊNCIA DA SUECÍNDIA
VQP - O GRANDE IRMÃO ATACA SEU BROTHER
Marcelo Marthe assina o ataque de Veja a proposta de uma rede de TV federal, que ainda não sabemos se será estatal e pública. A mídia grande brasileira é engraçada: ela crê que a diversidade de fontes de informação faz mal para a liberdade de imprensa...Bom mesmo é o monopólio de meia dúzia de famílias...Marthe recria entre aspas os “princípios da democracia”, do próprio punho: “O governo faz, a imprensa avalia e o público julga.” Como assim, só a imprensa avalia? E quem avalia a imprensa? Vale aqui citar o final da coluna de hoje do Ombudsman da Folha de S. Paulo, Marcelo Beraba:
“Chega de estatísticas. O ponto é que, na minha opinião, as empresas jornalísticas erram ao represar uma discussão que cresce a cada dia e será incontrolável. Ao não atentarem para a importância do debate que as envolvem perdem confiança e credibilidade. O melhor a fazer é enfrentar a discussão e os questionamentos com profissionalismo e honestidade, informando, expondo claramente as suas posições sobre cada um dos temas e abrindo igual espaço para as dezenas de outras posições que convivem na sociedade e estão insatisfeitas com o modelo atual. Enquanto a discussão não for ampla, ficará sempre polarizada entre empresas e governos, e sempre tenderá à irracionalidade. A garantia do espaço para a discussão é uma das responsabilidades do jornalismo.”
O link para a coluna completa está aqui: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ombudsma/om1803200701.htm
E a definição de que o debate entre imprensa e governo sobre a comunicação é “irracional” é perfeita. As mídia brasileira, é formada de empresas familiares rançosas e ultrapassadas, cada diz mais para trás do resto da sociedade brasileira em termos de diversidade de opiniões, e cada vez mais fechadas entre si e dentro delas, na defesa de uma opinião monocórdia, principalmente em torno dos seus interesses financeiros.VQP - MAINARDI X MARTINS NO RINGUE DA GLOBO
VQP - Pauta boa de pau!
Veja 2000!
“Ao lançarmos um olhar sobre o tempo que nos separa da criação de VEJA, sobressai a constância, semana após semana, na obediência a certos princípios que definem o que se chama de "linha da revista". Um deles é a busca incessante – muitas vezes até temerária – pela informação exclusiva, confiável e independente. Outro é a preocupação em fornecer ao leitor análise clara e honesta sobre os fatos relatados, contextualizando-os no tempo e no espaço.
O Brasil é o único país do mundo em que uma revista semanal de informação é a revista de maior circulação. VEJA alcançou esse posto graças à aprovação de seu jornalismo por milhões de leitores e milhares de anunciantes, com os quais forma uma comunidade unida na defesa da democracia representativa, das liberdades individuais e da livre iniciativa.”
“Análise clara e honesta sobre os fatos relatados”. Beleza então.
No especial sobre suas 2000 capas, diz o seguinte:
“Uma grande revista precisa ter coração, consciência e pontos de vista francos. Precisa ter isso tudo em cada uma de suas edições durante décadas. A consistência é qualidade nobre.”
Tá certo, então...
VQP - Assim se reescreve a história
No especial, Veja tenta distorcer uma das maiores polêmicas da sua história. A cobertura da morte de Elis Regina. Para isso a ofende de novo com um quadro intitulado “a cantora do contra – como Veja”. Não. Elis não era simplesmente “do contra”, ainda que se definisse assim, de forma modesta... Muito menos como a Veja.
- Em outro quadro, Veja lembra a capa e a pergunta de dar uma “banana” para o mercado americano foi coragem ou estupidez. “A realidade deu a resposta: estupidez.” Engraçado é que é difícil achar meia-dúzia de analistas internacionais que subscrevam isso. Até W. Bush falou que os países não podem dar de graça que os EUA vão querer abrir mercados para eles. Veja diz que as questões comerciais se tornaram muito sérias e complexas para ficarem nas mãos do Itamaraty (que como todo mundo sabe, é formado por gente muito burrinha...) e que houve predomínio do ideológico sobre o racional na política externa. Acho que é o contrário. Veja que sofre da síndrome de “Marquinhos” (ver Sobrinhos do Athayde...)
Veja ainda ressalta entre as capas às edições 1905, que detonou a crise do mensalão, e a 1912, que derrubou em uma tarde José Genoino da presidência do PT. Foram, de fato, as suas duas melhores edições na crise. A matéria de capa da 1912, particularmente, é perfeita e irreprensível. Por isso derrubou Genoino. Ou seja, até eles sabem a diferença de quando acertam e de quando forçam a barra, como na 1956, quando foram cúmplices de Dantas em uma tentativa de armação de contas no exterior de Lula e alguns ministros, um episódio de quinta...
quinta-feira, março 15, 2007
Carta dos Guaranis contra a revista Veja
Nota dos Guarani
Terra Indígena Guarani de Morro dos Cavalos
13 de Março de 2007, Palhoça, Santa Catarina.
A: Revista VEJA, Editora Abril
Viemos por meio deste informar aos editores e responsáveis da Revista VEJA que toda a comunidade Guarani de Morro dos Cavalos está indignada e transtornada com a reportagem intitulada “Made in Paraguai”, publicada na Edição 1999, de 14 de março de 2007, páginas 56, 57 e 58, de autoria do jornalista José Edward Lima, em que é tratado o processo de Demarcação da Terra Indígena Morro dos Cavalos, Palhoça, Santa Catarina.
Estamos nos sentindo gravemente insultados e desrespeitados pelas calúnias e distorções escritas na matéria que contém racismo e imoralidade, difamando a autenticidade da História Indígena Guarani no Brasil. Nos sentimos também agredidos pela manipulação das informações cedidas em entrevista.
Além de destorcer nosso depoimento e o depoimento de nossos parentes, usaram de inverdades para justificar a reportagem. O reporter não teve o cuidado de conhecer um pouco mais a nossa história, o nosso território e a nossa luta pela terra. Bastaria ler o relatório circunstanciado de identificação e delimitação, que muita coisa iria ficar esclarecida, ele preferiu confiar em fontes pouco confiáveis, essa mesma fonte que há muito tempo vem ameaçando nossa comunidade. O repórter afirma que a TCU declarou inconsistente a “tese” da antropóloga: bastaria o repórter ter lido o Acórdão do TCU pra saber que o referido tribunal informa que não teve acesso a “tese”.
Por isso, exigimos o direito de resposta, nos termos do Art. 29 da Lei 5.250, de 9.2.1967, na mesma quantidade de espaço da citada reportagem, para podermos esclarecer à população brasileira a verdade sobre a História Indígena de Morro dos Cavalos.
Caso o pedido não seja atendido, seremos obrigados a recorrer a via judicial para defender nossa honra e esclarecer as verdades dos fatos.
Atenciosamente,
Artur Benite
Cacique
Matéria brilhante sobre etanol
O futuro energético, a aposta de longo prazo reside muito mais nas células de hidrogênio. Ou seja, o etanol será um ciclo, ainda que longo e lucrativo. A "mundialização" do etanol irá mudar as mãos da propriedade no interior de São Paulo, com risco de descapitalização em um segundo momento, já que os lucros gerados sairão de lá para os investidores distantes. Se não tomarmos cuidado, de donos da tecnologia e gestores viraremos as "maquiladoras" do etanol.
A outra questão é que hoje, a existência da taxa norte-americana é indiferente, porque há mercado para tudo que o Brasil exporta de etanol e qualquer coisa que o Brasil venha a produzir. Se eles não baixarem, vende-se para o Japão, União Européia etc...Caso ela caia, haverá o risco dos norte-americanos "engolirem" toda a produção interna, causando desabastecimento.
Não é necessariamente ruim o etanol promover desenvolvimento no Haiti e na América Central. Mas como o texto de Pepe aponta bem. é o velho modelo de quintal e plantation das relações EUA-AL.
Quanto ao "Brasil apostar em uma monocultura" é a questão daquela mentalidade: o país descobre algo e acha que isso vai ser uma espécie de solução mágica, seja petróleo, soja ou agora etanol. Quando não há solução mágica e tem que se investir acima de tudo em gente, e no mais diversos campos econômicos possíveis.
Se a vantagem comparativa dos custos de produção do país são tamanhas, seria sensacional aproveitar e crescer mesmo as exportações de etanol, cuidando para não sobrevalorizar o câmbio, não atrapalhar a produção de ambientes, e reparando com os recuros os custos sociais e ambientais de sua produção. Compartilhando com a sociedade os ganhos desta indústria, com impostos justos e principalmente com os cortadores de cana, com salários dignos. Infelizmente nosso histórico e presente como sociedade não é esse.
Uma curiosade tola passa pela minha cabeça: o que Cuba, historicamente produtora de cana-de-açucar, hoje um setor em crise na ilha, e historicamente dependente de combustível externo, acha desta história toda?
Justiça seja feita - 2
Para assinantes do UOL e da Folha, no link abaixo:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1503200701.htm
quarta-feira, março 14, 2007
Justiça seja feita...
Os inocentes
Porque a imprensa atrapalha o PSDB - parte 1
Bem, para pegar um exemplo de como a mídia cobre os governos tucanos, que eu só vi hoje, vou indicar não só por este motivo, o blog do gabinete da Soninha (tá certo, ela é do PT, mas é séria e crítica). Desce um pouco no blog até um post do dia 8 deste mês, onde ela analisa um editorial da Folha de S. Paulo sobre a educação no governo Alckmin. Vai lá: http://gabinetesoninha.zip.net/
terça-feira, março 13, 2007
Artigo interessante sobre política externa
segunda-feira, março 12, 2007
Gil no New York Times
domingo, março 11, 2007
Faces, de John Cassavetes
VQP - Agora e na hora de nossa morte
Seguem abaixo os trechos mais grosseiros do registro de duas mortes pela Veja. Grifei o pior no pior
Morreram: dom Ivo Lorscheiter, bispo de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Durante o regime militar, à frente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ele denunciou as torturas e os assassinatos de esquerdistas nos porões dos quartéis. Lorscheiter foi um dos principais defensores da Teologia da Libertação, uma excrescência saída da cabeça de padres ideólogos latino-americanos que tentava conciliar cristianismo e marxismo. (...)O bispo também apoiou a criação de bandos armados que, a pretexto de lutar pela reforma agrária, deram origem ao MST. Dia 5, aos 79 anos, de falência de múltiplos órgãos, em Santa Maria.
• o ensaísta francês Jean Baudrillard. Sociólogo de formação, ele ganhou fama escrevendo textos obscuros, muito populares nos cursos de semiologia. Baudrillard fazia arrepiar de entusiasmo o pessoal da pós-graduação, com seu papo-cabeça sobre a "virtualidade" do mundo contemporâneo. Dizia, por exemplo, que a Guerra do Golfo "não existiu". A trilogia cinematográfica Matrix faz menção a suas idéias. Talvez ele tenha sido mesmo um bom autor de ficção científica. Dia 6, aos 77 anos, de câncer, em Paris.
Sobre Lorscheiter, impressiona o detalhe de que ele foi contra a tortura e assassinato “de esuqerdistas”. E não contra a tortura e assassinato, ponto. Também a de que ele apoiou “bandos armados”, o que é uma passagem leviana e incompreensível. Olha, não tenho entusiasmo nenhum por Baudrillard, de quem li pouca coisa, e gostei menos ainda do que li. Mas o desprezo, a arrogância e estupidez das inovações “gráficas” da Veja, adepta de uma “estética da grosseria” que rola no jornalismo atual (com muitos outros adeptos por aí, e que tem sua matriz no neoconservaodirsmo by Rupert Murdoch nos EUA) que eu tenho muito dificuldade de apreciar. Se foi tão irrelevante, porque noticiar, e mais ainda, porque noticiar e tripudiar na hora de sua morte...
VQP - Os juros próprios
A matéria até que certinha da capa da Veja sobre financiamento para a casa própria, que até ouve Raquel Rolnik, do ministério das Cidades, não reconhece que foi uma alteração de regras impulsionada por este ministério que fez aflui recursos para o crédito imobiliário. Ao menos reconhece que a facilidade de acesso ocorre em parte pela queda dos juros. Financiamento da casa própria e investimentos em infra-estrutura são só duas das áreas que mostram como é doloroso e segura um país a existência de juros aberrantes a financiar um capital financeiro “funcionário público” que pendura seu paletó nas altas taxas da Selic. Veja ainda entrevista Hernando de Soto. A proposta de títulos de propriedade defendida por Hernando de Soto (e pelo Banco Mundial) mistura alguns elementos de reforma urbana de esquerda, ao regularizar e dar títulos de posse em áreas irregulares como favelas, com princípios legalistas e “ingênuos” de direita, e por isso mesmo, pode tanto melhorar a vida, se for feita com outros investimentos, como piorar ainda mais as condições dos mais pobres, ao elevar os custos de vida e tornar a própria a favela inacessível (o que de certa forma já ocorre hoje para alguns grupos). Uma crítica demolidora da proposta de Soto se encontra no livro de Mike Davis, Planeta Favela, publicado pela Boitempo Editorial (onde eu trabalho...). Mas é inegável que ela tem aspectos interessantes.
VQP - "Viagens" da política externas
A imprensa brasileira parece não se cansar de estar errada em suas análises de política externa. Lembram-se de como diziam que o “comando duplo” entre Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia ia dar errado? Como tentavam jogar um contra o outro? Bem, não deu errado e nunca bem houve um comando duplo (as funções eram diferentes), mas e daí? Agora, existe o “anti-americanismo” do Itamaraty, que convive, em estranha relação inversa de causa e efeito, com um bom momento da relação entre os dois países (não que esta tenha sido muito útil para alguma coisa, para nós ou para a Colômbia...). Duda Teixeira, na matéria da visita da Bush ao Brasil escreve o seguinte:
“O outro propósito é dissipar os deslizes da diplomacia brasileira, que nos últimos quatro anos insistiu numa política ideológica de privilegiar a aproximação e o comércio com países pobres. "As circunstâncias externas atuais criaram um momento único em que o Brasil é de longe o país da região com a melhor relação com os Estados Unidos. Só precisamos aproveitar isso da melhor maneira possível", diz Roberto Abdenur, ex-embaixador do Brasil em Washington. “
Tá, tá: esta circunstância advém em parte do Brasil ter mantido diálogo aberto com os “radicais”, como Venezuela e Bolívia, diferente da Colômbia, e diferente do que propõem desde sempre os conservadores. Entre eles, Celso Lafer, ex-chanceler, que dá a seguinte declaração:
"As três bandeiras da diplomacia brasileira no primeiro mandato de Lula fracassaram", diz o ex-chanceler Celso Lafer. "Não conseguimos um lugar no Conselho de Segurança da ONU, a Rodada Doha não evoluiu e não avançamos na integração da América do Sul."
É o tipo de declaração que nos faz perguntar quais eram as bandeiras e o que conseguimos quando Celso Lafer era o chanceler dos pés descalços...Aliás como se estes objetivos fossem fáceis, rápidos e/ou dependessem apenas do Brasil. Parece que foi por causa do Itamaraty que não saiu rodada de Doha (piada 1), que um monte de países conseguiram intento simples de entrar no conselho de segurança (piada 2) e que antes, quando não havia plano de infra-estrutura e o Mercosul ainda estava pior do que hoje, a integração sul-americana andava melhor.
VQP - Juros, o gasto invisível
Na matéria “Eles vibram, nós pagamos” sobre a extensão da CPMF, Veja lista os seguintes gastos principais que o imposto ajuda a financiar: “O chamado ‘imposto do cheque’, ajuda a pagar o Bolsa Família, as pensões do INSS e até a folha de pagamento do governo.” Veja citou dois dos maiores gastos do governo, incluiu o Bolsa Família, que não é um dos maiores gastos do governo brasileiro mas que a irrita, e na mesma história de sempre, apagou o terceiro dos grandes gastos que fazem o estado brasileiro ser enorme e todo o status quo político depender da CPMF: a conta dos juros. Mas sabe como é, juros altos é para os ricos, Bolsa Família para os pobres...
VQP - Fortuna sólida como concreto
VQP - Perguntas que quase ofendem...
A entrevista das páginas amarelas é com Jim O´Neil, economista da Goldman Sachs que criou o termo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) para determinar os futuros gigantes da economia mundial. A entrevista é interessante, O´Neil inclusive fala sem hipocrisia de como é bom para o capitalismo global a China ser uma ditadura. Duas perguntas de Ronaldo França são engraçadas por trazer ficções estabelecidas pela revista como pressupostos. A primeira é essa, se referindo ao PAC (que aliás, levanta mesmo um monte de questões).
“Veja – O governo brasileiro lançou um pacote de medidas que inclui idéias como o investimento governamental intensivo para alavancar o crescimento. Isso funciona?”
Não é bem isso. A maior parte dos investimentos do PAC são voltados para geração de energia, área que demanda grandes investimentos públicos. Senão não sai, independente de toda o papo de marco regulatório...Se não houver investimentos em geração e correção de gargalos na infra-estrutura de transportes o crescimento esbarrará em mais apagões...O PAC é tímido demais para receber este tipo de classificação da Veja. O que só mostra o obscurantismo radical da revista em certas posições. Como essa:
“Veja – Esquecer o mercado americano e apostar em comércio com os países pobres, opção de nossa diplomacia, atrapalha o crescimento?”
Como mostraram o caso da tarifa do etanol e a reunião da Fiesp com representantes do governo norte-americano semana passada (sem falar na OMC...), o buraco é muito mais embaixo. A colocação da Veja dá a impressão que tem algo sendo oferecido que estamos recusando. E não é assim. Onde somos muito mais competitivos que eles, há barreiras que eles não vão derrubar. E o governo não age contra entrar e lutar para crescer nos setores em que já vendemos. A posição da Veja, em relação aos Tratados de Livre Comércio (TLC) é nada mais que exaltar um conto do vigário onde o Brasil entregaria prioridade aos Estados Unidos, regras rígidas de propriedade intelectual e proteção aos investimento deles em troca de nada. Nada mesmo. Faz muito mais sentido o governo agir para estimular a abertura de novos mercados onde isto é difícil e necessita de apoio, do que abrir o mercado americano, país que fala em língua que o mercado domina, para onde há vôos regulares, mercado disputado por todos etc...Esta história de “temos que conquistar mais espaço nos Estados Unidos”, carece, fundamentalmente, de propostas e questões práticas.
VQP - Estado com caixa baixa
A carta ao leitor desta semana é toda dedicada a decisão da Veja de contrariar a gramática e passar a grafar Estado com letra minúscula. É engraçada. É o tipo de idéia que tem frutificado após a contratação de Reinaldo Azevedo, que já publicou na revista textos não assinados, e vez por outra, como esta semana, tem frases do seu blog na seção “Veja essa”.
quarta-feira, julho 13, 2005
REPORTAGEM SENSACIONAL
Angolanos que fugiram da guerra enfrentam fogo cruzado
terça-feira, julho 12, 2005
CAIU DO CÉU
quinta-feira, julho 07, 2005
FUNK CARIOCA GOES GLOBAL...
Planeta Funk
quarta-feira, junho 08, 2005
PARÓDIA HILÁRIA DE STARW WARS...
segunda-feira, maio 23, 2005
SOBRE AL-JAZEERA
Watch Out World: Al-jazeera Is Going Global
sábado, maio 14, 2005
sexta-feira, maio 13, 2005
2 DICAS SENSACIONAIS
Filme de areia - Crítica de Ricardo Calil ao filme Casa de Areia de Andrucha Waddington. O filme vinha recebendo aquelas críticas que dão voltas, meio burocráticas, entre o simpático e o medo da poderosa panelinha. Estava precisando mesmo era uma crítica direta, sem rodeios, dizendo o que pensa mesmo. Cada dia mais fã do sujeito... Se fosse reeditar a Realidade, colocava Pedro Alexandre Sanches para cobrir música, e o Calil para cobrir cinema.
terça-feira, maio 03, 2005
DICAS DE LEITURA DO nominimo
Sobre como dinheiro público pode escorrer por entidades sem fins lucrativos. O caso é no Rio de Janeiro, mas a adusp (www.adusp.org.br) vem estudando o tema faz tempo:
A Fesp é uma festa de Xico Vargas
A Censura sabia o que fazia Sensacional texto de Ricardo Calil, sobre livro que deve ser igualmente ótimo, sobre pesquisa hiper-pertinente sobre a atuação da censura contra o cinema brasileiro. Imperdível.
Ronda cinematográfica: filmecos Mario Sergio Conti comenta em breves notas suas últimas idas ao cinema
Tchau, Romário. Alô, Kerlon de Roberto Benevides, a profusão de craques brasileira encontra no drible da foca de Kerlon, os brasileiros mais uma vez reinventam o jogo...
Bom Dia, Arte Sou fã de Ricardo Calil, que aqui escreve sobre o filme Bom dia, noite , que ainda quero ver.
TERCEIRIZANDO A CRÍTICA
A matéria também não encampa o contraditório e o interesse que residem no fato do país ser um dos maiores fornecedores de petróleo para os EUA, mesmo hoje, no governo Chávez.
Quem precisa de Veja?
2/5/2005
Em matéria de capa, revista acusa Chávez de ameaçar estabilidade na América Latina, repetindo recado de Condoleezza Rice. Veja, que exaltou o golpe de abril de 2002 contra Chávez, tenta firmar-se como o maior panfleto da direita brasileira.
Veja se autoproclama uma “revista semanal de informação”. Para obter sucesso, conta sempre com a falta de informação e de memória alheias. Veja, não nos esqueçamos, apoiou Collor no início. Em dezembro de 1994, chegou a classificar, em matéria de capa, o Plano Real como “O novo milagre brasileiro”. Para atacar o MST, não teve dúvidas em adulterar uma foto do líder do Movimento, João Pedro Stédile, ou de falsear informações sobre a luta pela terra.
Atravessado na garganta de Veja está o presidente da Venezuela, Hugo Chávez Frías. Os motivos são basicamente dois. Um é – chamemos as coisas pelos nomes – ideológico. Veja soma-se ao ódio de fundo – pelos nomes, pelos nomes! – classista, racista e político devotado ao mandatário venezuelano pela mídia de seu país, que o sataniza ao ponto de concluir tratar-se de um débil mental. A pauta é ditada pela imprensa estadunidense mais conservadora, tendo o Washington Post à frente. Veja acha que Chávez não é democrático. Até aí, é um direito de quem manda na publicação.
Estragou uma capa
Mas o ódio de Veja tem por base um outro elemento, mais concreto. Chávez estragou uma capa que deve ter dado muita satisfação à alta direção da empresa da família Civita. Recordemos a chamada de capa do número 1.747, datada de 17 de abril de 2002. A edição fechava na noite de sexta-feira, 12 de abril. Menos de 20 horas antes, a oposição a Chávez – composta por membros do empresariado, em aliança com o alto comando das forças armadas, setores da burocracia petroleira e a Casa Branca – consumara um golpe que o retirara do palácio de Miraflores, acabando com as instituições democráticas do país. Veja não teve dúvidas. Sapecou na capa a chamada “A queda do presidente fanfarrão”.
Na página 45, a revista sentenciava:
"Chávez se considerava um Robin Hood bolivariano. Era mais um bufão, que entretinha o povão com programas de televisão em que se portava mais como animador de auditório do que como presidente. Sua queda foi recebida como boa notícia no mundo: melhorou o índice risco-país da Venezuela, a bolsa de Caracas disparou (alta de 8%) e o preço internacional do petróleo caiu 9%".
Todos sabem o resto da história. Quando chegou às bancas, na manhã de domingo, a edição estava para lá de velha. Milhões de venezuelanos nas ruas e uma inédita divisão do exército abortaram o golpe. Veja sequer pediu desculpas aos leitores pela barriga, na semana seguinte. Se os fatos não se ajustam à manchete, danem-se os fatos, parece ser a máxima da direção de Veja. Imperdoável a petulância do mestiço em teimar voltar ao poder e estragar uma manchete do maior semanário brasileiro do mundo!
Condinha paz e amor
Agora, Veja volta à carga na edição desta semana, aliás, primorosa no que revela de sua linha editorial. A capa é eloqüente: “Quem precisa de um novo Fidel?” Encimada pela expressão carrancuda do líder venezuelano, a manchete logo emenda: “Com milícias, censura, intervenção em países vizinhos e briga com os EUA, Hugo Chávez está fazendo da Venezuela uma nova Cuba”.
A entrevista das páginas amarelas é com a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice. O tom é todo Condinha paz e amor, como se vê pelo trecho seguinte: “Mesmo quando a missão inclui assuntos mais comezinhos, como as encrencas de Hugo Chávez na Venezuela e as hesitações brasileiras na Alca, Condi tem se saído extraordinariamente bem na Operação Simpatia. Sua espetacular história de sucesso a precede: nascida no coração racista da América, entrou na faculdade aos 15 anos, formou-se aos 19, doutorou-se com 26. Pianista, especialista em relações internacionais e fluente em russo, chegou a reitora de Stanford e, embora negue quase que diariamente, o caminho da Casa Branca é uma possibilidade no horizonte”.
Não há encrencas COM Hugo Chávez, mas encrencas DE Hugo Chávez, de acordo com o olho da entrevista. O pingue-pongue pauta a edição. Mas a grande arte está lá pelo meio da revista, sob o espirituoso título “O clone do totalitarismo”. Em seis páginas ficamos sabendo, entre outras coisas, o que se segue. Alguns comentários são colocados abaixo de cada trecho.
"Chávez tem um objetivo claro: quer se tornar o grande líder de massas da América Latina’, disse à Veja o historiador venezuelano Manuel Caballero, o mais respeitado do país”. A revista conta com o desconhecimento dos leitores para fazer afirmações peremptórias. Manuel Caballero, com toda sua longa trajetória acadêmica, só é respeitado na Venezuela pelos monopólios privados da mídia e pelas elites econômicas. Tornou-se um destemperado e folclórico opositor de Chávez, a que volta e meia a imprensa estrangeira recorre em busca de frases bombásticas.
"Chávez dá dinheiro e apoio político e técnico para movimentos de esquerda latino-americanos".Sequer a CIA consegue levantar uma única evidência de que tal fato esteja acontecendo.
"Venezuela substituiu a União Soviética como patrocinadora do regime castrista em Cuba, fornecendo petróleo e abastecendo o país de bens de consumo industrializados, tudo a preço simbólico ou a fundo perdido".Não há preço simbólico ou fundo perdido. Há um acordo, firmado em 30 de outubro de 2000, pelo qual a Venezuela fornece a Cuba 53 milhões de barris diários de petróleo – metade do que a Ilha consome – a preços de mercado, com prazo de carência de até 15 anos. Além de pagar, Cuba compensa as condições de financiamento mediante o fornecimento de serviços médicos, educacionais e esportivos, além de remédios, vacina e açúcar. A íntegra do acordo pode ser lida em: http://www.asambleanacional.gov.ve/ns2/leyes.asp?id=175 Seria bom aos elementos responsáveis pelos textos de Veja darem uma lida antes de mentirem aos seus leitores.
"O presidente venezuelano interfere nos assuntos internos de outros países de várias maneiras".Quem interfere em assuntos de outros países é o governo dos Estados Unidos. Só Veja, ao que parece, não se dá conta disso.
"Hugo Chávez adotou um virulento discurso antiamericano".Qualquer pessoa medianamente informada sabe que isso não é verdade. Em várias oportunidades, Chávez afirmou que não tem nada contra os Estados Unidos, mas se opõe ao governo do país e suas práticas imperiais. A verdade é que Chávez tem um discurso antiimperialista.
"Ele diz a toda hora que os americanos querem matá-lo ou estão prontos para invadir o país. Até agora, de real, o que se viu foi o governo de George W. Bush evitar respostas às provocações”.Até agora o que de real se viu foi o governo Bush patrocinar, entre outras coisas, um golpe de estado. Uma recomendação aos redatores de Veja: encomendem o recém-lançado livro "El código Chávez – decifrando la intervención de los EE.UU. en Venezuela", da advogada estadunidense Eva Golinger (Fondo Editorial Question, 336 páginas). O volume é resultado de uma exautiva garimpagem em documentos oficiais do Departamento de Estado e do Departamento de Defesa, obtidos sob o amparo da Lei de Liberdade de Informação (Freedom Information Act). Em suas páginas, a autora desvenda – com fartas provas e evidências - as relações entre a entidade conhecida por NED (National Endowment for Democracy) e a oposição venezuelana, incluindo fornecimento de dinheiro e uso de chantagem política e estímulo à violência. É ressaltado ali que o embaixador estadunidense, Charles Shapiro, foi o primeiro a se reunir com o líder do golpe de 2002, Pedro Carmona. E, entre muito mais, o livro detalha – com os números de matrícula – as embarcações e aviões dos EUA que entraram em águas territoriais venezuelanas, sem autorização, durante o golpe.
"Uma das preocupações americanas decorre de compras de armas em quantidade muito acima do que seria razoável num país cujo Exército tem apenas 35.000 homens. De janeiro para cá, a Venezuela comprou mais de 7 bilhões de dólares em aviões de combate, helicópteros, navios e sistemas de radares. O pacote russo inclui 100.000 fuzis AK-47".A Venezuela tem investido nas forças armadas principalmente para defender suas fronteiras e para isso os aviões Super Tucanos são ideais. O que tem acontecido na divisa com a Colômbia é uma intensa provocação à Venezuela. As forças armadas do país presidido por Alvaro Uribe são dirigidas, armadas e instruídas pelos EUA, através do Plano Colômbia, - informação omitida por Veja - em seu combate à guerrilha das Farc, que controla 40% do país. A movimentação é clara: empurrar contingentes das Farc para o território venezuelano, na tentativa de se acusar Chávez de acobertar a guerrilha. E, claro, de cumplicidade com o terrorismo, qualificativo utilizado pela Casa Branca para classificar as Farc.
"Em 1958, um pacto garantiu estabilidade política até os anos 90, um dos mais longos períodos de democracia do continente".Ninguém sério acredita nisso. Em 1958, as elites políticas e econômicas selaram o Pacto de Puntofijo, para criar uma alternância de poder de fachada, enquanto submetia a esquerda e as forças populares a uma duríssima repressão.
A matéria tem muito mais. É impossível dizer onde está a pior parte. É um panfleto, bem ao gosto do que faz na Venezuela a imprensa local. Como ela, Veja não trafega pelos caminhos do apego à realidade. Sua matéria prima é a ficção e a lorota pura e simples. É parte do novo coro golpista que se avoluma contra um governo democraticamente eleito, tendo como repetidores outros órgãos da imprensa brasileira.
Que os Civita façam isso, é papel deles. Mais uma vez – chamando as coisas pelo nome – é papel de sua classe social. A matéria é assinada por Diogo Schelp, Ruth Costas e José Eduardo Barella. São contratados e fazem o que o patrão manda. Servir bem para servir sempre, parece ser o lema. Talvez acreditem no que escrevam. Mas não deixa de ser deprimente a existência de gente que tope assinar uma peça totalmente editorializada e anti-jornalística, apenas para manter seus proventos no fim do mês.
É certo que a vida anda difícil, mas tem um pessoal que pega pesado.
Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista da Agência Carta Maior, é autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo) e observador, a convite do CNE, no processo do referendo revogatório na Venezuela.
domingo, maio 01, 2005
VEJA: CONDOLEZZAS PARA CHAVES
CORREÇÃO JOGA 10..
Campanha que exalta a 10 faz troça do "homem-Copa"
Muito boa mesmo, mostrando a superioridade da reportagem aos comentários do blog. As respostas sem muito sentido da profissional de marketing da Nike mostram como hoje em dia, profissionalmente, em comunicação, assessoria de imprensa e marketing se diz hoje qualquer coisa para ocupar espaço.
terça-feira, abril 26, 2005
DECLARAÇÕES DE BRINCADEIRA - PARTE 2
DECLARAÇÕES DE BRINCADEIRA - PARTE 1
Dá raiva ouvir isso de um sujeito que durante a campanha repetia constatemente a necessidade de se reduzir a taxa de juros, e que um país nunca iria para frente enquanto rendesse mais a especulação do que o investimento na produção. Uma vez eleito, abdicou da sua responsabilidade e discurso de campanha, orgulhosamente sentando a bunda, e deixando as decisões de juros para o pequeno conclave do Copom, que o mantém na alturas a taxa básica (e por conseqüência, o câmbio sobrevalorizado), sendo a brasileira, de longe, a maior taxa de juros reais do mundo.
Lula na sua declaração finge que o cidadão que está tomando um empréstimo tem o "poder", de como "consumidor" reduzir o que?, meio ponto percentual de um empréstimo? Enquanto seu governo se abdica de decidir e governar a política econômica. Brincadeira.
domingo, abril 24, 2005
CIÚMES DA MUSA
PS: Uma das maiores alegrias da minha curta carreira de jornalista foi ter recebido um telefonema em um bar de hotel, de Paulinho da Viola avisando que não poderia vir e pedindo para marcar a entrevista para o dia seguinte. É muito legal atender o telefone e ouvir "Oi, aqui é o Paulinho da Viola", como se dizer seu nome, com aquela voz bela e calma, não fosse um pleonasmo do conteúdo perante a forma.
JESUS É... TERAPIA OCUPACIONAL?
Participe você também. A proposta é simples. Qual o espaço extremo da liberdade de expressão? A cabine de banheiro públicos, em rodoviárias, lanchonetes, escolas e casas noturnas. Então, cade vez que visitar estes espaços ocupados pela expressão mais pura do que há dentro do ser humano, ao invés de escrever obscenidade, suje a parede simplesmente com Jesus é...(complete). O objetivo é deixar as pessoas completarem livremente, do seu intímo intestinal, o que Jesus é para ela neste momento tão reflexivo da nossa fisiologia. Se é 10, se é tudo, se é o senhor, se é bugrino, se é cagão, se faz boquete etc...Ou mesmo se o pessoal pára com a esculhambação das outras mensagem no entorno, em respeito ao mais famoso judeu-palestino de todos os tempos.
Transformar o banheiro em uma pequena catedral, onde cada um pode confessar seus segredos mais fedidos, cumprir a penitência com papel higiênico e ainda se livrar de tudo simplesmente dando a descarga.
Depois de algum tempo, dias, semanas, meses, como em um exame de fezes, voltar ao mesmo banheiro e recolher, através de foto digital, a amostra da resposta à indagação digna de deixar todos no reservado com a mesma pose do pensador de Rodin...
Eu vou esperar o material deste exame, que pode ser mandado para o meu e-mail. Claro que como não sou bobo e sei que todos tem mais o que fazer, vou esperar sentado. No vaso mesmo.
Microsoft + Monsanto = PT livre, mas transgênico?
A pergunta é válida, porque em ambos os casos tratam-se:
- de setores estratégicos para a economia nacional, com grande impacto na balança de pagamentos (software via pagamento de royalties e exportações de soja sem pagamento de royalties)
- Da apropriação pelo Brasil do conhecimento destes dois setores (genética e software)
- Do princípio da propriedade intelectual X conhecimento. No caso da Microsoft o governo defende a liberdade de fluxo do saber. No da Monsanto, que este, e a soja derivada dele, seja propriedade patenteada da empresa. Através de royalties, é como se a Monsanto se tornasse sócia, dona de uma porcentagem, de toda a produção do país. Além de gerar, com o tempo, um verdadeiro monopólio no setor de sementes e a depêndencia dos produtores. Isso para ficar apenas na discussão econômica, sem falar da ambiental e possíveis riscos à saúde.
Tenho minhas opiniões heterodoxas baseadas em boatos inseguros sobre o porque da amizade PT-Monsanto. Mas no fundo, só levanto este assunto para ver como na era do governo Lula-campo majoritário, a coerência do PT, a sua linha, virou uma imensa bunda de nenê, donde ninguém sabe o que vai sair, e quais são as instâncias de decisão. Obscuridades que geram “posições” inflexíveis, mas que ninguém sabe onde foram engendradas.
Quatro influentes deputados do partido (Luizinho, José Eduardo Martins Cardozo, Jorge Bittar e Nelson Pellegrino), além de José Carlos Aleluia (PFL-BA) e Júlio Semeghini (PSDB-SP), alegremente, vão a Washington, patrocinados pela Microsoft, ver palestras do homem mais rico do mundo, Bill Gates, e do notório mentiroso em sessão da ONU sobre armas no Iraque e ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell. Dizem que não é lobby. Se não for turismo é o que? Pura perda de tempo dos deputados? Pura generosidade da Microsoft?
É lógico que o PT tem ainda um papel a esquerda do centro na política brasileira. Vide São Paulo, onde o partido entrou fundo na lógica nociva das alianças, e ainda assim está a esquerda do PSDB. Mas o PT não é mais esquerda em si mesmo. Não o é mais como partido de fato, coerente. Isso depende de que grupo, pessoa, discurso e política na prática do PT você se refere.Em muitos casos, como em relação às leis trabalhistas, sua posição está, na prática, à direita do que a do discurso do PTB (a ver se na hora H da reforma trabalhista, o fisiológico partido não vai mudar de lado, se não está só cacifando seu passe).
Por um lado, isso gera uma confusão ideológica no cenário político, uma tremenda perda de clareza e orientação para a esquerdas, que tem facilitado tanto uma redução das demandas por mudanças sociais no Brasil quanto à continuação da implantação da agenda de medidas e reformas conservadoras (das micro como liberalização do câmbio e taxa de juros, focalização dos gastos sociais, as macro como autonomia do Banco Central, trabalhista, sindical etc..).
Por outro, cria uma saudável desconfiança e força uma maior maturidade política. Uma volta à atenção ao público acima de uma ilusão redentora partidária(PT)/personalista (Lula). E que a atuação neste público, pela igualdade social e democracia, tem que se pautar pelo próprio, concretamente, tanto com uma visão de fundo quanto com uma prática cotidiana.
Para o PT, minha impressão é que fica um círculo vicioso. Quanto mais o partido perde a identidade e o apoio da esquerda (o que é mantido é na base de acenos de esperança, cooptação e chantagem com a ameaça da direita) mais depende de esvaziar a disputa política, embaralhando e reduzindo as candidaturas adversárias através de alianças cada vez mais amplas. E neste processo mais perde a identidade e distancia a política dos eleitores. Deixa de ser um partido comprometido no combate ao conservadorismo. E cada vez menos cumpre a justificativa da política de alianças: de que esta seria o PT impondo sua agenda aos fisiológicos, que não teriam uma. Na verdade, cada vez menos o PT tem um projeto político claro, o que retorna a questão do começo do texto, e o que permite que a natureza das alianças gire cada vez mais em torno da própria fisiologia. (a ocupação do estado como um valor em si mesmo). Acaba virando, no extremo, linha auxiliar para as próprias oligarquias locais, sendo elas que se aliam ao PT, não vice-versa. Veja o caso Romero Jucá, nesta matéria do Valor Econômico: Acordo para reeleição de Lula esbarra no PT. É o rabo abanando o cachorro, o meio do poder perdendo seus objetivos. Como não é nunca a direita que vai dar o suporte político na prova dos nove o PT (mas sim uma rasteira...), eu acho que a reeleição de Lula ainda é muito possível, mas duvido que o PT vença a eleição em 2010.
sexta-feira, abril 22, 2005
PANTÂNO E O CINEMA COMO LUPA E CASSETETE
E é mais do que isso. Chamar de metáfora da crise do nosso vizinho é fácil demais, como bem aponta Ricardo Calil em excelente crítica no nominimo (A ‘buena onda’ argentina 7/04/2005). Permite que digamos "não é conosco". Quando muitas das cenas devem tocar na memória de qualquer latino-americano de classe média, ainda mais falida, entre férias, empregados e negação da realidade (e do trabalho).
Além de ser apenas uma afirmação clichê, porque muito mais do que metáfora, o filme observa com lupa seus personagens. Usa para tanto o recurso mais específico e forte do cinema: o plano. É nele, nas escolhas de ângulo e proximidade, deslizam atuações, cenografia, diálogos e trama, com muito mais força.
Com a combinação destes elementos é um filme de abrangência impressionante que trata das relações familiares, raciais, de classe na américa latina, catolicismo (uma crítica poderosa em dias de novo (velho) papa), de gênero (machismo, homossexualismo), desejo e repressões. O filme não "fala" disso. Ele mostra isso. Articulando na construção das cenas, vários personagens e histórias. Com profundidade nos sulcos do rosto, na atuação física, no figurino etc...De forma tranquila, sem discurso, é o filme que melhor executa, que o faz na síntese da imagem uma das melhores características comuns da buena onda argentina: a relação firme, mas não forçada, nem esquemática, entre a história dos personagens e o contexto social que os cerca. É um dos filmes mais políticos que eu já vi.
O cinema é ilusão por natureza. Mas através desta ilusão, O Pântano alcança um realismo tal, tão violento no ranger das cadeiras arrastadas, que necessita de uma coragem, inteligência e técnica tremenda para serem atingidos. Lucrecia Martel surge como um nome que ainda deve produzir muita coisa boa para o cinema, porque ninguém acerta um alvo deste por acaso. Tanto que Pedro Alomodóvar saiu para produzir seu segundo filme. E se você ainda não viu, saia, alugue o DVD e vá ver o seu primeiro.
PS: O melhor da linguagem cinematográfica demanda atenção de quem assiste, o que é sempre um risco na tela pequena e fora da sala de cinema, com telefone, parentes etc...Proteja-se!
quarta-feira, abril 20, 2005
TEORIA E PRÁTICA DO CASO
Duas notícias que batem neste fim-de-tarde parecem estar bem mais próximas que a borboleta e o vendaval. O Comitê de Política Monetária (Copom), eleva mais uma vez a taxa de juros do Brasil, que já era a mais alta do mundo, cinco pontos percentuais a mais que a da Turquia, a segunda colocada. Subiu 0,25%, movimento detectado/estimulado por alguns agentes do sistema financeiro, como o Unibanco. Enquanto isso no Equador, Lucio Gutierrez, que chegou ao poder em uma "revolução indígena" de esquerda, cai pelas mãos da mesma esquerda, após traí-la e aprofundar as políticas neoliberais na economia dolarizada do país.
As borboletas, daqui e do Equador, segue tentando sobreviver ao vendaval...
sábado, abril 16, 2005
GRAFITE ESCREVE CERTO POR LINHAS RETAS
- que a atitude do Grafite foi o máximo, tipo 0,7. Concordo que ele deve sofre inquérito e Grafite estava certo em fazer a queixa
- que os jornais Argentinos como o Olé tem que ter noção da realidade e do limite das coisas- que patético o Agnelo Queiroz, ministro dos Esportes, meter o executivo no caso para tirar uma casquinha da repercusssão na mídia. Este sim quis aparecer. Espero que tenha tido a decência de ter consultado o Itamaraty antes, mas duvido
- que a assessoria de imprensa do secretário de Segurança Saulo de Castro Abreu Filho trabalhou em cima da pinta, e que a "alta cúpula de segurança", que fez ele também aparecer em cima da prisão
- que Galvão Bueno atingiu o gozo máximo e objetivo maior de sua carreira - estimular um incidente diplomático com a Argentina, pouco tempo antes de um confronto entre as seleções em Buenos Aires. Preparem-se! Se os argentinos forem espertos e quiserem dar o troco, basta acompanharem a transmissão da partida e o Galvão sairá preso do estádio...
sexta-feira, abril 15, 2005
Eu: EGO, SUPEREGO, ID e HD
Tive uma impressão de que falava de mim. O HD sou eu? – perguntei-me Eu I (não acredito em reencarnação...). Sentia-me improdutivo, o tempo rendendo menos que meus colegas, como se menos esperto e capaz. O trabalho e stress acumulando, quase a me dar um pau. Seria mesmo eu, ou a minha extensão, os meus periféricos? Onde acaba um e começa o outro.
A potência do playboy na caminhonete, do músico no amplificador, do soldado no fuzil, do apresentador nas ondas de TV, de qualquer um na amplidão positiva ou profundidade do negativo da sua conta bancária.
Meu ego no HD, minha memória, o que fiz e um tanto do que sou em RAM. Textos políticos, experiências, mensagens de começo e fim de amores. Seriam nossos softwares compatíveis? Ou tem razão e suas últimas atualizações deixaram meu modelo obsoleto e seu CD já não roda mais no meu disco rígido?
Será que no futuro teremos psicanalistas de sistema? “Conte-me mais sobre seu sistema operacional”, pergunta para nós e o laptop, no divã...
O transplante foi um sucesso. O computador passa bem, não houve problemas de rejeição ao novo HD e a memória está de volta, com uma velocidade de quando eu tinha uns 20 anos, com a experiência de 50. Sinto-me mais moço, mais vigoroso. Baixo músicas moderninhas pela web, arranjei uma nova comunidade de amigos no Orkut e coloquei uma foto toda-toda no meu Messenger. Oi, gatinha, sabia que minha conexão a cabo é banda larga? A minha esposa diz que eu estou vivendo a crise da meia idade, que antecede a minha total obsolência programada. E ironizou: acho até que você durou muito, já veio cheio de defeitos de fábrica. Deviam fazer era um recall...Ela anda muito engraçadinha.
Após uma sessão de bate-papo com um monte de gente querida que há tempos não vejo ao vivo desliguei-me, ops, desliguei o computador. E refletido na tela, vi meu próprio rosto. Pensei, sem extensões, arquivos ou conexões.
Eu sou apenas eu.
Confesso que fiquei um pouco assustado.
segunda-feira, abril 11, 2005
A TROCA NA SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA
DICA DE LEIITURA
Texto interessante de Antonio Guilermo García Danglades, publicado noPlaneta Porto Alegre, sobre asmovimentações dos Estados Unidos nos bastidores diplomáticos da Organização dos Estados Americanos, entidade chave para julgar o que é "democracia" no continente, principalmente na Venezuela.
Entre ricos e milionários
O maravilhoso mundo dos serviços bancários para os muito, muito ricos, em matéria interessantíssima do Valor Econômico. Dê uma espiada pelo olho da fechadura e volte para a fila do caixa, que a coisa não é para o seu bico.
domingo, abril 10, 2005
DICAS DE LEITURA
- Mário Sérgio Conti em excelente matéria sobre o Principado de Mônaco, e como o glamour esconde lavagem de dinheiro. Uma citação excelente dela: "E porque o capitalismo, estruturalmente, precisa de válvulas de escape, de paraísos fiscais."
Rainier: príncipe do paraíso
- Matéria do New York Times, traduzida na UOL, mostra como o modelo Microsoft de desenvolvimento de software, empurrando novos "produtos" e associados à eles mais "produtos", está velho e obsoleto, comparado aos conceitos de software livre e este setor como prestador de serviço, não vendedor de produtos. Por Randall Stross: Próxima versão do Windows valerá a espera?Fiz uma matéria faz pouco tempo sobre adoção de software livre no setor público para a revista da Fundap (quando estiver no ar, coloco o link aqui...). Algumas pessoas acharam que a matéria pendeu demais para o software livre. Mas: 1) A Microsoft simplesmente ignorou as perguntas encaminhadas à sua assessoria. 2) Na apuração, de fato não achei desvantagens, mas gente que com Windows de graça disse que havia redução de custos com a migração para Linux.
- Eu não concordo em nada com Maílson da Nóbrega, representante do pior conservadorismo financeiro e político. Posto isso, acho interessante ler sua análise, porque burro ele não é, tanto na escolha da pauta quanto na defesa do seu ponto-de-vista, que é o do capital financeiro para quem sua consultoria (Tendências) trabalha. É inteligente, inclusive ao fazer neste texto o senão, e depois fugir da discussão, sobre a sustentabilidade ambiental do modelo neoliberal que defende e ao não apontar a crescente desigualdade no acesso aos bens e serviços, exploração do trabalho, incapacidade (mais desinteresse) de lidar com problemas como as epidemias de AIDS e malária e estímulo à conflitos bélicos, entre outras questões, geradas por este mesmo modelo.
Era o papa anticapitalista?
HERÓI E A TODA PODEROSA CHINA
Avaliação do governo Serra na Folha de S. Paulo
Ontem (09/04) , o Estado de S. Paulo publicou matéria sobre a proposta de renegocição da dívida de São Palo, feita pelo prefeito José Serra ao Ministro da Fazenda, Antonio Palloci. As mudanças representam uma redução de R$11 bilhões no valor da dívida. Após se dedicar sistematicamente a destruir a imagem do governo Marta, Serra parte para uma complexa disputa/negociação com o governo federal. Se a imagem de Marta realmente ficou no chão, parece-me que foi mais por "mérito" próprio da prefeita nos últimos 3 meses do seu governo (e a oposição cerrada da imprensa) . Quanto a Serra, principalmente como mostram os problemas no transporte da cidade, a má imagem de uma não significa boa avaliação do seu governo.
Dado curioso da pesquisa é a melhor avaliação entre os mais ricos. Este era a disputa real na eleição, e é isso que Serra está implantando: um governo de viés elitista (vide o conceito que ele tem de "revitalizar" o centro) para manter as diferenças e delimitar territórios na cidade, além de fustigar o PT, governo municipal passado, federal presente e qualquer um futuro, e servir de plataforma para vôos maiores de Serra.
O problema que a pesquisa Datafolha bem indica é que a prefeitura de São Paulo é um cargo "carregado", como o governo do Rio de Janeiro. Tem tanto problema, encara uma situação de caso tamanho para sua capacidade adminsitrativa, que enterra o futuro de qualquer político, mas se um dia alguém fizer um grande governo sai de lá com chance de até ser presidente.
PS:O Estado noticia também problemas do Secretário Municipal de Cultura, Emanoel Araújo, com Serra. É um dos melhoresnomes apontados pelo prefeito, e vinha tentando equilibrar os problemas de falta de recursos da pasta e negocar com a classe artística. Mais um mal sinal.
segunda-feira, novembro 29, 2004
A ESCALA HUMANA
Permita-me usar do tão falado, quando estava na faculdade, recurso do hipertexto. Primeira parada. Leia como mudou a construção do responsável pelas novas atrocidades americanas no Iraque. Como a eleição ampliou o que antes e focava como um ataque à Bush e sua cúpula, neste texto, de Emir Sader. Meu coração está em Faluja. Voltou? Até a Madonna, está vendo seu país, da Inglaterra, e de forma diferente. Madonna pede retirada de tropas americanas do Iraque
Uma amiga minha mandou algo que me comoveu muito. Veja da primeira até pelo menos a sexta página da galeria de fotos deste website. São norte-americanos, centena deles, e o site sequer consegue processar a enxurrada de imagens que chegam, pedindo desculpa ao resto do mundo pela eleição de Bush. Uns xingam quem votou nele de idiota, outros pedem “asilo”, no Canadá ou no resto do mundo.
Olhem nos seus olhos, fotos tiradas em suas casas, a maioria jovem, entre brincadeiras e olhar desoladores, um dos atos mais simpáticos de viver sociedade. Pedir desculpa. Não desculpas por serem americanos. São o que são. Pedem do que os Estados Unidos é e estar se tornando mais.
Dizem terem tentado ao máximo, feito campanha, mas não deu. Talvez o mais tocante sejam aqueles que dentro da paranóia terrorista fermentada, ou antevendo contornos mais sombrios para o futuro, ou a lei do retorno, pedem para não serem bombardeados, temem pela vida até 2008, lembram que seus estados não votaram em Bush.
São a minoria. Bush, se não houve roubo, venceu de forma “legítima”.
Típico do sistema “tudo ou nada”. Fica uma “minoria” desamparada de 48%, de um sistema político que não dá opção real, a deriva em um país cada vez mais fanático, egoísta e disposto a impor sua verdade e principalmente manter seu padrão de consumo e reflexão autista custe o que custar para os outros. E no final da conta certamente custará para eles também.
O nome é Sorry everybody. E é só clicar no link.
Voltou?
Triste, não é? Humanos dentro dos vagalhões dos sonhos dos megalomaníacos e oportunistas que nos separam.
E a maioria dos iraquianos, que sem escolha, nunca pediram para ser bombardeados, não votaram para isso, e o são? E os que estão à deriva, de arma ou não na mão, em Faluja, neste massacre democraticamente referendado e aceito?
“Morram. Pois essa é a decisão democrática da maioria dos americanos!”
Mais do que pedir desculpas, as imagens de Sorry Everybody são um contato com o mundo. Um alô para nos lembrar que ainda existem humanos lá dentro. Enquanto outros internalizam o mal, banalizam o mal, espetacularizam o mal (nada menos contraditório hoje em dia do que espetáculo e banal), institucionalizam o mal, agitam bandeirinhas e gritam histéricos “Four more year”, ignorando o mal que infligem ao outro. Estes ignoram o outro. Consiguiremos ser melhores que eles?
Alguém tem solução? O humanismo tem solução para este mundo onde os EUA, sentados em um imenso arsenal nuclear, se arrogam no direito de atacar qualquer lugar da terra, ou pessoa que julgarem ameaça, não a sua segurança, mas ao seu poder? Dos presos sem acusação em Guantánamo, a escalada de mentiras da Guerra do Iraque, alguém dimensiona o que é vivermos, e vivemos, com isto como horizonte e fundamento? Será que teremos saudade da Teoria da Destruição Mútua da Guerra Fria, cuja noção era mais pacífica que a atual, entre guerras preventivas, e perspectivas reais de uso de armas nucleares, pelos Estados Unidos, por estados ameaçados por ele e em ataques terroristas?
quinta-feira, novembro 04, 2004
O (EXTERMINADOR DO) FUTURO PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS
O futuro presidente dos Estados Unidos é conhecido e admirado no mundo todo. Apesar ou talvez até por causa da sua imagem associada à violência. Pôsteres seus adornam paredes pelo planeta e muitos o olham como um exemplo, passando horas e horas para ficar mais parecido com ele.
A sua eleição, no fundo, impõem por si só terror nos países que queiram desafiar a superpotência, e os desestimula a procurar ter à bomba atômica. Todos já viram como ele lida com terroristas, e como caça seus inimigos até o fim. Mesmo que seja muito mais simbólico que real, mesmo que tenha um que de ridículo, é uma figura que impõem medo.
Pode-se dizer que ele fala mal inglês, tropeça nas palavras, que é um ignorante, robótico, e bronco para entender a dinâmica das relações internacionais, mas vamos falar sério, lá como aqui, tudo isso carrega uma grande dose de preconceito. E se até a pouco tempo atrás todos gostavam dele, era por causa justamente da sua força brutal. Porque mudar de idéia agora?
Acusam-no de ser uma farsa, de ter se feito e construído sua imagem através de ficções, de conflitos fictícios. De que é um ator, e que suas falas não exprimem o que pensa, que não se sabe quem ele realmente é. Que ele só lê os textos que outros escrevem, de forma cuidadosa e calculada, para dar maior verossimilhança as suas histórias e versões.
Dizem, e mostram vídeos para provar, que ele já foi festeiro e que deve ter consumido cocaína. E que é um bárbaro.
Eu estou falando do futuro presidente dos Estados Unidos. Arnold Schwarzenegger. Hoje ele é o nome mais forte dentro do partido republicano para a sucessão de Bush. Imagine daqui a cinco anos, você assistindo na TV, e o presidente Arnold declarando guerra à Síria, Irã, Cuba, França, enfim, a algum país que sobreviva aos próximos quatro anos.
Arnold nasceu na Áustria, e hoje só americanos nativos podem se candidatar à Casa Branca, mas está tramitando no congresso norte-americano uma lei sob encomenda, para permitir que naturalizados em condições semelhantes às dele possam se candidatar. E a maioria do congresso é republicana.
DICAS DE LEITURA
DICAS DE LEITURA
- Ontem fui à um seminário em torno de um livro da editora em que trabalho, que discutia Edward Said, e a questão da construção das narrativas e dos estereótipos que justificam fundamentalismos e guerras. Por narrativas se quer dizer no sentido amplo, filmes, ficções e também jornalismo. Veja este texto de Larry Rohter. O sujeito pode ter virado um personagem folclórico no Brasil, fazer matérias curiosas e até interessante sobre Hermeto Paschoal. Não concordo em expulsar o sujeito, há de se achar outras maneiras de lidar com ele, mas o fato dele fazer a imagem do Brasil para o mundo, isto é realmente um assunto muito sério e preocupante. Rohter diz que Brasil assusta o mundo com programa nuclear - The New York Times (31/10/2004)
- Tutty Vasquez reclama de não ter assunto e dos furtos entre colunistas. Passatempo: Mártires da falta de assunto
- Adriana Maximiliano no nominimo, sobre os 30 anos da revista especializada em maconha “High times” Uma maconheira balzaquiana
sábado, outubro 23, 2004
VIAJANDO
Domingo à noite, hora morta, chove lá fora, e eu decido rodar o mundo sem sair do lugar. A turnê começa motivada pela amiga que faz anos não via, que me achou pelo Orkut e pede notícias minhas desde Boulder, Colorado. Mando as poucas que tenho e pergunto as dela. Não sei nada do lugar, exceto que ela mora na “cidade do hotel do Iluminado do Kubrick”. O que soa bem assustador, como se ela tivesse que tomar cuidado com Jack Nicholson empunhando um machado e rios de sangue que jorram dos elevadores do local...
Sigo à viagem com o colega que está em um avião para reencontrar a namorada na Espanha. Desejo sorte, registro saudades e faço uns acertos com ele enquanto o sujeito dorme sobre o Atlântico.
Passo adiante e dou continuidade ao diálogo sobre um livro de Edward Said, que a editora em que trabalho lançou, e que uma amiga em Londres comprou em um seminário em homenagem ao ativista e pensador palestino em Londres, após um ano de sua morte. Aqui, nenhum jornalista deu muita bola para este assessor de imprensa quanto a isso. Tudo bem. Somos muitos e o espaço, pouco.
Decido girar de vez o mundo, e viajando no tempo e espaço, escrevo para um ex-amor, não sei se em Möst, Praga, Liberec ou em que cidade, em que hospital ela anda, pedindo as mesmas notícias que a amiga de Boulder pede para mim.
Com muita saudade da minha namorada, mando aquele texto de Robert Kurz que ela havia me pedido por e-mail, e por algum problema da lista papelotes, ou do seu desmoderado moderador, ela nunca havia recebido (se tem o mesmo problema, não dê reply, mande direto e reclame). Não que ela vá ler nestes dias em que está desbravando, brava que é, o norte da Argentina: Tucuman, Cafayate etc. Brava no bom sentido, para ela não ficar comigo no mau.
Outro alô, e mais notícias, sempre as notícias, da minha irmã que foi morar na Paris para onde todo mundo quer ir, e onde ela foi parar meio sem querer querendo, tendo que agüentar todo mundo dizer que era chique a dura batalha que não tem nada de chique. Dizer que é chique é uma merda de preguiça mental. Quem sabe o que é, sabe que foi sim extraordinário pela superação.
Depois, um contato-convite com pessoa querida da mais exótica e distante das culturas: a carioca. Para que ele venha em mais uma excursão antropológica ao planalto, combater os bandeirantes de merda que aqui residem e votam naquele sujeito com nome do acidente geográfico que nos separa do litoral (deve ser o desejo incosciente de ir á praia que provoca este voto).
Leio na Folha de S. Paulo as notícias que a ex-colega de faculdade traz do debate entre os candidatos à “dono do mundo”, Bush e Kerry, no Missouri, e por telefone, aquele alô para minha mãe que com minha outra irmã aproveita o feriado em Santos, onde do mundo não se decide nada.
Não deu tempo de visitar pessoalmente meu avô em Higienópolis, ele que dizia que ia “correr o mundo”: Guarulhos, Santo André, se não me seguram vou até Diadema. Adiei de novo.
O filósofo esloveno Slavoj Zizek, avisa desde a pequena Ljubljana, que tem grande vontade de vir, mas só pode visitar o Brasil depois de fevereiro. No seu texto sobre uma nova luta de classes, entre as favelas excluídas e comunitárias versus uma nova classe global simbólica, de mídias, universidades e gestores de capital, urbanos/globalizados, com mais semelhanças e referências comuns entre si nos milhares de quilômetros conectados por e-mails, filmes, seriados e aviões, do que com aqueles que fisicamente moram a dois quilômetros deles.
Um rapaz que faz samba e joga basquete, me mostra suas músicas na rua, estilo clássico, talvez até demais, que sonha levar ao “Zeca”, como se falasse em Meca, donde partiriam milagres. O problema é que não tem como ser contatado. Sem telefone, fixo ou celular, sem saber mexer no computador, sem grana para telefonar, sem residência fixa entre aqui e lá. Faz um a cobrar, sugiro, que ligo de volta para onde tu estiver.
Para a amiga de Boulder, que perguntava por onde eu andava, respondi que nas mesmas ruas de sempre, da zona norte da cidade-monstro em que nos conhecemos. Entro na internet e vejo fotos do lugar. As melhores imagens são da viagem da menininha loira Regan, tiradas por Meinhardt Greeff, que deve ser o pai ou mãe dela (Meinhardt é homem ou mulher?), e jogou a excursão familiar para o mundo ver.
Montanhas, lagos, canyons lindos, alces, aquelas pessoas com aquela cara de americanos. Lugar idílico pelas fotos da pequena Regan. Bonito, dá vontade de conhecer.
As fotos me lembraram que as montanhas de Boulder não são apenas o cenário de O “Iluminado” de Kubrick. Partes das mesmas filmagens, de helicópteros sobrevoando uma floresta do início deste filme, foram emprestadas para o fim de outro, a também obra-prima Blade Runner, de Ridley Scott. As mesmas cenas representando em um caso, o isolamento que leva a loucura e ao terror, e no outro, a liberdade, a fuga da opressão em busca de um futuro desconhecido, mas aberto à possibilidade do amor. As mesmas montanhas de Boulder. Questão de montagem? Faz tempo que eu não vejo Blade Runner e hoje de manhã por acaso me peguei com vontade de assisti-lo pela sei lá, 20ª vez. Talvez quando ela voltar da Argentina.