terça-feira, maio 15, 2007
Os porques de Fidel ser contra o etanol
O problema de Fidel com o etanol pode ser resumido da seguinte forma: se o Brasil seria a "Arábia Saudita" do biocombustível, Cuba tem tudo para se transformar no "Iraque" do etanol. A potencialidade econômica do combustível pode estimular a beligerância norte-americana.
Esta é a razão não dita para as preocupações de Fidel com o assunto. Seu último artigo pode ser lido no link abaixo:
http://www.granma.cu/espanol/2007/mayo/mar15/lo-que-aprendimos-del-vI-encuentro-hemisferico-la-habana.html
segunda-feira, maio 14, 2007
VQP - Dois países, duas eleições, duas medidas
Voltemos agora para a França. A chamada de capa é a seguinte "França: aposta em um futuro de direita". Parece mentira, mas Veja não publica que a diferença entre Sarkozy e Ségolène Royal foi de apenas seis pontos. Que a massiva participação no processo eleitoral indica uma sociedade polarizada e indecisa em torno da necessidade de desmonte do estado de bem-estar social, e na relação com os descendentes de imigrantes... A matéria faz um oba-oba em torno da personalidade de Sarkozy (assim como Veja sempre foi simpática a Berlusconi, Aznar e Menem, argh!), monta um paralelo descabido entre ele e Tony Blair, que está se aposentando e manchou um governo com desempenho interno incrível por ter montado na garupa de Bush, e só termina indicando que "vem turbulência por aí". É a maneira de desqualificar previamente os protestos que certamente acontecerão quando Sarkozy colocar suas propostas na rua. Matéria de muito mais senso, reportagem, clima e rua, também de correspondente em Paris é a da Carta Capital(aliás, é impressionante, como ter um correspondente em Paris, parece não fazer diferença nenhuma no texto da matéria...).
VQP - Veja mente sobre USP e autonomia
No textículo de uma página intitulado "No caminho certo", pateticamente assinado por Camila Pereira, mas "pensato" (sic) por Reinaldo Azevedo, sobre a invasão da reitoria da USP, a revista Veja mente ao dizer que o problema é apenas que "as universidades se recusam a entrar no Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios (Siafi)". Não é este o problema. O problema é que com a criação da Secretaria de Ensino Superior, com a reformulação do Conselho de Reitores das Universidades do Estado de São Paulo (Cruesp), e novos decretos, Serra passou por cima da lei e acabou com a gerência interna de recursos na universidade, a autonomia financeira. Na prática, interveio na universidade.
O último parágrafo do artigo é uma elegia ridícula: "O governador Serra cumpre seu papel de administrador ao enfrentar esses problemas e resistir às pressões corporativas. Age com a autoridade de quem foi presidente da União Nacional dos Estudantes e teve longa carreira como professor em instituições como a própria Unicamp e Princeton, nos EUA. Não é ele quem quer destruir a autonomia da USP."
Não é que ele queira. Ele já destruiu. Basta ler esta matéria da Folha de S. Paulo, que pode ser acusada de tudo, menos de ser um jornal anti-serrista: Universidade só pode mudar gastos com decreto de Serra (para assinantes).
Isso é o fim da autonomia financeira da USP. E mostra como a Veja sabe fazer, sei lá se de forma espontânea ou estimulada, matérias e versões de encomenda para Serra, mesmo que elas sejam mentiras absurdas.
PS: Observe que a questão do mérito ou não de como eles cobriram a invasão em si, da opinião deles sobre ela, nem foi tratado. Impressiona mais a mentira e manipulação descarada do ataque de José Serra a autonomia universitária...
No quesito público, o papa perdeu
Romantismo fora de hora
1- Avalon - Roxy Music (eu ainda tenho que escrever um texto sobre esta música inacreditável de boa)
2 - You´re the best thing - Style Council (note a tendência por uma bossa nova inglesa...)
3 - Fade into you - Mazzy Star (pegadinha blues, "desaparecer dentro de você" é lindo, etéreo e sexual ao mesmo tempo)
4 - Nothing Compares 2U - Sinead O´Connor ("Faz sete horas e quinze dias, desde que você levou seu amor embora..." A letra genial é do Prince, mas Sinead transforma a música em algo muito, mas muito triste)
5- There´s a light that never goes out - The Smiths (foi uma disputa dura com "Don´t let me be misunderstood", na versão blues-oriental de Elvis Costello, mas Morissey praticamente se suicida nesta música. Não é para qualquer emo não...rs....)
Notei que a lista começa mais alegre e vai descendo a ladeira...Dia desses faço uma de nacionais...
Proibido Proibir
sábado, maio 12, 2007
Fotos de Sebastião Salgado
http://arts.guardian.co.uk/salgado/image/0,,2077763,00.html
quarta-feira, maio 09, 2007
Todo apoio ao amor de Bento XVI
"Queridas pessoas
Do fundo do coração desejamos toda felicidade a todo tipo de casal que queira viver em liberdade e afeição genuína.Por isso, reivindicamos o direito de união aos urubuzinhos Joseph e Georg.No portal da Folha, hoje, tem um bocado de informações sobre Don Georg, secretário do Bento, monsenhor opus-dei-fashion que inspirou a última coleção masculina Versacce e é uma espécie de muso dos gays italianos. Mais informações interessantes nos sites de busca.Além de escolher óculos, relógios e demais adereços do Joseph, monsenhor Georg está sempre por perto, ajudando a trocar de óculos e solidéus, arrumando a capinha etc. Em todas as aparições do B16, monsenhor está ao lado ou um passinho atrás. É fácil vê-lo: é um loiro alto, lindo, de olhos verdes, corpão de tenista. É bonito, mas ordinário. Começou dando aulas na faculdade da opus dei e agora é da santa inquisição, digo, da doutrina da fé...O Estadão diz que o papa tem hábito de fazer as refeições sozinho, coisa que as fotos da Folha desmentem, mostrando o verdadeiro lugar de Don Georg. Eu estou neste propósito: o B16 fala o que quer do aborto, da camisinha e da homossexualidade, e eu falo o que quero da vida pessoal dele!"
A matéria na Folha Online e as fotos da dupla:
http://noticias.uol.com.br/ultnot/especial/papanobrasil/ultnot/2007/05/09/ult4563u94.jhtm
terça-feira, maio 08, 2007
Polêmica Racionais X PM porque o You Tube é melhor que a Globo
http://www.youtube.com/results?search_query=virada+racionais&search=Search
Até neste vídeo da Globonews fica nítido o exagero dos policiais, o despreparo, e que primeiro eles saíram, deixando as pessoas subirem na banca e depois voltaram barbarizando. Tiros de borracha e bombas de efeito "moral". Enquanto isso, Mano Brown tenta acalmar o público. O fim da matéria destaca apenas o "vandalismo". Mas a falta de preparo, planejamento, e responsabilidade da polícia atirando balas de borracha e provocando correria em uma multidão (alguém poderia ter sido pisoteado) disso ninguém fala. E como isso provoca a revolta. Mais uma vez, vale lembrar a frase de um policial nas manifestações de Genova, sacadas pelo filósofo italiano Giorgio Agamben. "O papel da polícia não é manter a ordem. É gerir a desordem."
http://www.youtube.com/watch?v=8vdJEeW2UEk&mode=related&search=
Texto legal de esportes
http://www.trivela.com.br/default.asp?pag=ExibirMateria&codMateria=2484&coluna=16
domingo, maio 06, 2007
Virada Cultural - "re-clamar" as ruas...
A Virada mostrou que existe em São Paulo um déficit, um potencial, uma fome imensa de arte, de rua, do centro da cidade, de encontro, de expressão, de liberdade. Tamanho déficit que as vezes explodiu, e arrebentou em um excesso de bebida ou na violência do incidente da Sé. Mas os contratempos não devem parar a vida, ou serem maiores que ela...
A secretaria de cultura também pode ser criticada por não fazer muito no resto do ano, ou por não dar recursos decentes para o bom funcionamento ou mesmo o funcionamento de certos equipamentos. Nota-se isso pelos poucos equipamentos culturais da própria secretaria que participaram da Virada (com a exceção do Municipal e dos CEUs, que assim seguem comprovando sua vocação como rede importante de cultura na periferia, outro potencial subaproveitado).
Mas é impossível não admirar e não reconhecer que a Virada Cultura NÃO é um simples evento e sua importância como subversão e demostração das possibilidades da cidade, do seu centro e da cultura como transformação. Até dá para entender nela, o que talvez Guilberto Gil quis dizer com a cultura para um "Do-in" antropológico...No caso, eu diria urbanístico... A Virada explica mais que qualquer discurso, a importância de uma política cultural do estado, como ela pode ser transformadora e relevante.
É triste, vale dizer de novo, pensar que o problema óbvio e real de rancores e violência que brotam em um show dos Racionais (onde no conflito nenhum dos lados detém toda a culpa e todos têm um pouco, e todos executaram seu papéis "previsivelmente"...) apague a ocupação das ruas como cidade de fato, não mero comercial, a integração e alegria das pessoas que o ocupavam, tornando-o público. De gente que mora em São Paulo faz anos e que pela primeira vez conhecia o centro. Da cara que poderia ser bonita e mais humana da cidade onde as pessoas caminham sem medo, se misturam entre classes sociais, e se encontram. De um espaço recriado e reanimado pela criação.
E aí existe o outro lado importante da Virada Cultural, e porque ela não é um simples evento. Ela nitidamente deu um sentido diferente aos shows que nela aconteceram, e isso deu para eu notar a ver grupos que já assisti, como Clube do Balanço com Erasmo Carlos, ou João Donato. Não era mais um show em um espaço que não tem como escapar de ser delimitado e careta, por melhor que seja, e o Sesc Pompéia o é. Era uma ação com um sentido, inclusive político. Erasmo Carlos estava visivelmente emocionado e orgulhoso de lá tocar. Ali a arte deixou de ser entretenimento, produto, e voltou a ter seu sentido entre o sacro e o profano, de congraçamento e renovação. Sua "Além do Horizinte" ganhou todo um novo sentido, ou melhor dizendo, retomou seu sentido. A arte fica mais excitante, mais arte. Quem quiser pode aproveitar horrores da experiência.
E isso me lembrou um movimento inglês da virada do milênio chamado Reclaim the streets (retome as ruas). Que queria através de festa/protestos de surpresa as ruas, justamente isso: retomar o espaço urbano para as pessoas, para o encontro, para a alegria, para a comunidade, para a liberdade.
É irônico que uma prefeitura (e um governo do estado) conservadora, com um secretário de cultura não conservador, e com uma eminência parda ultra reacionária, como Andrea Mattarazzo*, tenha organizado este evento. Certas coisas, como proibir poluição visual, cobrar zona azul no Ibirapuera e fazer a virada cultural, só os conservadores de outros partidos (não os do PT...) poderiam fazer...Que sejam boas heranças (não a Zona Azul no Ibira) antes deles caírem fora...porque corredor de ônibus, transporte alternativo, e políticas na periferia não são com eles.
A Virada tinha que ser também de política e atitude em relação ao centro em particular e as ruas em geral...reocupá-las, nos reencontrarmos nelas, recriarmos e acreditarmos na nossa cidade, em nós mesmos, porque o risco envolvidos em viver isso é muito menor que o vazio seguro dos alphavilles, shoppings e Vila Olímpias da vida. E os ganhos tão maiores...
* Mattarazzo, o Andrea, não o Eduardo, deve ter ficado feliz pela Virada em seus esforços para gerar insônia nos moradores de rua. Este é outro ponto triste do negócio. Ela aconteceu na casa dos que não tem casa...Até nisso, viver e andar as ruas é importante. Ele nos força a encarar os problemas com uma proximidade, velocidade e escala mais humanas...
quarta-feira, abril 25, 2007
VQP - Você recebe a Veja de graça?
VQP - A sentença contra Mainardi
A história se desdobra por dois links. O grosso da informação produzida foi por ambas as partes, sem nenhuma isenção. A Veja usou a revista como acessório do processo. E Kennedy viu-se obrigado a se defender das acusações. O fato é que contra Reinaldo Azevedo não há fatos, ele só enxerga o que quer e não dará o braço a torcer. Quem quiser ver seus malabarismos, entre o que desqualifica, sonega e distorce, visite seu blog e boa viagem ao parnasianismo conservador. Kennedy Alencar postou a versão do juiz e suas explicações neste link: http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult511u299.shtml
A minha opinião disso: se for verdade, Mainardi e Azevedo estarão na posição do menino que sempre gritava "Lobo, lobo" e um dia o lobo apareceu. E acho que não apareceu.
Sobre este caso, e nada a ver com este caso, tenho a seguinte intuição que me veio não sei poque: ensaio aberto. Para Abril, os 30 mil de Mainardi devem ser menos que as custas de uma semana de trabalho do seu setor jurídico com o caso. O que preocupa mesmo é o governo atrapalhar seus negócios com os sul-africanos do Naspers ou com os espanhóis da Telefônica (neste caso, com a vantagem indireta de agradar a Globo). Não que eu acha que o governo vá fazer isso, mas a Abril teme inclusive porque já usa este dinheiro por conta. Então este é o segundo ensaio (o primeiro foi quando chamaram jornalistas de Veja para depor na PF) para ver se o papel de vítima e bastião da liberdade cola. Não tem colado. A revista tem uma imagem péssima (dê uma olhada na matéria e nestes links do Comunique-se). Se Kennedy Alencar caísse no fogo cruzado, para Azevedo+Mainardi, tanto melhor. Veja e eles não estão nem aí para quem quer posar de equilibrado, nem para ao menos ouvir a explicação de um denunciado, mesmo quando amigo, antes de tentar implodir sua imagem.
quinta-feira, abril 19, 2007
O Embargo e a burrice
Para o que acham que o comércio faria os EUA "compactuar" com uma ditadura, fica uma pergunta e uma lembrança: o que o bloqueio comercial ajudou Cuba? E lembrem-se que os EUA manteve negócios com a África do Sul nos tempos do apartheid, sendo inclusive incentivador de aventuras militares daquele regime infame.
Com mais fluxo de comércio e mais turistas norte-americanos na ilha, do que os Estados Unidos tem "medo" (sei que não tem, é para fin de exposição...)? De serem mais influenciados pela ilhinha do que de a influenciarem?
Da Carta Maior, a insanidade do que é o bloqueio, aliás, condenado por qause o mundo todo...
"Todas essas medidas tinham como objetivo asfixiar economicamente a recém-nascida revolução cubana. Em função do bloqueio, Cuba não pode, entre outras restrições, exportar nenhum produto para o mercado norte-americano, nem receber turistas vindos dos EUA. Além disso, não tem acesso a créditos e nem pode utilizar o dólar em suas transações com o exterior. Os navios e aviões cubanos estão proibidos de tocar portos e aeroportos dos EUA. Essa política tem um caráter extraterritorial, uma vez que impede importações de subsidiárias norte-americanas instaladas em outros países e sanciona investimentos estrangeiros em Cuba. O documento observa que, para agravar ainda mais os nefastos efeitos da perda de 85% do comércio externo cubano, causada pelo desaparecimento do campo socialista europeu e da União Soviética, os EUA aprovaram em 1992 a chamada Lei Torricelli.Por meio dela, foram interrompidas as importações cubanas procedentes de subsidiárias norte-americanas em outros países, que chegavam, em 1991, a 718 milhões de dólares. Cerca de 91% dessas importações era constituído por alimentos e medicamentos. Essa lei também impôs severas proibições à navegação marítima desde e para Cuba. A partir dela, o navio de um país que atracasse em um porto cubano, não poderia entrar em um porto dos EUA antes de seis meses e mediante uma permissão especial. Em 1996, a Lei Helms-Burton aumentou os efeitos do bloqueio. Estabeleceu sanções para atuais e potenciais investidores em Cuba, autorizando ainda o financiamento de ações hostis contra a ilha. No final de 2001, pressionado pelo setor agro-exportador norte-americano, o Congresso dos EUA aprovou uma legislação autorizando que Cuba comprasse alimentos dos produtores do país. No entanto, essas importações são acompanhadas por severas restrições."
quarta-feira, abril 18, 2007
VQP - Tinha na mailing, faltou no blog
PS: Sobre a mesma matéria das jovens cantoras. Uma carta de leitor corrige Sérgio Martins, que escreveu que as interpretações de Elis Regina privilegiavam a emoção ao invés da técnica. Alguém que não entende que ela conseguia combinar os dois ao mesmo tempo deveria se abster de escrever sobre MPB.
PS2: Leitor me cobra que Veja não citou Fabiana Cozza e Ceumar, enquanto colocou cantoras que sequer lançaram o primeiro CD...
VQP - Faltou no Boletim - direito de resposta
"VEJA publicou em sua edição de número 1 944, com data de 22 de fevereiro de 2006, um texto intitulado 'O mais vendido', no qual consta a informação de que o jornalista Leonardo Attuch, editor das revistas IstoÉ Dinheiro e Dinheiro Rural, estaria devendo satisfações às autoridades policiais. Em um episódio pretérito, a respeito do 'caso Kroll', o nome do jornalista foi citado como autor de determinadas reportagens, mas ele jamais foi denunciado ou indiciado pelas autoridades que investigaram tal assunto. O livro publicado por ele, intitulado A CPI que Abalou o Brasil, editado pelo selo Futura, do grupo Siciliano, teve seu volume de vendas alterado, o que mereceu sua exclusão da lista de 'Mais Vendidos' da revista VEJA. O relato da Siciliano exime o jornalista Leonardo Attuch do episódio. O jornalista também jamais foi indiciado pela Polícia Federal ou por qualquer outra autoridade policial pela prática de qualquer tipo de delito."
VQP - Capa câmbio, alô câmbio?
A matéria da Veja de capa, sobre o câmbio, tem algumas verdades. A valorização de hoje não é igual a de 1998, na medida que ela ocorre em um mercado livre da moeda, e se sustenta parcialmente no saldo da balança comercial e na melhoria do cenário internacional. Veja também está certa na sua análise da relação entre a popularidade de Lula e a economia, e que este cenário deve permanecer no futuro próximo. Há aspectos positivos no câmbio valorizado para alguns setores, como a compra de máquinas mais modernas e estudo no exterior. Eu também acho divertido comprar equipamentos e viajar para a Europa (não para a Disney...), como qualquer um. Mas há outros setores que sofrem. E a quantidade de abobrinha e besteiras na matéria ainda assim, são de revirar o estômago.
Veja ridiculariza opiniões sérias e destrói qualquer debate. Trata quem discorda dela como idiota. É lógico, contábil e óbvio que a arbitragem de ganhos com os juros e o câmbio brasileiro atrai volumes financeiros significativos e influencia na taxa de câmbio. Inclusive pode ser ela mesmo fator de instabilidade no futuro, se a valorização for excessiva. Assim como é óbvio que não é só isso. As pessoas se preocupam com uma pauta de exportações baseadas em commodities, que hoje estão com demanda forte e preço alto, mas isso pode mudar (lembram como Veja gozava com soja por volta de 2002/2003, era o futuro do país, e como o setor quebrou fácil como um graveto em 2004/2005?).
.
Quando eu leio a matéria da Veja sobre câmbio forte falar em “darwinismo industrial”, eu lembro das vacas européias. Sim, não é industrial, mas está dentro da discussão sobre eficiência econômica. As vacas européias estão entre os bichos de estimação mais caros do mundo. Economicamente, se fossemos levar a lógica da eficiência econômica a sério, não existiriam. As vaquinhas que tem que ser protegidas do inverno europeu com subsídios não tem como concorrer com as suas irmãs australianas, argentinas e brasileiras, ou mesmo de algumas regiões do Estados Unidos. Assim como as plantas industriais de etanol baseado em milho que estão sendo erguidas nos EUA, são irracionais se pensarmos nos termos de Veja. Mas o mundo não funciona assim, e nenhum país sério, nenhum governo sério, nenhuma sociedade minimamente solidária, mesmo no capitalismo, arrebenta setores da economia como Veja acha bacana. Ela, no mínimo, tenta lhes dar uma chance de desenvolvimento. O “Brasil” abstrato tratado por Veja esmaga e não liga para setores da economia – empresas, empregos, pessoas – que poderiam estar melhor e não precisariam ser eliminados por uma destruição criativa. A desvalorização de 1999 foi o que depois permitiu a adaptação da economia brasileira a folia do populismo cambial do período 1993-1998 (que combinou câmbio valorizado com juros altos, devastando a economia). Tudo na vida traz matizes. 1993-1998 foi importante para conter a inflação. Mas não é verdade que precisava arrasar a economia para fazê-lo e depois haver o trauma e golpe da desvalorização e recessão. O mesmo vale para hoje.
VQP - Capa câmbio 2
Um amigo apontou os problemas do seguinte trecho da matéria:
Três boas sugestões (de mercado) para impedir uma valorização excessiva do real foram dadas pelo empresário Boris Tabacof, na Folha de S. Paulo de sexta-feira:
“1) rápida redução dos juros, o que não representa riscos de inflação, que seria a meta de chegar a 6% de juros reais, dito explicitamente pelo Banco Central;
2) eliminação da isenção de 15% de Imposto de Renda sobre os ganhos dos investidores estrangeiros em títulos públicos federais;
3) tributação crescente sobre rendimentos de capitais que ingressam para ganhar na arbitragem dos juros, por exemplo, pegando-se empréstimos com taxas japonesas muito baixas e trazendo para a aplicação em títulos com juros brasileiros, o que dá um lucro garantido de, no mínimo, 6% ao especulador financeiro, sendo a progressividade da taxação inversamente proporcional ao prazo de permanência do investimento não produtivo no país. Além da adoção de medidas que a criatividade das autoridades de Brasília têm demonstrado com tanto sucesso na criação de constrangimentos ao crescimento da economia brasileira.”
VQP - Mulheres contra mulheres
VQP - é mais por aí
As matérias da Veja sobre as ameaças ao Conselho Nacional de Justiça, sobre o avanço de missionários evangélicos sobre populações indígenas e as denúncias contra Jader Barbalho são importantes.
VQP - É quase por aí...
Maílson da Nóbrega assina um artigo comparando Cuba e Dubai, sobre suas visitas aos dois países, ambos ditaduras, mas uma exaltada, porque capitalista, outra criticada, porque socialista. Além de ficar claro que democracia não é o ponto aqui (Cuba é considerada mais “democrática” que Dubai) e a simpatia de citar Mike Davis, Maílson é obrigado a reconhecer que os cubanos são altamente instruídos, cosmopolitas e saudáveis. Muito mais, aliás, que seus vizinhos do Haiti, Jamaica e República Dominicana. Mas o artigo até que é tranqüilo, pragmático e realista. Melhor que as reportagens da Veja. Quem diria: um artigo de Maílson da Nóbrega um dia seria mais jornalismo que o jornalismo...
VQP - Cite a New Yorker quando chupinhá-la
VQP - Agora e na hora de nossa morte - 2
Outro caso de obituários grosseiro da Veja
“O artista plástico americano Sol LeWitt, expoente da arte conceitual, um modismo dos anos 60 segundo o qual a idéia por trás de uma obra é tão ou mais relevante do que a sua realização final. Esse blablablá teórico não era levado em conta pelos compradores das pinturas de LeWitt, que gostavam mesmo era das cores fortes de seus murais com motivos geométricos. Dia 8, aos 78 anos, de câncer, em Nova York.”
Alguém ainda precisa de Veja Q Porcaria?
"Até tu, Economist?
Até a celebrada “The Economist” tem seus dias de “Veja”. No recente e extenso relatório sobre o Brasil, o correspondente Brooke Unger, além dos entrevistados citados nas próprias reportagens, lista os especialistas que ouviu para compor seus textos.
Mas, engraçado, aqueles que, procurados por Unger, não rezaram pela cartilha neoliberal da publicação, mesmo perdendo até mais de uma hora em conversas pessoais com o correspondente, ficaram de fora – não só das reportagens como também das menções no final do relatório.
Imparcialidade é isso."
Esta certo que ainda tem muita gente que acredita na revista, que segue a batida distorcida com que ela trata muitos assuntos, e que esta vai muito bem de publicidade...mas sinceramente, quem ainda precisa de uma crítica que a leve a sério, nesta altura do campeonato?
terça-feira, abril 17, 2007
FHC: o que fez e o que faria diferente
O que fez:
In democracy, we made progress. I tried to reinforce institutions; democracy requires institutions. What is still lacking in Brazil in terms of democracy is not institutions. It is a more difficult thing. It is civic culture: the respect of the law.
Secondly, I consolidated economic stabilization. After the stabilization of the economy, we suffered an enormous financial crisis. We tried not to just look at the economy but to look at the people, education, agrarian reform and health.
O que deveria ter feito diferente:
As to whether I would do something differently? Yes, it would have been possible to float the exchange rate in 1998. Maybe I would have started the social program earlier.
I could also have put more energy into political reform.
Tradução: o câmbio estava sobrevalorizado em 1998, e sim, que maçada não termos pensado em um bolsa Família mais amplo antes do PT. Custaria tão pouco ter o apoio das massas e não parecer tão elitista...
PS: Após a histeria da eleição, e um ar conformado com o fato de Lula estar adquirindo um peso tão grande, FHC parece na entrevista mais sereno e ponderado: http://www.miamiherald.com/103/story/73571.html
segunda-feira, abril 09, 2007
Vai entender...
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=470215&tid=2525498588961829518&start=1
quinta-feira, março 29, 2007
Um pouco de música
Mas chega de escrever que papo de sambista é samba. O link da rádio:
http://www.4shared.com/file/13028053/f7b24606/coqueiro_velho_2.html
terça-feira, março 27, 2007
VQP - O índice "Marquinhos"
Este é o tom da Carta ao leitor desta semana. Óbvio que por um lado ela beira o ridículo caipira, com seu “índice Starbucks”.
“Imaginemos agora um Índice Starbucks. Seria um indicador baseado no desempenho das cafeterias da rede americana instalada em quase quarenta países e serviria para medir a capacidade empreendedora de cada uma dessas nações, bem como o potencial de consumo de suas populações. Aonde se quer chegar? A uma informação publicada na seção Holofote desta edição. No espaço de uma simples nota, há uma notícia que esclarece muito sobre o estado atual da economia brasileira: as duas primeiras lojas da Starbucks abertas no país em dezembro, ambas em São Paulo, já ocupam o topo do ranking de atendimento a clientes das cafeterias da rede mundial.”
Olha, só dá para entender isto como besteirol intencional, para este e outros caírem de patinho e a revista gerar comentário. Eles estão falando sério? Quando saiu aquela matéria imensa, de capa, sobre a chegada da Starbucks no Brasil, muita gente no meio disse: “não pode ser, isto é jabá”. Mas eles são tão marquinhos que não sei...Eles acham que duas lojas novidadeiras na região sudoeste de São Paulo simbolizam qualquer coisa? Nossa...
“Não poderia existir momento mais propício para que Brasília desse um empurrão pondo para andar as reformas tributária, previdenciária e trabalhista e, assim, arrancar os grilhões que ainda aprisionam a economia. Isso ajudaria a levar o Índice Starbucks a todo o parque produtivo brasileiro com as previsíveis e extraordinárias conseqüências para a paz social e a elevação do padrão de vida de todos os brasileiros.”
Olhe. Existem mudanças tributárias (mais), previdenciárias (algumas) e trabalhistas (menos) que provavelmente seriam interessantes. Simplificar a tributação e cobrar no destino, não na origem do produto seria justo, mas isso sempre é barrado por São Paulo. Aprovar idade mínima de aposentadoria de 65 anos para a maioria das carreiras com nível superior e em alguns setores do funcionalismo público, por exemplo, poderia ser uma idéia aceitável, mas os neoliberais feitores que defendem a reforma querem descê-la sobre o lombo dos mais pobres...O problema no “rumo certo” que se quer com estas reformas sem se pronunciar é regredir os custos e condições da mão-de-obra brasileira aos níveis da indiana e chinesa. É o tipo de projeto de país que grande parte da nossa elite (lógico, há exceções) está viciada em pensar. Ela não quer, nem acredita, no desenvolvimento em parceria, e para, melhorar a vida da maior parte da população. Dureza...
VQP - 3 artigos sobre insegurança
VQP - Briga grande em notinha
“Curioso
A Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) quer proibir no Cade uma promoção conjunta da TVA e da Telefônica que oferece um pacote de TV por assinatura e banda larga por preços reduzidos. No caso, é curioso que a associação se volte contra um associado, considerando que é exatamente isso que outro associado, a NET, vem fazendo com outra tele, a Embratel, há muito tempo. Com todo o apoio da entidade.”
A nota está correta. Só falta informar que a TVA é uma empresa em processo de venda, da Abril para a Telefônica. E que esta venda é estratégica para o grupo Abril saldar suas dívidas. E que a briga em torno da convergência da internet+telefonia+tv por assinatura que coloca de um lado do ringue a Abril+TVA+Telefônica(Speedy e Terra) e do outro a Globo+NET (Virtua)+Embratel+Sky e Direct TV (News Corp) é a mais importante briga do setor de comunicações do país...Ao menos na matéria “calhau” sobre o Canal Fiz que será lançado pela Abril, Veja informa que é do mesmo grupo que a publica.
VQP - Sonegando informação...
A matéria de capa da Veja é boa, noves fora fazer baião de dois para a instalação da CPI do Apagão Aéreo, o que é do jogo e do direito. Ela só tem um porém, que é um grande porém. Por que fingir que o problema da infraero e da falta de investimentos em infra-estrutura portuária é apenas de corrupção e má gestão, e esconder que o governo contingência recursos bilionários arrecadados de taxas cobradas dos consumidores, para fazer superávit primário? Ou seja, que o próprio setor gerou receita, que deveria resolver seus problemas, mas que esta foi desviada para pagar juros? Por que na matéria “A infraero não informa” a Veja não informa isso...
Sonegar informação para defender de forma exagerada seu fanatismo neoliberal também ocorre na matéria “Maior, mas do mesmo tamanho” sobre o PIB brasileiro. Último parágrafo da matéria:
“Os novos cálculos deixaram o Brasil ligeiramente melhor na fotografia internacional. Mas nem por isso desapareceram as travas que emperram o desenvolvimento. Ou, pior, como temem alguns analistas, o governo pode se inebriar com o seu "quase pibão" e enterrar de vez as reformas sem as quais não haverá como o país entrar em rota de crescimento duradouro. O "novo PIB" dá a dimensão do drama: a gastança pública foi maior do que se imaginava. Já a poupança e os investimentos ficaram menores. (grifo meu) E aí não há milagre estatístico: sem poupança e sem investimentos, o "pibinho" nunca será "pibão".”
sexta-feira, março 23, 2007
VQP - Azevedo X Azenha
Esta semana, e parece que quem começou foi Azevedo, mas, felizemnte, perdi o primeiro caítulo, começou um "tirotexto" (tiroteio de texto, desculpe a infâmia...) com Luiz Carlos Azenha.
Não é nada edificante. Mas enfim, como inventei-me, faz tempo, de fazer isso, vão os links para quem estive disposto:
Azenha:
http://viomundo.globo.com/site.php?nome=MinhaCabeca&edicao=725
Azevedo:
http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/
Óbvio, e sinceramente, concordo muito mais com a visão de mundo, de jornalismo e postura do Azenha.
Idéias que provocam...
http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=13774
quinta-feira, março 22, 2007
Coluna de Clóvis Rossi de hoje
Os heróis de Lula
SÃO PAULO - Primeiro, o governo Luiz Inácio Lula da Silva mexeu na TR (a Taxa Referencial de juros), de tal forma que os rendimentos da poupança serão reduzidos.
Alguém aí ouviu algum outro alguém gritar "calote", "tunga", "quebra de contrato" ou algo parecido? Ou só silêncio?
Depois, constatou-se que, graças à mesma mágica besta do governo, também o FGTS será afetado, passando a ter rendimento inferior ao da inflação (ou seja, perda de renda, em bom português), dependendo do nível da taxa de juros.
De novo, gritos enfurecidos de "calote", "tunga", "quebra de contrato"? Nadica de nada, salvo uma reclamaçãozinha chocha do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, mais por não ter sido ouvido do que pela tunga. Reclamação que, de resto, só comprova uma vez mais que, no governo do Partido dos Trabalhadores, trabalhador não é ouvido nem cheirado, por mais que o presidente da República ainda se considere torneiro mecânico, profissão que não exerce há pelo menos um quarto de século.
Agora, experimente você mencionar "calote" (não necessariamente para defendê-lo) em relação à dívida pública. Cai-lhe o mundo em cima, por baixo, por baixo.
Ficamos então assim: "redutor" na TR, afetando o pequeno investidor e o assalariado, pode. Já o rendimento do grande investidor, que detém os papéis do governo, é absolutamente intocável, sagrado. Foi assim sempre, mas se tornou quase vício, verdadeiro dogma religioso no governo Lula, que fez a opção preferencial pelo mercado financeiro, ao qual dedica anualmente algo em torno de 7% ou 8% do PIB.
Dia virá em que Lula chamará de "heróis" o pessoal do mercado, como fez anteontem com os usineiros, no mesmo dia em que fiscais do trabalho encontravam trabalhadores da cana atuando em condições "degradantes".
quarta-feira, março 21, 2007
Diálogo maluco sobre o novo PIB by IBGE
Tem mais , a gente discute, discute, aí vem o IBGE, muda tudo, e a gente descobre que a vida é numerolo...ops, metodologia...De ontem para hoje acordamos 10% mais ricos, devemos ter crescido mais que alguém além do Haiti, e a dívida/PIB foi de 51,5% para 46,5%. 10% de crescimento em um dia? Seria o espetáculo (no sentido teatral do termo) do crescimento? abração e risos...
Resposta
Zé, tô tentando entender essa parada faz umas três horas. Minhas dúvidas:
Se é assim, por qual motivo o IBGE foi tão estúpido de não fazer isso antes?
Será que isto não poderá ser visto como manipulação?
Caso esteja correto, como me parece que está, será que finalmente vamos entrar em um novo ciclo de crescimento, novamente sem inflação? (não teve inflação no milagre)
Como fica a questão do investment grade?
E o PIB potencial?
Quer dizer então que a carga tributária é menor do que a gente pensava e mesmo assim trava o país? Enfim. Dúvidas, dúvidas e dúvidas.
E o meu conhecimento em economia não me permite ir além delas.To tentando ler mais a respeito. Abração
tréplica
Bem, se a carga tributária é mais baixa em relação ao PIB e ele está crescendo neste ritmo, ela não trava tanto o país assim...ao menos como se pensava...Tenho as mesmas dúvidas. Estou esperando alguém vir com uma c´ritica demolidora para começar a entender o que ocorre. Deixa eu te adicionar outras duas dúvidas:
1) Quais são os padrões internacionais de cálculo do PIB? Nos aproximamos deles, nos afastamos, ou é o samba do FMI doido, cada país tem seu critério?
2) O que os gringos vão pensar quando todos os números da economia brasileira forem diferentes amanhã..."Uau", "uai" ou "how" ?
A emenda 3 e o jornalismo de resultado
O que está em jogo é a tentativa dos defensores da medida, o que inclui as grandes empresas de mídia, de impedirem a fiscalização (pouca) da justiça do trabalho contra a "pejotização" de empregados, que acontece inclusive nas empresas de comunicação, por exemplo, com grande parte dos repórteres e apresentadores da Globo (o boato em Brasília é que a própria empresa fez lobby pela emenda). Atuação em causa própria. E pouco se importando com as implicações disso, por exemplo, no combate ao trabalho escravo. Se os fiscais forem proibidos de atuar, acabam as missões para libertação de escravos em fazendas. É isso aí, a aparente defesa das relações (pós) modernas de trabalho defendem a escravidão. É a cara do projeto conservador brasileiro. É a cara do PFL e do PSDB fazer de algo assim uma prioridade.
Lula fez bem em vetar a emenda, mas nitidamente o governo não está jogando pesado em impedir a tentativa da oposição de derrubá-la, porque se tivesse já tinha acabado com esta história.
Para entender melhor o caso, leiam o Blog de Leonardo Sakamoto: http://blogdosakamoto.blig.ig.com.br/
E este artigo interessante sobre o caso, que saiu na Folha de S. Paulo de hoje, de Elio Gaspari:
O fantasma jurídico da pessoa física
Na mesma Folha de hoje, um exemplo da importância do trabalho dos fiscais. Blitz nos canaviais do interior de São Paulo, contra condições abusivas de trabalho de boiás-frias, nas "glamourizadas" plantações de cana-de-açucar. E com este tipo de coisa que a emenda 3 quer "acabar".
segunda-feira, março 19, 2007
O caminho da sucessão na Abril
Davi x Golias no Bexiga - de Gulherme Wisnik
GUILHERME WISNIK
Um dos maiores patrimônios da cultura brasileira viva, teatro Oficina continua a disputa com Silvio Santos
MAIS UM capítulo na disputa entre o Grupo Silvio Santos e o teatro Oficina: depois de induzir o destombamento e a demolição de sobrados de interesse histórico nos terrenos que adquiriu para a construção de um shopping, o Grupo SS continuou a "limpeza" da área demolindo a sinagoga Ohel Yaacov, uma das primeiras de São Paulo. Com os entulhos, tapou duas janelas do teatro, envolvendo-o em escombros. Zé Celso, por sua vez, encontrando uma estrela de Davi metálica em meio aos destroços, passou a usá-la em cena como um amuleto contra a ofensiva do Golias-Silvio Santos. Seu poder é revelar os teatros latentes por trás de cada personagem, incluindo o seu próprio, e reteatralizá-los.
Encaixadas sob os arcos de tijolo do paredão dos fundos do Oficina, as janelas foram abertas durante a montagem de "Os Sertões", indicando a intenção de expansão do espaço cênico atual (um palco-pista, como um sambódromo) para a desejada "apoteose" do teatro de estádio no terreno de trás, hoje um estacionamento.
Nascido de uma colaboração inédita entre os arquitetos e a companhia teatral, o teatro Oficina é um dos maiores patrimônios da cultura brasileira viva e um exemplo de radicalidade única no mundo. Radicalidade que não nasceu nem se alimentou de caprichos ou meros interesses expansionistas, mas, ao contrário, de uma necessidade artística: um auto-sacrifício ritual, masoquista como a própria estética tropicalista. Essa é a história inscrita no seu espaço, e determinante na decisão aparentemente insana de se demolir o antigo teatro para a construção do atual, acarretando mais de uma década de impasses em que o Oficina permaneceu em ruína.
O projeto anterior, feito por Flávio Império, "aproveitava" a estreiteza e declividade do lote construindo uma única arquibancada em frente a um "palco italiano". Ocorre que, com o tempo, o experimentalismo vanguardista da dramaturgia ultrapassou a sua estrutura física, ainda presa ao ilusionismo estático da caixa cênica. Era o coro que tomava posse do espaço, em uma concepção de encenação que tendia para o ritual, abandonando o paradigma do teatro como um lazer burguês, e radicalizando sua condição de festividade de massa, em aproximação com o Carnaval. Inspirado na tragédia grega e no teatro nô japonês, o projeto de Lina Bo Bardi e Edson Elito assumiu o terreno existente como uma pista em rampa, um "teatro de passagem", ligando a rua a um parque festivo.
Com o poder da grana e das "leis do mercado", Silvio Santos vem comendo por fora e cercando o teatro, ameaçando encapsulá-lo. Cabeça dura, e ainda mais ambicioso que o seu adversário, Zé Celso responde na mesma moeda: não faz concessões e pleiteia a cessão do terreno do "inimigo" para a construção do parque-estádio que completará o projeto original do Oficina. Sua ousadia desafia um dos maiores tabus da nossa sociedade: o direito de propriedade. Pois ele bem sabe que se o Brasil for capaz de eleger e cultivar os patrimônios que o mantêm vivo, Davi poderá vencer Golias.
domingo, março 18, 2007
VQP - PAZ, AMOR E ANÚNCIO
VQP - DUAS BOAS MATÉRIAS
- A matéria de Marcelo Bortoloti sobre o drama da modelo Bia Furtado, queimada em um ônibus incendiado por traficantes no Rio de Janeiro, é emocionante.
VQP - KANITZ JURA QUE NÃO JUROS
VQP - O DESMATAMENTO NÃO GOSTA DE ÍNDIO
“Pergunto, muitíssimo indignado: até quando órgãos públicos como a Funai e o Ibama serão gerenciados por pessoas incompetentes? Num país onde não há governo central, os dirigentes de órgãos e autarquias deitam e rolam, praticando as mais absurdas estripulias. Desconsideram as leis e o mais elementar bom senso, como ocorre com o Ministério do Meio Ambiente na demarcação de áreas de preservação sobre fazendas produtivas. Até quando?
Fernando Nunes da Cruz
Colíder, MT
Funai, ONGs, Cimi. Poderíamos chamá-los de terroristas do meio rural brasileiro. A pretexto de proteger nossos índios e minorias, espalham mentiras, pobreza, fome e, principalmente, preservam um imenso pedaço do território brasileiro como reservas indígenas para que países do Primeiro Mundo nos tomem quando bem entender. Parabéns ao repórter José Edward pela clareza e imparcialidade.
Luciano Barbosa
Vila Bela da Santíssima Trindade, MT”
VQP - PAPAS, PRAGAS E CHAGAS
VQP - A PREVIDÊNCIA DA SUECÍNDIA
VQP - O GRANDE IRMÃO ATACA SEU BROTHER
Marcelo Marthe assina o ataque de Veja a proposta de uma rede de TV federal, que ainda não sabemos se será estatal e pública. A mídia grande brasileira é engraçada: ela crê que a diversidade de fontes de informação faz mal para a liberdade de imprensa...Bom mesmo é o monopólio de meia dúzia de famílias...Marthe recria entre aspas os “princípios da democracia”, do próprio punho: “O governo faz, a imprensa avalia e o público julga.” Como assim, só a imprensa avalia? E quem avalia a imprensa? Vale aqui citar o final da coluna de hoje do Ombudsman da Folha de S. Paulo, Marcelo Beraba:
“Chega de estatísticas. O ponto é que, na minha opinião, as empresas jornalísticas erram ao represar uma discussão que cresce a cada dia e será incontrolável. Ao não atentarem para a importância do debate que as envolvem perdem confiança e credibilidade. O melhor a fazer é enfrentar a discussão e os questionamentos com profissionalismo e honestidade, informando, expondo claramente as suas posições sobre cada um dos temas e abrindo igual espaço para as dezenas de outras posições que convivem na sociedade e estão insatisfeitas com o modelo atual. Enquanto a discussão não for ampla, ficará sempre polarizada entre empresas e governos, e sempre tenderá à irracionalidade. A garantia do espaço para a discussão é uma das responsabilidades do jornalismo.”
O link para a coluna completa está aqui: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ombudsma/om1803200701.htm
E a definição de que o debate entre imprensa e governo sobre a comunicação é “irracional” é perfeita. As mídia brasileira, é formada de empresas familiares rançosas e ultrapassadas, cada diz mais para trás do resto da sociedade brasileira em termos de diversidade de opiniões, e cada vez mais fechadas entre si e dentro delas, na defesa de uma opinião monocórdia, principalmente em torno dos seus interesses financeiros.VQP - MAINARDI X MARTINS NO RINGUE DA GLOBO
VQP - Pauta boa de pau!
Veja 2000!
“Ao lançarmos um olhar sobre o tempo que nos separa da criação de VEJA, sobressai a constância, semana após semana, na obediência a certos princípios que definem o que se chama de "linha da revista". Um deles é a busca incessante – muitas vezes até temerária – pela informação exclusiva, confiável e independente. Outro é a preocupação em fornecer ao leitor análise clara e honesta sobre os fatos relatados, contextualizando-os no tempo e no espaço.
O Brasil é o único país do mundo em que uma revista semanal de informação é a revista de maior circulação. VEJA alcançou esse posto graças à aprovação de seu jornalismo por milhões de leitores e milhares de anunciantes, com os quais forma uma comunidade unida na defesa da democracia representativa, das liberdades individuais e da livre iniciativa.”
“Análise clara e honesta sobre os fatos relatados”. Beleza então.
No especial sobre suas 2000 capas, diz o seguinte:
“Uma grande revista precisa ter coração, consciência e pontos de vista francos. Precisa ter isso tudo em cada uma de suas edições durante décadas. A consistência é qualidade nobre.”
Tá certo, então...
VQP - Assim se reescreve a história
No especial, Veja tenta distorcer uma das maiores polêmicas da sua história. A cobertura da morte de Elis Regina. Para isso a ofende de novo com um quadro intitulado “a cantora do contra – como Veja”. Não. Elis não era simplesmente “do contra”, ainda que se definisse assim, de forma modesta... Muito menos como a Veja.
- Em outro quadro, Veja lembra a capa e a pergunta de dar uma “banana” para o mercado americano foi coragem ou estupidez. “A realidade deu a resposta: estupidez.” Engraçado é que é difícil achar meia-dúzia de analistas internacionais que subscrevam isso. Até W. Bush falou que os países não podem dar de graça que os EUA vão querer abrir mercados para eles. Veja diz que as questões comerciais se tornaram muito sérias e complexas para ficarem nas mãos do Itamaraty (que como todo mundo sabe, é formado por gente muito burrinha...) e que houve predomínio do ideológico sobre o racional na política externa. Acho que é o contrário. Veja que sofre da síndrome de “Marquinhos” (ver Sobrinhos do Athayde...)
Veja ainda ressalta entre as capas às edições 1905, que detonou a crise do mensalão, e a 1912, que derrubou em uma tarde José Genoino da presidência do PT. Foram, de fato, as suas duas melhores edições na crise. A matéria de capa da 1912, particularmente, é perfeita e irreprensível. Por isso derrubou Genoino. Ou seja, até eles sabem a diferença de quando acertam e de quando forçam a barra, como na 1956, quando foram cúmplices de Dantas em uma tentativa de armação de contas no exterior de Lula e alguns ministros, um episódio de quinta...
quinta-feira, março 15, 2007
Carta dos Guaranis contra a revista Veja
Nota dos Guarani
Terra Indígena Guarani de Morro dos Cavalos
13 de Março de 2007, Palhoça, Santa Catarina.
A: Revista VEJA, Editora Abril
Viemos por meio deste informar aos editores e responsáveis da Revista VEJA que toda a comunidade Guarani de Morro dos Cavalos está indignada e transtornada com a reportagem intitulada “Made in Paraguai”, publicada na Edição 1999, de 14 de março de 2007, páginas 56, 57 e 58, de autoria do jornalista José Edward Lima, em que é tratado o processo de Demarcação da Terra Indígena Morro dos Cavalos, Palhoça, Santa Catarina.
Estamos nos sentindo gravemente insultados e desrespeitados pelas calúnias e distorções escritas na matéria que contém racismo e imoralidade, difamando a autenticidade da História Indígena Guarani no Brasil. Nos sentimos também agredidos pela manipulação das informações cedidas em entrevista.
Além de destorcer nosso depoimento e o depoimento de nossos parentes, usaram de inverdades para justificar a reportagem. O reporter não teve o cuidado de conhecer um pouco mais a nossa história, o nosso território e a nossa luta pela terra. Bastaria ler o relatório circunstanciado de identificação e delimitação, que muita coisa iria ficar esclarecida, ele preferiu confiar em fontes pouco confiáveis, essa mesma fonte que há muito tempo vem ameaçando nossa comunidade. O repórter afirma que a TCU declarou inconsistente a “tese” da antropóloga: bastaria o repórter ter lido o Acórdão do TCU pra saber que o referido tribunal informa que não teve acesso a “tese”.
Por isso, exigimos o direito de resposta, nos termos do Art. 29 da Lei 5.250, de 9.2.1967, na mesma quantidade de espaço da citada reportagem, para podermos esclarecer à população brasileira a verdade sobre a História Indígena de Morro dos Cavalos.
Caso o pedido não seja atendido, seremos obrigados a recorrer a via judicial para defender nossa honra e esclarecer as verdades dos fatos.
Atenciosamente,
Artur Benite
Cacique
Matéria brilhante sobre etanol
O futuro energético, a aposta de longo prazo reside muito mais nas células de hidrogênio. Ou seja, o etanol será um ciclo, ainda que longo e lucrativo. A "mundialização" do etanol irá mudar as mãos da propriedade no interior de São Paulo, com risco de descapitalização em um segundo momento, já que os lucros gerados sairão de lá para os investidores distantes. Se não tomarmos cuidado, de donos da tecnologia e gestores viraremos as "maquiladoras" do etanol.
A outra questão é que hoje, a existência da taxa norte-americana é indiferente, porque há mercado para tudo que o Brasil exporta de etanol e qualquer coisa que o Brasil venha a produzir. Se eles não baixarem, vende-se para o Japão, União Européia etc...Caso ela caia, haverá o risco dos norte-americanos "engolirem" toda a produção interna, causando desabastecimento.
Não é necessariamente ruim o etanol promover desenvolvimento no Haiti e na América Central. Mas como o texto de Pepe aponta bem. é o velho modelo de quintal e plantation das relações EUA-AL.
Quanto ao "Brasil apostar em uma monocultura" é a questão daquela mentalidade: o país descobre algo e acha que isso vai ser uma espécie de solução mágica, seja petróleo, soja ou agora etanol. Quando não há solução mágica e tem que se investir acima de tudo em gente, e no mais diversos campos econômicos possíveis.
Se a vantagem comparativa dos custos de produção do país são tamanhas, seria sensacional aproveitar e crescer mesmo as exportações de etanol, cuidando para não sobrevalorizar o câmbio, não atrapalhar a produção de ambientes, e reparando com os recuros os custos sociais e ambientais de sua produção. Compartilhando com a sociedade os ganhos desta indústria, com impostos justos e principalmente com os cortadores de cana, com salários dignos. Infelizmente nosso histórico e presente como sociedade não é esse.
Uma curiosade tola passa pela minha cabeça: o que Cuba, historicamente produtora de cana-de-açucar, hoje um setor em crise na ilha, e historicamente dependente de combustível externo, acha desta história toda?
Justiça seja feita - 2
Para assinantes do UOL e da Folha, no link abaixo:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1503200701.htm
quarta-feira, março 14, 2007
Justiça seja feita...
Os inocentes
Porque a imprensa atrapalha o PSDB - parte 1
Bem, para pegar um exemplo de como a mídia cobre os governos tucanos, que eu só vi hoje, vou indicar não só por este motivo, o blog do gabinete da Soninha (tá certo, ela é do PT, mas é séria e crítica). Desce um pouco no blog até um post do dia 8 deste mês, onde ela analisa um editorial da Folha de S. Paulo sobre a educação no governo Alckmin. Vai lá: http://gabinetesoninha.zip.net/
terça-feira, março 13, 2007
Artigo interessante sobre política externa
segunda-feira, março 12, 2007
Gil no New York Times
domingo, março 11, 2007
Faces, de John Cassavetes
VQP - Agora e na hora de nossa morte
Seguem abaixo os trechos mais grosseiros do registro de duas mortes pela Veja. Grifei o pior no pior
Morreram: dom Ivo Lorscheiter, bispo de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Durante o regime militar, à frente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ele denunciou as torturas e os assassinatos de esquerdistas nos porões dos quartéis. Lorscheiter foi um dos principais defensores da Teologia da Libertação, uma excrescência saída da cabeça de padres ideólogos latino-americanos que tentava conciliar cristianismo e marxismo. (...)O bispo também apoiou a criação de bandos armados que, a pretexto de lutar pela reforma agrária, deram origem ao MST. Dia 5, aos 79 anos, de falência de múltiplos órgãos, em Santa Maria.
• o ensaísta francês Jean Baudrillard. Sociólogo de formação, ele ganhou fama escrevendo textos obscuros, muito populares nos cursos de semiologia. Baudrillard fazia arrepiar de entusiasmo o pessoal da pós-graduação, com seu papo-cabeça sobre a "virtualidade" do mundo contemporâneo. Dizia, por exemplo, que a Guerra do Golfo "não existiu". A trilogia cinematográfica Matrix faz menção a suas idéias. Talvez ele tenha sido mesmo um bom autor de ficção científica. Dia 6, aos 77 anos, de câncer, em Paris.
Sobre Lorscheiter, impressiona o detalhe de que ele foi contra a tortura e assassinato “de esuqerdistas”. E não contra a tortura e assassinato, ponto. Também a de que ele apoiou “bandos armados”, o que é uma passagem leviana e incompreensível. Olha, não tenho entusiasmo nenhum por Baudrillard, de quem li pouca coisa, e gostei menos ainda do que li. Mas o desprezo, a arrogância e estupidez das inovações “gráficas” da Veja, adepta de uma “estética da grosseria” que rola no jornalismo atual (com muitos outros adeptos por aí, e que tem sua matriz no neoconservaodirsmo by Rupert Murdoch nos EUA) que eu tenho muito dificuldade de apreciar. Se foi tão irrelevante, porque noticiar, e mais ainda, porque noticiar e tripudiar na hora de sua morte...
VQP - Os juros próprios
A matéria até que certinha da capa da Veja sobre financiamento para a casa própria, que até ouve Raquel Rolnik, do ministério das Cidades, não reconhece que foi uma alteração de regras impulsionada por este ministério que fez aflui recursos para o crédito imobiliário. Ao menos reconhece que a facilidade de acesso ocorre em parte pela queda dos juros. Financiamento da casa própria e investimentos em infra-estrutura são só duas das áreas que mostram como é doloroso e segura um país a existência de juros aberrantes a financiar um capital financeiro “funcionário público” que pendura seu paletó nas altas taxas da Selic. Veja ainda entrevista Hernando de Soto. A proposta de títulos de propriedade defendida por Hernando de Soto (e pelo Banco Mundial) mistura alguns elementos de reforma urbana de esquerda, ao regularizar e dar títulos de posse em áreas irregulares como favelas, com princípios legalistas e “ingênuos” de direita, e por isso mesmo, pode tanto melhorar a vida, se for feita com outros investimentos, como piorar ainda mais as condições dos mais pobres, ao elevar os custos de vida e tornar a própria a favela inacessível (o que de certa forma já ocorre hoje para alguns grupos). Uma crítica demolidora da proposta de Soto se encontra no livro de Mike Davis, Planeta Favela, publicado pela Boitempo Editorial (onde eu trabalho...). Mas é inegável que ela tem aspectos interessantes.
VQP - "Viagens" da política externas
A imprensa brasileira parece não se cansar de estar errada em suas análises de política externa. Lembram-se de como diziam que o “comando duplo” entre Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia ia dar errado? Como tentavam jogar um contra o outro? Bem, não deu errado e nunca bem houve um comando duplo (as funções eram diferentes), mas e daí? Agora, existe o “anti-americanismo” do Itamaraty, que convive, em estranha relação inversa de causa e efeito, com um bom momento da relação entre os dois países (não que esta tenha sido muito útil para alguma coisa, para nós ou para a Colômbia...). Duda Teixeira, na matéria da visita da Bush ao Brasil escreve o seguinte:
“O outro propósito é dissipar os deslizes da diplomacia brasileira, que nos últimos quatro anos insistiu numa política ideológica de privilegiar a aproximação e o comércio com países pobres. "As circunstâncias externas atuais criaram um momento único em que o Brasil é de longe o país da região com a melhor relação com os Estados Unidos. Só precisamos aproveitar isso da melhor maneira possível", diz Roberto Abdenur, ex-embaixador do Brasil em Washington. “
Tá, tá: esta circunstância advém em parte do Brasil ter mantido diálogo aberto com os “radicais”, como Venezuela e Bolívia, diferente da Colômbia, e diferente do que propõem desde sempre os conservadores. Entre eles, Celso Lafer, ex-chanceler, que dá a seguinte declaração:
"As três bandeiras da diplomacia brasileira no primeiro mandato de Lula fracassaram", diz o ex-chanceler Celso Lafer. "Não conseguimos um lugar no Conselho de Segurança da ONU, a Rodada Doha não evoluiu e não avançamos na integração da América do Sul."
É o tipo de declaração que nos faz perguntar quais eram as bandeiras e o que conseguimos quando Celso Lafer era o chanceler dos pés descalços...Aliás como se estes objetivos fossem fáceis, rápidos e/ou dependessem apenas do Brasil. Parece que foi por causa do Itamaraty que não saiu rodada de Doha (piada 1), que um monte de países conseguiram intento simples de entrar no conselho de segurança (piada 2) e que antes, quando não havia plano de infra-estrutura e o Mercosul ainda estava pior do que hoje, a integração sul-americana andava melhor.
VQP - Juros, o gasto invisível
Na matéria “Eles vibram, nós pagamos” sobre a extensão da CPMF, Veja lista os seguintes gastos principais que o imposto ajuda a financiar: “O chamado ‘imposto do cheque’, ajuda a pagar o Bolsa Família, as pensões do INSS e até a folha de pagamento do governo.” Veja citou dois dos maiores gastos do governo, incluiu o Bolsa Família, que não é um dos maiores gastos do governo brasileiro mas que a irrita, e na mesma história de sempre, apagou o terceiro dos grandes gastos que fazem o estado brasileiro ser enorme e todo o status quo político depender da CPMF: a conta dos juros. Mas sabe como é, juros altos é para os ricos, Bolsa Família para os pobres...
VQP - Fortuna sólida como concreto
VQP - Perguntas que quase ofendem...
A entrevista das páginas amarelas é com Jim O´Neil, economista da Goldman Sachs que criou o termo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) para determinar os futuros gigantes da economia mundial. A entrevista é interessante, O´Neil inclusive fala sem hipocrisia de como é bom para o capitalismo global a China ser uma ditadura. Duas perguntas de Ronaldo França são engraçadas por trazer ficções estabelecidas pela revista como pressupostos. A primeira é essa, se referindo ao PAC (que aliás, levanta mesmo um monte de questões).
“Veja – O governo brasileiro lançou um pacote de medidas que inclui idéias como o investimento governamental intensivo para alavancar o crescimento. Isso funciona?”
Não é bem isso. A maior parte dos investimentos do PAC são voltados para geração de energia, área que demanda grandes investimentos públicos. Senão não sai, independente de toda o papo de marco regulatório...Se não houver investimentos em geração e correção de gargalos na infra-estrutura de transportes o crescimento esbarrará em mais apagões...O PAC é tímido demais para receber este tipo de classificação da Veja. O que só mostra o obscurantismo radical da revista em certas posições. Como essa:
“Veja – Esquecer o mercado americano e apostar em comércio com os países pobres, opção de nossa diplomacia, atrapalha o crescimento?”
Como mostraram o caso da tarifa do etanol e a reunião da Fiesp com representantes do governo norte-americano semana passada (sem falar na OMC...), o buraco é muito mais embaixo. A colocação da Veja dá a impressão que tem algo sendo oferecido que estamos recusando. E não é assim. Onde somos muito mais competitivos que eles, há barreiras que eles não vão derrubar. E o governo não age contra entrar e lutar para crescer nos setores em que já vendemos. A posição da Veja, em relação aos Tratados de Livre Comércio (TLC) é nada mais que exaltar um conto do vigário onde o Brasil entregaria prioridade aos Estados Unidos, regras rígidas de propriedade intelectual e proteção aos investimento deles em troca de nada. Nada mesmo. Faz muito mais sentido o governo agir para estimular a abertura de novos mercados onde isto é difícil e necessita de apoio, do que abrir o mercado americano, país que fala em língua que o mercado domina, para onde há vôos regulares, mercado disputado por todos etc...Esta história de “temos que conquistar mais espaço nos Estados Unidos”, carece, fundamentalmente, de propostas e questões práticas.
VQP - Estado com caixa baixa
A carta ao leitor desta semana é toda dedicada a decisão da Veja de contrariar a gramática e passar a grafar Estado com letra minúscula. É engraçada. É o tipo de idéia que tem frutificado após a contratação de Reinaldo Azevedo, que já publicou na revista textos não assinados, e vez por outra, como esta semana, tem frases do seu blog na seção “Veja essa”.
quarta-feira, julho 13, 2005
REPORTAGEM SENSACIONAL
Angolanos que fugiram da guerra enfrentam fogo cruzado