terça-feira, maio 15, 2007

Os porques de Fidel ser contra o etanol

Fidel escreveu mais um artigo contra o etanol, agora especificamente contra o feito a partir de cana-de-açucar, no Brasil. A sua inspiração foi um documentário da ativista brasileira Maria Luisa Mendonça. Ele não precisa mentir para apontar problemas no combustível, como a superexploração dos trabalhadores, e os danos a terra e a água. São fatos. Mas esta militância contra o etanol assumida por Fidel, que surpreende (grande parte da esquerda sempre defendeu biocombustíveis, e o petróleo tem problemas maiores que ele...) se explica, na minha opinião, e acho impressionante não ter visto comentários sobre isso, por dois motivos que combinam política energética e geopolítica (aliás, ambas são casadas com comunhão de bens). O primeiro é óbvio, sua aliança com a Venezuela exportadora de petróleo e dona de uma diplomacia baseada em hidrocarbonetos e seus rendimentos. O segundo é que Cuba sempre teve tradição de produção de cana-de-açucar, e em despacho da Associated Press, empresários americanos divagam abertamente sobre uma "Free Cuba" como fornecedora potencial de etanol para o país.
O problema de Fidel com o etanol pode ser resumido da seguinte forma: se o Brasil seria a "Arábia Saudita" do biocombustível, Cuba tem tudo para se transformar no "Iraque" do etanol. A potencialidade econômica do combustível pode estimular a beligerância norte-americana.
Esta é a razão não dita para as preocupações de Fidel com o assunto. Seu último artigo pode ser lido no link abaixo:

http://www.granma.cu/espanol/2007/mayo/mar15/lo-que-aprendimos-del-vI-encuentro-hemisferico-la-habana.html

segunda-feira, maio 14, 2007

VQP - Dois países, duas eleições, duas medidas

Para falar da "matéria" da Veja sobre a eleição de Nicolas Sarkozy na França, o mais divertido é comparar a cobertura do pleito francês, vencido pelo candidato que tinha a simpatia da revista, com o brasileiro. Logo após o segundo turno, Veja publicou uma capa em que perguntava como o vencedor, Alckmin ou Lula, uniria um país "dividido". Dá-lhe mapa dos estados "ricos" e que menos "dependem do Estado" onde Alckmin venceu no primeiro turno e dos "pobres" onde Lula ganhou. A baixa qualidade da análise fica patente pela velocidade em que ela se desfez. Alckmin perdeu votos do primeiro para o segundo turno. Em São Paulo, ainda ficou na frente, mas a diferença caiu 15 pontos percentuais, de 20 no 1° turno "dividido", para 5 na hora da verdade do 2° turno. No país como um todo, a vitória de Lula foi avassaladoraO que isso mostrou? Que não havia país dividido, e que a votação de 1° turno teve um sentido de "susto", "sermão" em Lula, mas que as pessoas não queriam Alckmin e o que ele representava no poder. Veja jamais analisou isso.
Voltemos agora para a França. A chamada de capa é a seguinte "França: aposta em um futuro de direita". Parece mentira, mas Veja não publica que a diferença entre Sarkozy e Ségolène Royal foi de apenas seis pontos. Que a massiva participação no processo eleitoral indica uma sociedade polarizada e indecisa em torno da necessidade de desmonte do estado de bem-estar social, e na relação com os descendentes de imigrantes... A matéria faz um oba-oba em torno da personalidade de Sarkozy (assim como Veja sempre foi simpática a Berlusconi, Aznar e Menem, argh!), monta um paralelo descabido entre ele e Tony Blair, que está se aposentando e manchou um governo com desempenho interno incrível por ter montado na garupa de Bush, e só termina indicando que "vem turbulência por aí". É a maneira de desqualificar previamente os protestos que certamente acontecerão quando Sarkozy colocar suas propostas na rua. Matéria de muito mais senso, reportagem, clima e rua, também de correspondente em Paris é a da Carta Capital(aliás, é impressionante, como ter um correspondente em Paris, parece não fazer diferença nenhuma no texto da matéria...).

VQP - Veja mente sobre USP e autonomia

Cachorros são cachorros...A revista Veja mente ao falar sobre ensino superior na edição que está nas bancas. O sentido da mentiras é claro.
No textículo de uma página intitulado "No caminho certo", pateticamente assinado por Camila Pereira, mas "pensato" (sic) por Reinaldo Azevedo, sobre a invasão da reitoria da USP, a revista Veja mente ao dizer que o problema é apenas que "as universidades se recusam a entrar no Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios (Siafi)". Não é este o problema. O problema é que com a criação da Secretaria de Ensino Superior, com a reformulação do Conselho de Reitores das Universidades do Estado de São Paulo (Cruesp), e novos decretos, Serra passou por cima da lei e acabou com a gerência interna de recursos na universidade, a autonomia financeira. Na prática, interveio na universidade.

O último parágrafo do artigo é uma elegia ridícula: "O governador Serra cumpre seu papel de administrador ao enfrentar esses problemas e resistir às pressões corporativas. Age com a autoridade de quem foi presidente da União Nacional dos Estudantes e teve longa carreira como professor em instituições como a própria Unicamp e Princeton, nos EUA. Não é ele quem quer destruir a autonomia da USP."

Não é que ele queira. Ele já destruiu. Basta ler esta matéria da Folha de S. Paulo, que pode ser acusada de tudo, menos de ser um jornal anti-serrista: Universidade só pode mudar gastos com decreto de Serra (para assinantes).

Isso é o fim da autonomia financeira da USP. E mostra como a Veja sabe fazer, sei lá se de forma espontânea ou estimulada, matérias e versões de encomenda para Serra, mesmo que elas sejam mentiras absurdas.
PS: Observe que a questão do mérito ou não de como eles cobriram a invasão em si, da opinião deles sobre ela, nem foi tratado. Impressiona mais a mentira e manipulação descarada do ataque de José Serra a autonomia universitária...

No quesito público, o papa perdeu

O jornal argentino La Nación foi espertíssimo em sacar que, em termos comparativos de público, o papa perdeu para vários dos seus inimigos. Enquanto ele teve entre 600 e 800 mil fiéis, os evangélicos, chamados de "seitas" por Ratzinger, reúnem todo ano 1 milhão de pessoas em sua marcha. Já a parada dos Gay, que não deveriam existir segundo o santo padre, reuniu 3 milhões de pessoas. E o show gratuito dos Rolling Stones em Copacabana, ou seja, a cultura pop, o hedonismo, e a própria "Sympathy for the Devil" (Compaixão pelo capeta) reuniram 1,5 milhões de "seguidores". Tá certo que cada coisa é uma coisa, e deve ter tido maluco que foi quem sabe nos quatro eventos, mas o Bento e seu revival da Idade Média, fora da Idade da Mídia até que não anda tão pop assim.

Romantismo fora de hora

Talvez seja influência do post abaixo, talvez seja só não querer apenas falar de política, mas me deu uma vontade de fazer uma lista das cinco músicas românticas gringas, daqueles que derretem o coração dos vigias nas madrugadas frias, quando pedidas, com dedicatória, nas rádio AMs da vida. Como eu sintonizo no cérebro algumas freqüências destas, seguem as cinco "importadas", que maltratam o velho coração. Se houver pedidos, me sensibilizo para as nacionais (PS: Esta categoria, por definição, roça coxa no brega, então não enche o saco, não são só todas as cartas de amor que são ridículas...):

1- Avalon - Roxy Music (eu ainda tenho que escrever um texto sobre esta música inacreditável de boa)
2 - You´re the best thing - Style Council (note a tendência por uma bossa nova inglesa...)
3 - Fade into you - Mazzy Star (pegadinha blues, "desaparecer dentro de você" é lindo, etéreo e sexual ao mesmo tempo)
4 - Nothing Compares 2U - Sinead O´Connor ("Faz sete horas e quinze dias, desde que você levou seu amor embora..." A letra genial é do Prince, mas Sinead transforma a música em algo muito, mas muito triste)
5- There´s a light that never goes out - The Smiths (foi uma disputa dura com "Don´t let me be misunderstood", na versão blues-oriental de Elvis Costello, mas Morissey praticamente se suicida nesta música. Não é para qualquer emo não...rs....)

Notei que a lista começa mais alegre e vai descendo a ladeira...Dia desses faço uma de nacionais...

Proibido Proibir

O filme Proibido proibir é um pequeno filmaço. Tem uma história ótima, atuações excelentes, um olhar generoso e carinhoso. É simples, mas belo, muito bem enquadrado, muito bem contado e situado em espaços reais, nas universidades públicas, subúrbios, praias, belezas e tragédias de um Rio de Janeiro que parece com seus vários lados e jeitos convivendo dentro dos planos. Uma boa história tratada com a dedicação verdadeira vira mais que isso, se desdobra. Não é um filme pretencioso, mas vai mais longe que muita proposta esnobe ou maneirista de cinema por aí. É que se comunica fácil. Pena, que na noite de domingo de dias das mães, o único cinema que o exibia estava quase vazio. Falta Globofilmes? Falta interesse do público de cinema? O cinema nacional está em uma fase de produção e propostas múltiplas muito ricas. Só falta público...

sábado, maio 12, 2007

Fotos de Sebastião Salgado

Na região russa de Kamchatka, publicadas pelo jornal inglês The Guardian. Parte do novo projeto do fotógrafo, intitulado Genesis:

http://arts.guardian.co.uk/salgado/image/0,,2077763,00.html

quarta-feira, maio 09, 2007

Todo apoio ao amor de Bento XVI

O papa chega ao Brasil. E eu recebo este e-mail. Não o escrevi, mas assino embaixo. Todo apoio a felicidade amorosa e carnal do Sr. Ratzinger:

"Queridas pessoas
Do fundo do coração desejamos toda felicidade a todo tipo de casal que queira viver em liberdade e afeição genuína.Por isso, reivindicamos o direito de união aos urubuzinhos Joseph e Georg.No portal da Folha, hoje, tem um bocado de informações sobre Don Georg, secretário do Bento, monsenhor opus-dei-fashion que inspirou a última coleção masculina Versacce e é uma espécie de muso dos gays italianos. Mais informações interessantes nos sites de busca.Além de escolher óculos, relógios e demais adereços do Joseph, monsenhor Georg está sempre por perto, ajudando a trocar de óculos e solidéus, arrumando a capinha etc. Em todas as aparições do B16, monsenhor está ao lado ou um passinho atrás. É fácil vê-lo: é um loiro alto, lindo, de olhos verdes, corpão de tenista. É bonito, mas ordinário. Começou dando aulas na faculdade da opus dei e agora é da santa inquisição, digo, da doutrina da fé...O Estadão diz que o papa tem hábito de fazer as refeições sozinho, coisa que as fotos da Folha desmentem, mostrando o verdadeiro lugar de Don Georg. Eu estou neste propósito: o B16 fala o que quer do aborto, da camisinha e da homossexualidade, e eu falo o que quero da vida pessoal dele!"

A matéria na Folha Online e as fotos da dupla:
http://noticias.uol.com.br/ultnot/especial/papanobrasil/ultnot/2007/05/09/ult4563u94.jhtm

terça-feira, maio 08, 2007

Polêmica Racionais X PM porque o You Tube é melhor que a Globo

Entre neste link e assita aos vídeos. O tempo do monopólio da voz única acabou:

http://www.youtube.com/results?search_query=virada+racionais&search=Search



Até neste vídeo da Globonews fica nítido o exagero dos policiais, o despreparo, e que primeiro eles saíram, deixando as pessoas subirem na banca e depois voltaram barbarizando. Tiros de borracha e bombas de efeito "moral". Enquanto isso, Mano Brown tenta acalmar o público. O fim da matéria destaca apenas o "vandalismo". Mas a falta de preparo, planejamento, e responsabilidade da polícia atirando balas de borracha e provocando correria em uma multidão (alguém poderia ter sido pisoteado) disso ninguém fala. E como isso provoca a revolta. Mais uma vez, vale lembrar a frase de um policial nas manifestações de Genova, sacadas pelo filósofo italiano Giorgio Agamben. "O papel da polícia não é manter a ordem. É gerir a desordem."

http://www.youtube.com/watch?v=8vdJEeW2UEk&mode=related&search=

Texto legal de esportes

Esta coluna sobre a Copa dos Campeões do site Trivela, que aliás, é excelente e por isso o link aí do lado, está tão bem escrita que resolvi postar o link, por mera comparação humilhante com o que costuma a sair, sem criatividade na pauta e abordagem, com textos burocráticos, nos cadernos de esporte, que parecem especializados em transformar jogos e personagens épicos em linguagem contábil. Os narizes de seres dos dois primeiros textos, me particular, achei muito legais.

http://www.trivela.com.br/default.asp?pag=ExibirMateria&codMateria=2484&coluna=16

domingo, maio 06, 2007

Virada Cultural - "re-clamar" as ruas...

A 3ª Virada Cultural acabou, e deve ser ofuscada na "medida mediática das coisas" pela prevísivel (óbvia, para quem lá estava pela 12:00) batalha campal que aconteceu entre o público dos Racionais MC´s e a Polícia Militar. Como não é o que acho mais importante, deixo para o fim do post.
A Virada mostrou que existe em São Paulo um déficit, um potencial, uma fome imensa de arte, de rua, do centro da cidade, de encontro, de expressão, de liberdade. Tamanho déficit que as vezes explodiu, e arrebentou em um excesso de bebida ou na violência do incidente da Sé. Mas os contratempos não devem parar a vida, ou serem maiores que ela...
A secretaria de cultura também pode ser criticada por não fazer muito no resto do ano, ou por não dar recursos decentes para o bom funcionamento ou mesmo o funcionamento de certos equipamentos. Nota-se isso pelos poucos equipamentos culturais da própria secretaria que participaram da Virada (com a exceção do Municipal e dos CEUs, que assim seguem comprovando sua vocação como rede importante de cultura na periferia, outro potencial subaproveitado).
Mas é impossível não admirar e não reconhecer que a Virada Cultura NÃO é um simples evento e sua importância como subversão e demostração das possibilidades da cidade, do seu centro e da cultura como transformação. Até dá para entender nela, o que talvez Guilberto Gil quis dizer com a cultura para um "Do-in" antropológico...No caso, eu diria urbanístico... A Virada explica mais que qualquer discurso, a importância de uma política cultural do estado, como ela pode ser transformadora e relevante.
É triste, vale dizer de novo, pensar que o problema óbvio e real de rancores e violência que brotam em um show dos Racionais (onde no conflito nenhum dos lados detém toda a culpa e todos têm um pouco, e todos executaram seu papéis "previsivelmente"...) apague a ocupação das ruas como cidade de fato, não mero comercial, a integração e alegria das pessoas que o ocupavam, tornando-o público. De gente que mora em São Paulo faz anos e que pela primeira vez conhecia o centro. Da cara que poderia ser bonita e mais humana da cidade onde as pessoas caminham sem medo, se misturam entre classes sociais, e se encontram. De um espaço recriado e reanimado pela criação.
E aí existe o outro lado importante da Virada Cultural, e porque ela não é um simples evento. Ela nitidamente deu um sentido diferente aos shows que nela aconteceram, e isso deu para eu notar a ver grupos que já assisti, como Clube do Balanço com Erasmo Carlos, ou João Donato. Não era mais um show em um espaço que não tem como escapar de ser delimitado e careta, por melhor que seja, e o Sesc Pompéia o é. Era uma ação com um sentido, inclusive político. Erasmo Carlos estava visivelmente emocionado e orgulhoso de lá tocar. Ali a arte deixou de ser entretenimento, produto, e voltou a ter seu sentido entre o sacro e o profano, de congraçamento e renovação. Sua "Além do Horizinte" ganhou todo um novo sentido, ou melhor dizendo, retomou seu sentido. A arte fica mais excitante, mais arte. Quem quiser pode aproveitar horrores da experiência.
E isso me lembrou um movimento inglês da virada do milênio chamado Reclaim the streets (retome as ruas). Que queria através de festa/protestos de surpresa as ruas, justamente isso: retomar o espaço urbano para as pessoas, para o encontro, para a alegria, para a comunidade, para a liberdade.
É irônico que uma prefeitura (e um governo do estado) conservadora, com um secretário de cultura não conservador, e com uma eminência parda ultra reacionária, como Andrea Mattarazzo*, tenha organizado este evento. Certas coisas, como proibir poluição visual, cobrar zona azul no Ibirapuera e fazer a virada cultural, só os conservadores de outros partidos (não os do PT...) poderiam fazer...Que sejam boas heranças (não a Zona Azul no Ibira) antes deles caírem fora...porque corredor de ônibus, transporte alternativo, e políticas na periferia não são com eles.
A Virada tinha que ser também de política e atitude em relação ao centro em particular e as ruas em geral...reocupá-las, nos reencontrarmos nelas, recriarmos e acreditarmos na nossa cidade, em nós mesmos, porque o risco envolvidos em viver isso é muito menor que o vazio seguro dos alphavilles, shoppings e Vila Olímpias da vida. E os ganhos tão maiores...
* Mattarazzo, o Andrea, não o Eduardo, deve ter ficado feliz pela Virada em seus esforços para gerar insônia nos moradores de rua. Este é outro ponto triste do negócio. Ela aconteceu na casa dos que não tem casa...Até nisso, viver e andar as ruas é importante. Ele nos força a encarar os problemas com uma proximidade, velocidade e escala mais humanas...

quarta-feira, abril 25, 2007

VQP - Você recebe a Veja de graça?

Muitas pessoas suspeitam que a venda de Veja tem caído, mas que a revista tem sustentado sua tiragem distribuíndo exemplares de graça. Por exemplo, o exemplar usado para fazer o boletim Veja Q Porcaria é uma cortesia que chega gratuitamente na casa dos meus pais todo o sábado. Chegavam duas Vejas. Minha mãe parou de assinar e uma continuou chegando...Não é irônico? Então, entre em contato, pergunte aos amigos, se você recebe, ou sabe de alguém que recebe a revista de graça. Deixe um post, ou mande e-mail para vejaqporcaria@yahoo.com

VQP - A sentença contra Mainardi

A esta altura, quem chega neste blog já sabe da história. A Veja, o blog de Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi (vulgo: cada dia mais a mesma coisa) estão esbravejando porque o jornalista Kennedy Alencar, da Folha de S. Paulo, na sua coluna online, deu o furo do resultado da sentença do processo de Franklin Martins contra Diogo Mainardi. Dizem que ele antecipou a sentença, e insinuam que o agora ministro Franklin atravessou algum processo junto ao juiz. Alencar diz que já dava para consultar a sentença pela internet.
A história se desdobra por dois links. O grosso da informação produzida foi por ambas as partes, sem nenhuma isenção. A Veja usou a revista como acessório do processo. E Kennedy viu-se obrigado a se defender das acusações. O fato é que contra Reinaldo Azevedo não há fatos, ele só enxerga o que quer e não dará o braço a torcer. Quem quiser ver seus malabarismos, entre o que desqualifica, sonega e distorce, visite seu blog e boa viagem ao parnasianismo conservador. Kennedy Alencar postou a versão do juiz e suas explicações neste link: http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult511u299.shtml

A minha opinião disso: se for verdade, Mainardi e Azevedo estarão na posição do menino que sempre gritava "Lobo, lobo" e um dia o lobo apareceu. E acho que não apareceu.
Sobre este caso, e nada a ver com este caso, tenho a seguinte intuição que me veio não sei poque: ensaio aberto. Para Abril, os 30 mil de Mainardi devem ser menos que as custas de uma semana de trabalho do seu setor jurídico com o caso. O que preocupa mesmo é o governo atrapalhar seus negócios com os sul-africanos do Naspers ou com os espanhóis da Telefônica (neste caso, com a vantagem indireta de agradar a Globo). Não que eu acha que o governo vá fazer isso, mas a Abril teme inclusive porque já usa este dinheiro por conta. Então este é o segundo ensaio (o primeiro foi quando chamaram jornalistas de Veja para depor na PF) para ver se o papel de vítima e bastião da liberdade cola. Não tem colado. A revista tem uma imagem péssima (dê uma olhada na matéria e nestes links do Comunique-se). Se Kennedy Alencar caísse no fogo cruzado, para Azevedo+Mainardi, tanto melhor. Veja e eles não estão nem aí para quem quer posar de equilibrado, nem para ao menos ouvir a explicação de um denunciado, mesmo quando amigo, antes de tentar implodir sua imagem.

quinta-feira, abril 19, 2007

O Embargo e a burrice

O bloqueio comercial (na realidade é bem mais amplo que isso) que os Estados Unidos impõem à Cuba é uma política burra em todos os sentidos: humanitário, econômico e político. Prejudica a população e faz os dois lados perderem dinehiro. Só uma besta, ou muitas em Miami, não vêem que o bloqueio ajuda Fidel Castro a se manter no poder, ao lhe dar uma bandeira e um inimigo externo, enquanto a normalização das relações permitira os Estados Unidos influenciar muito mais o país do que hoje (afinal, o dinheiro continua sendo uma das maiores forças políticas conhecidas pelo homem).
Para o que acham que o comércio faria os EUA "compactuar" com uma ditadura, fica uma pergunta e uma lembrança: o que o bloqueio comercial ajudou Cuba? E lembrem-se que os EUA manteve negócios com a África do Sul nos tempos do apartheid, sendo inclusive incentivador de aventuras militares daquele regime infame.

Com mais fluxo de comércio e mais turistas norte-americanos na ilha, do que os Estados Unidos tem "medo" (sei que não tem, é para fin de exposição...)? De serem mais influenciados pela ilhinha do que de a influenciarem?

Da Carta Maior, a insanidade do que é o bloqueio, aliás, condenado por qause o mundo todo...

"Todas essas medidas tinham como objetivo asfixiar economicamente a recém-nascida revolução cubana. Em função do bloqueio, Cuba não pode, entre outras restrições, exportar nenhum produto para o mercado norte-americano, nem receber turistas vindos dos EUA. Além disso, não tem acesso a créditos e nem pode utilizar o dólar em suas transações com o exterior. Os navios e aviões cubanos estão proibidos de tocar portos e aeroportos dos EUA. Essa política tem um caráter extraterritorial, uma vez que impede importações de subsidiárias norte-americanas instaladas em outros países e sanciona investimentos estrangeiros em Cuba. O documento observa que, para agravar ainda mais os nefastos efeitos da perda de 85% do comércio externo cubano, causada pelo desaparecimento do campo socialista europeu e da União Soviética, os EUA aprovaram em 1992 a chamada Lei Torricelli.Por meio dela, foram interrompidas as importações cubanas procedentes de subsidiárias norte-americanas em outros países, que chegavam, em 1991, a 718 milhões de dólares. Cerca de 91% dessas importações era constituído por alimentos e medicamentos. Essa lei também impôs severas proibições à navegação marítima desde e para Cuba. A partir dela, o navio de um país que atracasse em um porto cubano, não poderia entrar em um porto dos EUA antes de seis meses e mediante uma permissão especial. Em 1996, a Lei Helms-Burton aumentou os efeitos do bloqueio. Estabeleceu sanções para atuais e potenciais investidores em Cuba, autorizando ainda o financiamento de ações hostis contra a ilha. No final de 2001, pressionado pelo setor agro-exportador norte-americano, o Congresso dos EUA aprovou uma legislação autorizando que Cuba comprasse alimentos dos produtores do país. No entanto, essas importações são acompanhadas por severas restrições."

quarta-feira, abril 18, 2007

VQP - Tinha na mailing, faltou no blog

Semana passada Veja publicou uma longa matéria sobre cantoras. Das clássicas às novas, focava em cinco talentos, mas citava mais de duas dezenas dela. A cantora Céu, talvez a mais bem-sucedida e com trabalho mais consistente das cantoras da nova geração, não era sequer citada. A explicação veio ao longo da semana. Ela seria uma das focadas, mas não quis falar com a Veja. E aí Veja decidiu "vingar-se" e nem citou o seu nome na matéria. Do caso, fica a pergunta: alguém ainda acha que este boletim é necessário para alguma coisa?

PS: Sobre a mesma matéria das jovens cantoras. Uma carta de leitor corrige Sérgio Martins, que escreveu que as interpretações de Elis Regina privilegiavam a emoção ao invés da técnica. Alguém que não entende que ela conseguia combinar os dois ao mesmo tempo deveria se abster de escrever sobre MPB.

PS2: Leitor me cobra que Veja não citou Fabiana Cozza e Ceumar, enquanto colocou cantoras que sequer lançaram o primeiro CD...

VQP - Faltou no Boletim - direito de resposta

Veja finalmente publicou, na sua última página, o direito de resposta do jornalista Leonardo Attuch ao texto "O mais vendido", que responde a ataques grosseiros e pesados feitos pela revista ao jornalista. O texto completo do direito de resposta segue abaixo:

"VEJA publicou em sua edição de número 1 944, com data de 22 de fevereiro de 2006, um texto intitulado 'O mais vendido', no qual consta a informação de que o jornalista Leonardo Attuch, editor das revistas IstoÉ Dinheiro e Dinheiro Rural, estaria devendo satisfações às autoridades policiais. Em um episódio pretérito, a respeito do 'caso Kroll', o nome do jornalista foi citado como autor de determinadas reportagens, mas ele jamais foi denunciado ou indiciado pelas autoridades que investigaram tal assunto. O livro publicado por ele, intitulado A CPI que Abalou o Brasil, editado pelo selo Futura, do grupo Siciliano, teve seu volume de vendas alterado, o que mereceu sua exclusão da lista de 'Mais Vendidos' da revista VEJA. O relato da Siciliano exime o jornalista Leonardo Attuch do episódio. O jornalista também jamais foi indiciado pela Polícia Federal ou por qualquer outra autoridade policial pela prática de qualquer tipo de delito."

VQP - Capa câmbio, alô câmbio?

A matéria da Veja de capa, sobre o câmbio, tem algumas verdades. A valorização de hoje não é igual a de 1998, na medida que ela ocorre em um mercado livre da moeda, e se sustenta parcialmente no saldo da balança comercial e na melhoria do cenário internacional. Veja também está certa na sua análise da relação entre a popularidade de Lula e a economia, e que este cenário deve permanecer no futuro próximo. Há aspectos positivos no câmbio valorizado para alguns setores, como a compra de máquinas mais modernas e estudo no exterior. Eu também acho divertido comprar equipamentos e viajar para a Europa (não para a Disney...), como qualquer um. Mas há outros setores que sofrem. E a quantidade de abobrinha e besteiras na matéria ainda assim, são de revirar o estômago.

“Os mais céticos custam a aceitar que o país mudou de patamar e afirmam que a valorização do real nada mais é do que um reflexo dos altos juros brasileiros, que, segundo eles, atraem capital especulativo e distorcem o câmbio. Mas essa é a visão de uma minoria. Opiniões à parte, o fato é que os investidores dos mercados financeiros nunca depositaram tanta confiança na estabilidade monetária de longo prazo no país.”


Veja ridiculariza opiniões sérias e destrói qualquer debate. Trata quem discorda dela como idiota. É lógico, contábil e óbvio que a arbitragem de ganhos com os juros e o câmbio brasileiro atrai volumes financeiros significativos e influencia na taxa de câmbio. Inclusive pode ser ela mesmo fator de instabilidade no futuro, se a valorização for excessiva. Assim como é óbvio que não é só isso. As pessoas se preocupam com uma pauta de exportações baseadas em commodities, que hoje estão com demanda forte e preço alto, mas isso pode mudar (lembram como Veja gozava com soja por volta de 2002/2003, era o futuro do país, e como o setor quebrou fácil como um graveto em 2004/2005?).

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Quando eu leio a matéria da Veja sobre câmbio forte falar em “darwinismo industrial”, eu lembro das vacas européias. Sim, não é industrial, mas está dentro da discussão sobre eficiência econômica. As vacas européias estão entre os bichos de estimação mais caros do mundo. Economicamente, se fossemos levar a lógica da eficiência econômica a sério, não existiriam. As vaquinhas que tem que ser protegidas do inverno europeu com subsídios não tem como concorrer com as suas irmãs australianas, argentinas e brasileiras, ou mesmo de algumas regiões do Estados Unidos. Assim como as plantas industriais de etanol baseado em milho que estão sendo erguidas nos EUA, são irracionais se pensarmos nos termos de Veja. Mas o mundo não funciona assim, e nenhum país sério, nenhum governo sério, nenhuma sociedade minimamente solidária, mesmo no capitalismo, arrebenta setores da economia como Veja acha bacana. Ela, no mínimo, tenta lhes dar uma chance de desenvolvimento. O “Brasil” abstrato tratado por Veja esmaga e não liga para setores da economia – empresas, empregos, pessoas – que poderiam estar melhor e não precisariam ser eliminados por uma destruição criativa. A desvalorização de 1999 foi o que depois permitiu a adaptação da economia brasileira a folia do populismo cambial do período 1993-1998 (que combinou câmbio valorizado com juros altos, devastando a economia). Tudo na vida traz matizes. 1993-1998 foi importante para conter a inflação. Mas não é verdade que precisava arrasar a economia para fazê-lo e depois haver o trauma e golpe da desvalorização e recessão. O mesmo vale para hoje.

VQP - Capa câmbio 2

Um amigo apontou os problemas do seguinte trecho da matéria:

“No passado, o governante de plantão interferia nas cotações para beneficiar esse ou aquele setor. Em todo o mundo, tal modelo fracassou e foi abandonado, porque trouxe endividamento, inflação e baixa produtividade.”

O autor da "matéria", o “brilhante” jornalista econômico Giuliano Guandalini, só esqueceu da Índia e da China, onde isso acontece e é a região global de maior crescimento econômico (embora este crescimento ocorra sobre uma base de PIB per capita ridícula). Óbvio. São dois países pequenos, fáceis de passar despercebidos no mapa. Afinal a China e a Índia são até citados em outro trecho da matéria... E o tema do baixo valor da moeda chinesa, mantido artificialmente, só é tratado por autoridades norte-americanas o que, toda a semana?

Na coluna que mostra que a moeda brasileira foi a que mais se valorizou em relação ao dólar, Veja não nota que assim como no fato dos nossos juros serem os mais altos do mundo, há sempre algo de estranho em ser o “mais” alguma coisa em economia. A moeda brasileira se valorizou 58%. O grupo que vai do segundo ao quarto lugar, logo atrás do Brasil, com valorizações entre 54% (Eslováquia) e 39% (Polônia) são todos países que aderiram a União Européia recentemente, o que explica em grande parte tamanha valorização das suas moedas em relação ao dólar. Isso mostra como a valorização brasileira está acima do tom, porque países em processos mais ou menos “normais” estão 20 pontos percentuais para baixo da nossa valorização, que aliás, sequer parou...

Três boas sugestões (de mercado) para impedir uma valorização excessiva do real foram dadas pelo empresário Boris Tabacof, na Folha de S. Paulo de sexta-feira:

1) rápida redução dos juros, o que não representa riscos de inflação, que seria a meta de chegar a 6% de juros reais, dito explicitamente pelo Banco Central;

2) eliminação da isenção de 15% de Imposto de Renda sobre os ganhos dos investidores estrangeiros em títulos públicos federais;

3) tributação crescente sobre rendimentos de capitais que ingressam para ganhar na arbitragem dos juros, por exemplo, pegando-se empréstimos com taxas japonesas muito baixas e trazendo para a aplicação em títulos com juros brasileiros, o que dá um lucro garantido de, no mínimo, 6% ao especulador financeiro, sendo a progressividade da taxação inversamente proporcional ao prazo de permanência do investimento não produtivo no país. Além da adoção de medidas que a criatividade das autoridades de Brasília têm demonstrado com tanto sucesso na criação de constrangimentos ao crescimento da economia brasileira.

VQP - Mulheres contra mulheres

A vítima da semana (a esta altura, já passada) da “coluninha da maldade” de Heloisa Joly é a deputada do PC do B Manuela D´Ávila. Heloisa está se especializando em fazer uma coluna machista com a credencial de ser mulher. São as oportunidades excitantes de trabalho na mídia grande brasileira.

VQP - é mais por aí

As matérias da Veja sobre as ameaças ao Conselho Nacional de Justiça, sobre o avanço de missionários evangélicos sobre populações indígenas e as denúncias contra Jader Barbalho são importantes.

VQP - É quase por aí...

Maílson da Nóbrega assina um artigo comparando Cuba e Dubai, sobre suas visitas aos dois países, ambos ditaduras, mas uma exaltada, porque capitalista, outra criticada, porque socialista. Além de ficar claro que democracia não é o ponto aqui (Cuba é considerada mais “democrática” que Dubai) e a simpatia de citar Mike Davis, Maílson é obrigado a reconhecer que os cubanos são altamente instruídos, cosmopolitas e saudáveis. Muito mais, aliás, que seus vizinhos do Haiti, Jamaica e República Dominicana. Mas o artigo até que é tranqüilo, pragmático e realista. Melhor que as reportagens da Veja. Quem diria: um artigo de Maílson da Nóbrega um dia seria mais jornalismo que o jornalismo...

VQP - Cite a New Yorker quando chupinhá-la

Na sua matéria de uma página sobre a polêmica em torno da língua da tribo pirahã, seria educado da parte de Veja: 1) não comprar completamente a tese, polêmica e contestada por muitos, de Daniel Everett, só porque ela rebate uma teoria científica elaborada por Noam Chomsky. 2) Citar que chupinhou a matéria da New Yorker. Ao menos citaram Chomsky sem nenhum impropério do lado...Em tempos de web e blogs, na sexta-feira quem se interessava pelo assunto já tinha ido na fonte original...

VQP - Agora e na hora de nossa morte - 2

Outro caso de obituários grosseiro da Veja


“O artista plástico americano Sol LeWitt, expoente da arte conceitual, um modismo dos anos 60 segundo o qual a idéia por trás de uma obra é tão ou mais relevante do que a sua realização final. Esse blablablá teórico não era levado em conta pelos compradores das pinturas de LeWitt, que gostavam mesmo era das cores fortes de seus murais com motivos geométricos. Dia 8, aos 78 anos, de câncer, em Nova York.”

Alguém ainda precisa de Veja Q Porcaria?

Quando comecei a analisar a Veja lá atrás, em 2002, não era banal a revista ser considerada exemplo de jornalismo parcial e mal intencionado. Hoje, olhem este post do blog Econominimo:

"Até tu, Economist?

Até a celebrada “The Economist” tem seus dias de “Veja”. No recente e extenso relatório sobre o Brasil, o correspondente Brooke Unger, além dos entrevistados citados nas próprias reportagens, lista os especialistas que ouviu para compor seus textos.

Mas, engraçado, aqueles que, procurados por Unger, não rezaram pela cartilha neoliberal da publicação, mesmo perdendo até mais de uma hora em conversas pessoais com o correspondente, ficaram de fora – não só das reportagens como também das menções no final do relatório.

Imparcialidade é isso."

Esta certo que ainda tem muita gente que acredita na revista, que segue a batida distorcida com que ela trata muitos assuntos, e que esta vai muito bem de publicidade...mas sinceramente, quem ainda precisa de uma crítica que a leve a sério, nesta altura do campeonato?


terça-feira, abril 17, 2007

FHC: o que fez e o que faria diferente

por ele mesmo, em inglês, no Miami Herald

O que fez:

In democracy, we made progress. I tried to reinforce institutions; democracy requires institutions. What is still lacking in Brazil in terms of democracy is not institutions. It is a more difficult thing. It is civic culture: the respect of the law.

Secondly, I consolidated economic stabilization. After the stabilization of the economy, we suffered an enormous financial crisis. We tried not to just look at the economy but to look at the people, education, agrarian reform and health.

O que deveria ter feito diferente:

As to whether I would do something differently? Yes, it would have been possible to float the exchange rate in 1998. Maybe I would have started the social program earlier.

I could also have put more energy into political reform.

Tradução: o câmbio estava sobrevalorizado em 1998, e sim, que maçada não termos pensado em um bolsa Família mais amplo antes do PT. Custaria tão pouco ter o apoio das massas e não parecer tão elitista...

PS: Após a histeria da eleição, e um ar conformado com o fato de Lula estar adquirindo um peso tão grande, FHC parece na entrevista mais sereno e ponderado: http://www.miamiherald.com/103/story/73571.html

segunda-feira, abril 09, 2007

Vai entender...

É difícil, e dispensável, entender a mente de Sérgio Martins. Fez uma matéria sobre novas cantoras. Muito legal, Veja dando espaço para um mundo de nomes novos, e cultura brasileira. Abordou várias delas. Deu destaque para cinco e citou várias outras. Nenhuma menção a Céu, talvez a mais importante das jovens cantoras de linhagem mais moderna, pop ou contemporânea e das que eu ouvi, a melhor de todas, anos luz a frente da Mariana Aydar, por exemplo, que está na matéria (anos luz mais conhecida que as outras sob a linhagem "Marisa Monte"). Não faz sentido justifcar por tempo, porque cita o CD de Roberta Sá, que é de 2005. E o estranho e gratuito ataque ao Seu Jorge inserido meio de caco, chamando-o de "pagodeiro". O registro do espanto com a não citação de Céu pela Veja, na comunidade de fãs da moça no Orkut:
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=470215&tid=2525498588961829518&start=1

quinta-feira, março 29, 2007

Um pouco de música

Anda faltando música e outras coisas mais neste blog. Sexta, assisti o show do enérgico Tom Zé e não escrevi nada. Domingo, vi o complexo documentário "Santiago" de João Moreira Salles, que tem material para 10 tratados sobre estética, documentário, relações de classe ou psicanálise. E não escrevi nada, e sigo não escrevendo. Bem, o show do Tom Zé já foi, e sabe-se lá quando vão passar a sessão de descarrego do Salles. Vale dizer, um corajoso auto-retrato da elite brasileira. Ele disse que tinham que começar a filmar a elite brasileira e começou por ele mesmo. Legal.

Mas chega de escrever que papo de sambista é samba. O link da rádio:
http://www.4shared.com/file/13028053/f7b24606/coqueiro_velho_2.html

terça-feira, março 27, 2007

VQP - O índice "Marquinhos"

Na segunda-feira da semana passada, houve uma reunião dos gerentes da Abril no Hotel Meliá, em São Paulo. O presidente do grupo, Roberto Civita disse que o Brasil “não era desculpa” para o grupo não crescer. Que o país estava no rumo certo. Que não era o que eles queriam, e que poderia estar crescendo mais rápido, mas que era o rumo certo.

Este é o tom da Carta ao leitor desta semana. Óbvio que por um lado ela beira o ridículo caipira, com seu “índice Starbucks”.

Imaginemos agora um Índice Starbucks. Seria um indicador baseado no desempenho das cafeterias da rede americana instalada em quase quarenta países e serviria para medir a capacidade empreendedora de cada uma dessas nações, bem como o potencial de consumo de suas populações. Aonde se quer chegar? A uma informação publicada na seção Holofote desta edição. No espaço de uma simples nota, há uma notícia que esclarece muito sobre o estado atual da economia brasileira: as duas primeiras lojas da Starbucks abertas no país em dezembro, ambas em São Paulo, já ocupam o topo do ranking de atendimento a clientes das cafeterias da rede mundial.”

Olha, só dá para entender isto como besteirol intencional, para este e outros caírem de patinho e a revista gerar comentário. Eles estão falando sério? Quando saiu aquela matéria imensa, de capa, sobre a chegada da Starbucks no Brasil, muita gente no meio disse: “não pode ser, isto é jabá”. Mas eles são tão marquinhos que não sei...Eles acham que duas lojas novidadeiras na região sudoeste de São Paulo simbolizam qualquer coisa? Nossa...

“Não poderia existir momento mais propício para que Brasília desse um empurrão pondo para andar as reformas tributária, previdenciária e trabalhista e, assim, arrancar os grilhões que ainda aprisionam a economia. Isso ajudaria a levar o Índice Starbucks a todo o parque produtivo brasileiro com as previsíveis e extraordinárias conseqüências para a paz social e a elevação do padrão de vida de todos os brasileiros.”

Olhe. Existem mudanças tributárias (mais), previdenciárias (algumas) e trabalhistas (menos) que provavelmente seriam interessantes. Simplificar a tributação e cobrar no destino, não na origem do produto seria justo, mas isso sempre é barrado por São Paulo. Aprovar idade mínima de aposentadoria de 65 anos para a maioria das carreiras com nível superior e em alguns setores do funcionalismo público, por exemplo, poderia ser uma idéia aceitável, mas os neoliberais feitores que defendem a reforma querem descê-la sobre o lombo dos mais pobres...O problema no “rumo certo” que se quer com estas reformas sem se pronunciar é regredir os custos e condições da mão-de-obra brasileira aos níveis da indiana e chinesa. É o tipo de projeto de país que grande parte da nossa elite (lógico, há exceções) está viciada em pensar. Ela não quer, nem acredita, no desenvolvimento em parceria, e para, melhorar a vida da maior parte da população. Dureza...

VQP - 3 artigos sobre insegurança

A Veja já foi definida uma vez como a revista “da classe média assutada”. Três artigos, de Lya Luft, Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo, tratam de violência. É claro que a violência no Brasil não é normal. E é claro que ela assusta a classe média. Porque embora os índices de mortes por homicídio entre a classe média não sejam muito acima dos de primeiro mundo, os crimes contra o patrimônio e a ameaça de violência nos espaços públicos são constantes. E os efeitos da violência não estão só no ato, mas também no medo de que o ato possa ocorrer, na sua possibilidade. O desafio de escrever, e tratar, sobre violência é manter a indignação, porque de fato é absurdo, mas não cair na sua versão vazia de basta que não compreende e que a reforça. Basicamente, realimentando o paradoxo de que quem alimenta as estatísticas da violência, a morte de jovens de periferias, e quem mais sofre com as políticas que supostamente deveriam combater a violência (afinal, todos sabemos que o que realmente se advoga é menos reduzi-las e mais confiná-la aos seus limites geográficos e sociais “aceitáveis”). Eu vou passar de comentar o artigo do Azevedo, com duas exceções: 1) Ele não resiste a tentação de atacar a esquerda em todos os seus textos...2)Embora ele coloque ressalvas, nas passagens sobre o humanismo, a tese de que a moral só pode advir de uma religião é mais um capítulo do preconceito e da incapacidade de compreensão que os religiosos têm dos ateus. Proponho a seguinte pesquisa ignóbil: analisar a moral e a criminalidade em dois países vizinhos do Leste Europeu, recém saídos do comunismo e ingressos na União Européia: a de maioria atéia República Tcheca e a fortemente católica Polônia. Para quem não tiver mais nada, nada o que fazer...

VQP - Briga grande em notinha

Atente para esta inocente nota da seção Radar:

Curioso
A Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) quer proibir no Cade uma promoção conjunta da TVA e da Telefônica que oferece um pacote de TV por assinatura e banda larga por preços reduzidos. No caso, é curioso que a associação se volte contra um associado, considerando que é exatamente isso que outro associado, a NET, vem fazendo com outra tele, a Embratel, há muito tempo. Com todo o apoio da entidade.

A nota está correta. Só falta informar que a TVA é uma empresa em processo de venda, da Abril para a Telefônica. E que esta venda é estratégica para o grupo Abril saldar suas dívidas. E que a briga em torno da convergência da internet+telefonia+tv por assinatura que coloca de um lado do ringue a Abril+TVA+Telefônica(Speedy e Terra) e do outro a Globo+NET (Virtua)+Embratel+Sky e Direct TV (News Corp) é a mais importante briga do setor de comunicações do país...Ao menos na matéria “calhau” sobre o Canal Fiz que será lançado pela Abril, Veja informa que é do mesmo grupo que a publica.

VQP - Sonegando informação...

A matéria de capa da Veja é boa, noves fora fazer baião de dois para a instalação da CPI do Apagão Aéreo, o que é do jogo e do direito. Ela só tem um porém, que é um grande porém. Por que fingir que o problema da infraero e da falta de investimentos em infra-estrutura portuária é apenas de corrupção e má gestão, e esconder que o governo contingência recursos bilionários arrecadados de taxas cobradas dos consumidores, para fazer superávit primário? Ou seja, que o próprio setor gerou receita, que deveria resolver seus problemas, mas que esta foi desviada para pagar juros? Por que na matéria “A infraero não informa” a Veja não informa isso...


Sonegar informação para defender de forma exagerada seu fanatismo neoliberal também ocorre na matéria “Maior, mas do mesmo tamanho” sobre o PIB brasileiro. Último parágrafo da matéria:

“Os novos cálculos deixaram o Brasil ligeiramente melhor na fotografia internacional. Mas nem por isso desapareceram as travas que emperram o desenvolvimento. Ou, pior, como temem alguns analistas, o governo pode se inebriar com o seu "quase pibão" e enterrar de vez as reformas sem as quais não haverá como o país entrar em rota de crescimento duradouro. O "novo PIB" dá a dimensão do drama: a gastança pública foi maior do que se imaginava. Já a poupança e os investimentos ficaram menores. (grifo meu) E aí não há milagre estatístico: sem poupança e sem investimentos, o "pibinho" nunca será "pibão".”

Sobre o trecho em negrito, duas coisas: não se sabe como Veja diz, a partir do PIB, que os gastos do governo cresceram, já que o novo PIB não afeta os números absolutos dos gastos do setor público, e os reduz em termos relativos (carga tributária/PIB), informação sonegada aos leitores da revista porque contraria seu discurso ideológico. Assim como foi sonegada a queda da relação dívida PIB, provavelmente a conseqüência mais importante do novo número, junto com ele forçar os ortodoxos a refazerem suas contas de “PIB potencial” (o máximo de crescimento possível do país sem afetar a inflação) o que tem efeito nos debates sobre a taxa de juros.

sexta-feira, março 23, 2007

VQP - Azevedo X Azenha

Reinaldo Azevedo semana passada teve uma "briga de blogs" com Pedro Doria, do nominimo, em torno da tradução da fala do papa do latim em torno de casamento, a "chaga" X "praga" . Estava certo. Entende muito de latim, catolicismo e gramática. Parabéns.
Esta semana, e parece que quem começou foi Azevedo, mas, felizemnte, perdi o primeiro caítulo, começou um "tirotexto" (tiroteio de texto, desculpe a infâmia...) com Luiz Carlos Azenha.
Não é nada edificante. Mas enfim, como inventei-me, faz tempo, de fazer isso, vão os links para quem estive disposto:
Azenha:
http://viomundo.globo.com/site.php?nome=MinhaCabeca&edicao=725
Azevedo:
http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/

Óbvio, e sinceramente, concordo muito mais com a visão de mundo, de jornalismo e postura do Azenha.

Idéias que provocam...

Bem, citando de cara o "conflito de interesses". Esta entrevista do filósofo Paulo Arantes na Carta Maior é por conta do lançamento do seu livro, Extinção, pela editora em que eu trabalho, a Boitempo. Mas vale muito, muito a pena indicá-la. Mesmo sem concordar com tudo, é o tipo de raciocínio rigoroso e criativo que provoca e estimula a questionar lugares-comuns e falsas dicotomias. A parte sobre as guerras de Bush que existem justamente para não serem vencidas nem perdidas, mas eternas, é sensacional.

http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=13774

quinta-feira, março 22, 2007

Coluna de Clóvis Rossi de hoje

Dois temas importantes: a maluquice de Lula chamar os usineiros de "heróis" (está com esta mania agora...deve estar assistindo o ótimo seriado Heroes...). E a quebra de contrato, pedida pelos lobbys dos bancos, que reduziram os rendimentos do FGTS e da poupança, para protegere os fundos de renda fixa (uma inversão de valores inacreditável).

Os heróis de Lula


SÃO PAULO - Primeiro, o governo Luiz Inácio Lula da Silva mexeu na TR (a Taxa Referencial de juros), de tal forma que os rendimentos da poupança serão reduzidos.
Alguém aí ouviu algum outro alguém gritar "calote", "tunga", "quebra de contrato" ou algo parecido? Ou só silêncio?
Depois, constatou-se que, graças à mesma mágica besta do governo, também o FGTS será afetado, passando a ter rendimento inferior ao da inflação (ou seja, perda de renda, em bom português), dependendo do nível da taxa de juros.
De novo, gritos enfurecidos de "calote", "tunga", "quebra de contrato"? Nadica de nada, salvo uma reclamaçãozinha chocha do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, mais por não ter sido ouvido do que pela tunga. Reclamação que, de resto, só comprova uma vez mais que, no governo do Partido dos Trabalhadores, trabalhador não é ouvido nem cheirado, por mais que o presidente da República ainda se considere torneiro mecânico, profissão que não exerce há pelo menos um quarto de século.
Agora, experimente você mencionar "calote" (não necessariamente para defendê-lo) em relação à dívida pública. Cai-lhe o mundo em cima, por baixo, por baixo.
Ficamos então assim: "redutor" na TR, afetando o pequeno investidor e o assalariado, pode. Já o rendimento do grande investidor, que detém os papéis do governo, é absolutamente intocável, sagrado. Foi assim sempre, mas se tornou quase vício, verdadeiro dogma religioso no governo Lula, que fez a opção preferencial pelo mercado financeiro, ao qual dedica anualmente algo em torno de 7% ou 8% do PIB.
Dia virá em que Lula chamará de "heróis" o pessoal do mercado, como fez anteontem com os usineiros, no mesmo dia em que fiscais do trabalho encontravam trabalhadores da cana atuando em condições "degradantes".

quarta-feira, março 21, 2007

Diálogo maluco sobre o novo PIB by IBGE

Começou como um debate sobre economia. Acalorado. Aí, no meio do caminho, o IBGE aumenta o PIB em mais de 10%. E as bases do debate vão para o ralo. Aí eu digo:

Tem mais , a gente discute, discute, aí vem o IBGE, muda tudo, e a gente descobre que a vida é numerolo...ops, metodologia...De ontem para hoje acordamos 10% mais ricos, devemos ter crescido mais que alguém além do Haiti, e a dívida/PIB foi de 51,5% para 46,5%. 10% de crescimento em um dia? Seria o espetáculo (no sentido teatral do termo) do crescimento? abração e risos...

Resposta

Zé, tô tentando entender essa parada faz umas três horas. Minhas dúvidas:
Se é assim, por qual motivo o IBGE foi tão estúpido de não fazer isso antes?
Será que isto não poderá ser visto como manipulação?
Caso esteja correto, como me parece que está, será que finalmente vamos entrar em um novo ciclo de crescimento, novamente sem inflação? (não teve inflação no milagre)

Como fica a questão do investment grade?
E o PIB potencial?
Quer dizer então que a carga tributária é menor do que a gente pensava e mesmo assim trava o país? Enfim. Dúvidas, dúvidas e dúvidas.
E o meu conhecimento em economia não me permite ir além delas.To tentando ler mais a respeito. Abração

tréplica

Bem, se a carga tributária é mais baixa em relação ao PIB e ele está crescendo neste ritmo, ela não trava tanto o país assim...ao menos como se pensava...Tenho as mesmas dúvidas. Estou esperando alguém vir com uma c´ritica demolidora para começar a entender o que ocorre. Deixa eu te adicionar outras duas dúvidas:

1) Quais são os padrões internacionais de cálculo do PIB? Nos aproximamos deles, nos afastamos, ou é o samba do FMI doido, cada país tem seu critério?

2) O que os gringos vão pensar quando todos os números da economia brasileira forem diferentes amanhã..."Uau", "uai" ou "how" ?

A emenda 3 e o jornalismo de resultado

A discussão em torno da emenda 3, que proíbe fiscais do trabalho de aplicarem multas em empresas, e passa esta atribuição aos juízes do trabalho, vetada por Lula e defendida pela oposição, tem escancarado algumas máscaras. A matéria de ontem do Jornal da Globo sobre o tema era o ápice da desinformação e cinismo. Do governo à oposição, todos fingiam se tratar da questão de um "princípio jurídico" da função do fiscal, quando todos os entendidos sabem que não é esta a questão ou o que está em jogo (todo mundo ali cumpria um script...). Se fiscal não pode aplicar multa em sua área específica de competência, só juiz, policial não poderia prender em flagrante, nem guardinha da CET aplicar multa, e teríamos que ter um monte de juízes pelas ruas fazendo o policiamento...
O que está em jogo é a tentativa dos defensores da medida, o que inclui as grandes empresas de mídia, de impedirem a fiscalização (pouca) da justiça do trabalho contra a "pejotização" de empregados, que acontece inclusive nas empresas de comunicação, por exemplo, com grande parte dos repórteres e apresentadores da Globo (o boato em Brasília é que a própria empresa fez lobby pela emenda). Atuação em causa própria. E pouco se importando com as implicações disso, por exemplo, no combate ao trabalho escravo. Se os fiscais forem proibidos de atuar, acabam as missões para libertação de escravos em fazendas. É isso aí, a aparente defesa das relações (pós) modernas de trabalho defendem a escravidão. É a cara do projeto conservador brasileiro. É a cara do PFL e do PSDB fazer de algo assim uma prioridade.
Lula fez bem em vetar a emenda, mas nitidamente o governo não está jogando pesado em impedir a tentativa da oposição de derrubá-la, porque se tivesse já tinha acabado com esta história.
Para entender melhor o caso, leiam o Blog de Leonardo Sakamoto: http://blogdosakamoto.blig.ig.com.br/
E este artigo interessante sobre o caso, que saiu na Folha de S. Paulo de hoje, de Elio Gaspari:
O fantasma jurídico da pessoa física
Na mesma Folha de hoje, um exemplo da importância do trabalho dos fiscais. Blitz nos canaviais do interior de São Paulo, contra condições abusivas de trabalho de boiás-frias, nas "glamourizadas" plantações de cana-de-açucar. E com este tipo de coisa que a emenda 3 quer "acabar".

segunda-feira, março 19, 2007

O caminho da sucessão na Abril

Hoje os gerentes e executivos da Abril se reuniram no Hotel Meliá. Foi anunciada a participação de Giancarlo Civita na presidência executiva do grupo, pelo presidente da editora e seu pai, Roberto Civita. É o caminho da sucessão para a terceira geração da empresa.

Davi x Golias no Bexiga - de Gulherme Wisnik

"Roubei" este texto da Folha de S. Paulo, porque merece ser lido independente das caretices da informação restrita "para assinantes" na web.

GUILHERME WISNIK

Um dos maiores patrimônios da cultura brasileira viva, teatro Oficina continua a disputa com Silvio Santos

MAIS UM capítulo na disputa entre o Grupo Silvio Santos e o teatro Oficina: depois de induzir o destombamento e a demolição de sobrados de interesse histórico nos terrenos que adquiriu para a construção de um shopping, o Grupo SS continuou a "limpeza" da área demolindo a sinagoga Ohel Yaacov, uma das primeiras de São Paulo. Com os entulhos, tapou duas janelas do teatro, envolvendo-o em escombros. Zé Celso, por sua vez, encontrando uma estrela de Davi metálica em meio aos destroços, passou a usá-la em cena como um amuleto contra a ofensiva do Golias-Silvio Santos. Seu poder é revelar os teatros latentes por trás de cada personagem, incluindo o seu próprio, e reteatralizá-los.
Encaixadas sob os arcos de tijolo do paredão dos fundos do Oficina, as janelas foram abertas durante a montagem de "Os Sertões", indicando a intenção de expansão do espaço cênico atual (um palco-pista, como um sambódromo) para a desejada "apoteose" do teatro de estádio no terreno de trás, hoje um estacionamento.
Nascido de uma colaboração inédita entre os arquitetos e a companhia teatral, o teatro Oficina é um dos maiores patrimônios da cultura brasileira viva e um exemplo de radicalidade única no mundo. Radicalidade que não nasceu nem se alimentou de caprichos ou meros interesses expansionistas, mas, ao contrário, de uma necessidade artística: um auto-sacrifício ritual, masoquista como a própria estética tropicalista. Essa é a história inscrita no seu espaço, e determinante na decisão aparentemente insana de se demolir o antigo teatro para a construção do atual, acarretando mais de uma década de impasses em que o Oficina permaneceu em ruína.
O projeto anterior, feito por Flávio Império, "aproveitava" a estreiteza e declividade do lote construindo uma única arquibancada em frente a um "palco italiano". Ocorre que, com o tempo, o experimentalismo vanguardista da dramaturgia ultrapassou a sua estrutura física, ainda presa ao ilusionismo estático da caixa cênica. Era o coro que tomava posse do espaço, em uma concepção de encenação que tendia para o ritual, abandonando o paradigma do teatro como um lazer burguês, e radicalizando sua condição de festividade de massa, em aproximação com o Carnaval. Inspirado na tragédia grega e no teatro nô japonês, o projeto de Lina Bo Bardi e Edson Elito assumiu o terreno existente como uma pista em rampa, um "teatro de passagem", ligando a rua a um parque festivo.
Com o poder da grana e das "leis do mercado", Silvio Santos vem comendo por fora e cercando o teatro, ameaçando encapsulá-lo. Cabeça dura, e ainda mais ambicioso que o seu adversário, Zé Celso responde na mesma moeda: não faz concessões e pleiteia a cessão do terreno do "inimigo" para a construção do parque-estádio que completará o projeto original do Oficina. Sua ousadia desafia um dos maiores tabus da nossa sociedade: o direito de propriedade. Pois ele bem sabe que se o Brasil for capaz de eleger e cultivar os patrimônios que o mantêm vivo, Davi poderá vencer Golias.

domingo, março 18, 2007

VQP - PAZ, AMOR E ANÚNCIO

A revista está até que meio paz e amor com o governo nesta edição. Fala de Odílio Balbinotti, aquele que foi sem nunca ter sido ministro da Agricultura, mas cita os problemas que FHC também teve com o PMDB. E elogia o pacote de Lula para a educação. Fofo. É claro que trata-se de coincidência (mesmo), mas é também a primeira vez em muuuuito tempo que surge um anúncio de estatal ou do governo federal na revista. É um de página dupla do Banco do Brasil.

VQP - DUAS BOAS MATÉRIAS

A matéria “Eu sou capitalista” dae Juliana Linhares e Marcelo Carneiro, sobre as atividades de lobbista de José Dirceu, é ótima! José Dirceu é um daqueles assuntos paradigmáticos, como Guerra do Iraque, Cuba etc...Quem ainda acha que o cara é de esquerda, ou luta por ela, ou é ingênuo ou está de engodo também. . Quem acha que no governo ele era o contraponto de “esquerda” de Pallocci, não entendeu nada...A grande causa de José Dirceu, e isso faz muito tempo, é José Dirceu. E a lógica fisiologista-arrivista de parte (grande) do PT, como os citados na matéria Candido Vacarezza (o que negocia apoio de Maluf para Marta em 2008), Arlindo Chinaglia, eleito presidente da Câmara para tentar aprovar a anistia de Dirceu, e Carlos Zaratini. A chegada da anistia dele no congresso é aguardada com água na boca pela oposição ao governo Lula. Porque irá consumir o capital político que ele ganhou no segundo turno, desmoralizando o governo, e os dará uma bandeira excelente, porque corretíssima. Pra que? Para uma ala do PT recuperar seu capo e Dirceu sonhar em ser governador de São Paulo ou presidente do Brasil, o que não será, jamais. Ridículo...

- A matéria de Marcelo Bortoloti sobre o drama da modelo Bia Furtado, queimada em um ônibus incendiado por traficantes no Rio de Janeiro, é emocionante.

VQP - KANITZ JURA QUE NÃO JUROS

No seu artigo desta semana, Stephen Kanitz defende a queda dos juros, “ao lado” de Dilma Rousseff, para redução dos ganhos da renda fixa, vulgo, rendimentos de juros por conta da alta taxa de juros. “O custo do capital no Brasil é alto porque os juros da dívida interna são altos”. Kanitz escreve que com a queda dos juros, o capital no Brasil deixará de ter sua “estabilidade de funcionalismo público” (a expressão é minha, não dele) atrelado a Selic, sendo forçados a investir em projetos reais. Sensacional até aí. Kanitz explica porque os juros altos impedem o crescimento do Brasil (e o aumento da taxa de investimento, seja pública ou privada). O engraçado é quem ele culpa pelos juros altos: os economistas desenvolvimentistas, começando por uma leitura no mínimo simplista das idéias de Celso Furtado (e ignorando completamente o contexto delas...). Os desenvolvimentistas defendem a queda de juros há anos, contra os economistas associados ao setor financeiro, que defendem, e lucram, com as altas taxas. É bacana que Kanitz não invista em renda fixa por razão ética, como diz no texto. Ele poderia até relacionar a necessidade do estado financiar seu déficit com os juros altos, e a (possível) contradição dos desenvolvimentistas entre pedir mais gastos públicos ao mesmo tempo de queda de juros. Mas não é disso que o artigo trata. Ainda assim, este artigo de Kanitz, vindo de onde vem e publicado onde está, já é uma evolução.

VQP - O DESMATAMENTO NÃO GOSTA DE ÍNDIO

Duas cartas de leitores desta semana, atacando índios, Funai, CIMI, Ibama etc.., chegando a chamá-los de “terroristas” e o escambau vêm de cidades do Mato Grosso: Colíder e Vila Bela da Santíssima Trindade. São cidades de fronteira agrícola, onde grileiros, desmatamento, trabalho escravo e homicídios agem em nome do “prugresso”, aqui em aliança com a “pós-mudernidade” da Faria Lima-Berrini. Isso não significa que estas pessoas estejam necessariamente associadas à isso. Seguem abaixo:

“Pergunto, muitíssimo indignado: até quando órgãos públicos como a Funai e o Ibama serão gerenciados por pessoas incompetentes? Num país onde não há governo central, os dirigentes de órgãos e autarquias deitam e rolam, praticando as mais absurdas estripulias. Desconsideram as leis e o mais elementar bom senso, como ocorre com o Ministério do Meio Ambiente na demarcação de áreas de preservação sobre fazendas produtivas. Até quando?
Fernando Nunes da Cruz
Colíder, MT

Funai, ONGs, Cimi. Poderíamos chamá-los de terroristas do meio rural brasileiro. A pretexto de proteger nossos índios e minorias, espalham mentiras, pobreza, fome e, principalmente, preservam um imenso pedaço do território brasileiro como reservas indígenas para que países do Primeiro Mundo nos tomem quando bem entender. Parabéns ao repórter José Edward pela clareza e imparcialidade.
Luciano Barbosa
Vila Bela da Santíssima Trindade, MT

VQP - PAPAS, PRAGAS E CHAGAS

Durante a semana, uma polêmica mobilizou os blogs de Pedro Dória e Reinaldo Azevedo. O papa disse na sua “exortação apostólica” que o segundo casamento é uma “praga”, como na tradução oficial do Vaticano do latim para o português e como publicou e comentou a Folha de S. Paulo, ou “chaga” como defendeu Reinaldo Azevedo. Veja assumiu “chaga” até na legenda, mostrando como a vaidade do seu blogueiro tem contaminado a edição da revista...Enfim, se é chaga ou praga, eu prefiro perguntar questões mais relevantes, como: seria tal opinião do papa baseada em suas experiências matrimoniais? Queria ele dizer que as coisas começam a ficar boas não no segundo, mas sim no terceiro, talvez no quarto casamento? Alguém que nunca se casou quer dizer para a Dona Maria e o Seu João que eles tem que agüentar um parceiro que não amam, ou não suportam ou que batem nele, e que Deus assim quer que seja? Que chaga...

VQP - A PREVIDÊNCIA DA SUECÍNDIA

Poucos temas são mais chatos e mais importantes que sistemas de previdência. Antonio Ribeiro, de Paris, escreve “A pensão Viking” sobre o sistema sueco de previdência, baseado em poupanças individuais, como apregoa o neoliberalismo. Em tese, este sistema compensaria o envelhecimento da população. A lógica de “poupar hoje para gastar amanhã” faz sentido perfeito aplicada individualmente. Mas o sistema econômico não funciona assim. A poupança feita hoje, para ser gasta amanhã, tem que estar lastreada na economia de amanhã. As aposentadorias sempre serão pagas pela atividade econômica de hoje, não de ontem. Seja através de impostos redistribuídos pelo Estado (o sistema brasileiro atual) ou de rendimentos dos recursos acumulados e investidos pelo sistema financeiro (o sistema de contas individuais). Uma das diferenças do sistema é justamente quem controla a bolada, o Estado ou o sistema financeiro privado. Detalhe, a transição de um sistema para o outro custa uma fortuna e foi o que derrotou esta proposta, de W. Bush, nos Estados Unidos. “Na Suécia, aclamado estado de bem-estar social, a Previdência não funciona como um corretor de desigualdades. A contribuição previdenciária de um banqueiro de Estocolmo não subsidia a aposentadoria de um pescador de bacalhau. Cada um recebe o que pagou.” Bem, eu adoraria que minha mãe recebesse ao menos metade do que pagou, mas FHC fez isso ser impossível (vide “fator previdenciário). A Suécia, para começo de conversa, tem um sistema de ensino suficientemente igualitário para ser um país que as pessoas tem uma “largada” mais justa que o Brasil. Veja odeia a idéia de qualquer solidariedade nacional que possa dar cola à isto que deveria ser uma sociedade. Depois reclama da violência. Imagina o efeito de arrebentar-se a distribuição de renda feita através de programas de previdência...O sistema pode perfeitamente funcionar na Suécia. A previdência brasileira é cheia de absurdos, principalmente no funcionalismo público. Mas a discussão de reforma aqui beira o ridículo. Todos os neoliberais que discutem idade mínima de 65 anos, fingem que é a mesma coisa um médico, um advogado, um engenheiro, que tem ensino superior e começam a trabalhar depois dos 20 anos, e que tem expectativa de vida maior, e devem realmente se aposentar mais tarde, com pedreiros, motoristas de ônibus, empregadas domésticas e trabalhadores rurais que começam a trabalhar mais cedo, tem expectativa de vida menor e profissões desgastantes. Eles não têm dó nem negociam o sarrafo do aumento das desigualdades que propõem nas costas dos outros. O mesmo problema contamina a discussão da emenda 3 do projeto da Super Receita. A emenda propunha que auditores fiscais federais não poderiam apontar vínculos empregatícios entre empregados e patrões, mesmo diante de irregularidades. Somente a Justiça do Trabalhoé que estaria autorizada a resolver esses casos. O Estadão de sábado publicou a seguinte manchete “imparcial”: “Lula insiste em superpoder de fiscal”, porque o presidente vetou a emenda. Quem lê a matéria, parece que o problema só trata de profissionais liberais na Faria Lima. Na realidade a emenda acabaria com o combate ao trabalho escravo no país. É esse mínimo de sensibilidade e esta aliança com o atraso que desmoraliza os conservadores neste país...

VQP - O GRANDE IRMÃO ATACA SEU BROTHER

Marcelo Marthe assina o ataque de Veja a proposta de uma rede de TV federal, que ainda não sabemos se será estatal e pública. A mídia grande brasileira é engraçada: ela crê que a diversidade de fontes de informação faz mal para a liberdade de imprensa...Bom mesmo é o monopólio de meia dúzia de famílias...Marthe recria entre aspas os “princípios da democracia”, do próprio punho: “O governo faz, a imprensa avalia e o público julga.” Como assim, só a imprensa avalia? E quem avalia a imprensa? Vale aqui citar o final da coluna de hoje do Ombudsman da Folha de S. Paulo, Marcelo Beraba:

“Chega de estatísticas. O ponto é que, na minha opinião, as empresas jornalísticas erram ao represar uma discussão que cresce a cada dia e será incontrolável. Ao não atentarem para a importância do debate que as envolvem perdem confiança e credibilidade. O melhor a fazer é enfrentar a discussão e os questionamentos com profissionalismo e honestidade, informando, expondo claramente as suas posições sobre cada um dos temas e abrindo igual espaço para as dezenas de outras posições que convivem na sociedade e estão insatisfeitas com o modelo atual. Enquanto a discussão não for ampla, ficará sempre polarizada entre empresas e governos, e sempre tenderá à irracionalidade. A garantia do espaço para a discussão é uma das responsabilidades do jornalismo.”

O link para a coluna completa está aqui: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ombudsma/om1803200701.htm

E a definição de que o debate entre imprensa e governo sobre a comunicação é “irracional” é perfeita. As mídia brasileira, é formada de empresas familiares rançosas e ultrapassadas, cada diz mais para trás do resto da sociedade brasileira em termos de diversidade de opiniões, e cada vez mais fechadas entre si e dentro delas, na defesa de uma opinião monocórdia, principalmente em torno dos seus interesses financeiros.

VQP - MAINARDI X MARTINS NO RINGUE DA GLOBO

Tava na cara. Com a indicação de Franklin Martins para o ministério da Comunicação Social, Diogo Mainardi ia voltar ao tema e sua briga com ele. É lógico que com a indicação, e caso Martins aceite, Mainardi ganha pontos na briga, onde acusa Martins, como comentarista e chefe e diretor da sucursal brasiliense da Rede Globo, de ter sido leniente com o governo Lula e faz disso uma ilação com cargos ocupados por sua esposa na liderança de governo do Senado e do irmão de Martins na Agência Nacional de Petróleo. Mas o que Mainardi, funcionário também das Organizações Globo, no mundo de luta em preto e branco entre ele e Martins não diz, é que se para ele, Martins usou a Globo, não é difícil se perguntar porque a Globo, logo que o governo Lula começou, indicou alguém com relações boas com o PT e a esquerda para chefiar sua sucursal de Brasília. Ou seja, Mainardi não dá a pincelada de cinza dos interesses da Globo em dar uma azeitada extra sua relação com o governo federal, que depois, com Hélio Costa, mais que azeitadas, tornaram Martins dispensável. E tem muito cinza no mundo...

VQP - Pauta boa de pau!

Se Veja quer achar uma boa e justa pauta para esculhambar o governo, o país e etc...a tem bem debaixo do seu nariz com o ridículo processo de “preparação” para a Copa de 2014, com a esdrúxula, absurda, ofensiva postura de Ricardo Teixeira de “quem decide as cidades sedes sou eu”, sendo que quem vai bancar, com a maior farra com os cofres públicos, é o governo, ou seja, nós, com a Marta querendo sentar em cima da bolada, e a TV Globeleza parceirinha do esquema (com está sendo no Pan, com sua cobertura chapa-alvíssima)... É triste não poder ficar feliz e empolgado com a possibilidade e benefícios que uma Copa poderia trazer ao país. É muito triste ter que ficar indignado com as armações de Ricardinho, o “dono da bola”, com o beija-mão e subserviência de políticos eleitos e da total falta de democracia e transparência (e show de incompetência e compadrio) que será a preparação para esta Copa. É triste ter que ficar triste com algo que poderia dar tanta alegria.

Veja 2000!

Da Carta ao leitor, comemorando a edição 2000 da revista:

“Ao lançarmos um olhar sobre o tempo que nos separa da criação de VEJA, sobressai a constância, semana após semana, na obediência a certos princípios que definem o que se chama de "linha da revista". Um deles é a busca incessante – muitas vezes até temerária – pela informação exclusiva, confiável e independente. Outro é a preocupação em fornecer ao leitor análise clara e honesta sobre os fatos relatados, contextualizando-os no tempo e no espaço.

O Brasil é o único país do mundo em que uma revista semanal de informação é a revista de maior circulação. VEJA alcançou esse posto graças à aprovação de seu jornalismo por milhões de leitores e milhares de anunciantes, com os quais forma uma comunidade unida na defesa da democracia representativa, das liberdades individuais e da livre iniciativa.”

“Análise clara e honesta sobre os fatos relatados”. Beleza então.

No especial sobre suas 2000 capas, diz o seguinte:

“Uma grande revista precisa ter coração, consciência e pontos de vista francos. Precisa ter isso tudo em cada uma de suas edições durante décadas. A consistência é qualidade nobre.”

Tá certo, então...

VQP - Assim se reescreve a história

No especial, Veja tenta distorcer uma das maiores polêmicas da sua história. A cobertura da morte de Elis Regina. Para isso a ofende de novo com um quadro intitulado “a cantora do contra – como Veja”. Não. Elis não era simplesmente “do contra”, ainda que se definisse assim, de forma modesta... Muito menos como a Veja.

- Em outro quadro, Veja lembra a capa e a pergunta de dar uma “banana” para o mercado americano foi coragem ou estupidez. “A realidade deu a resposta: estupidez.” Engraçado é que é difícil achar meia-dúzia de analistas internacionais que subscrevam isso. Até W. Bush falou que os países não podem dar de graça que os EUA vão querer abrir mercados para eles. Veja diz que as questões comerciais se tornaram muito sérias e complexas para ficarem nas mãos do Itamaraty (que como todo mundo sabe, é formado por gente muito burrinha...) e que houve predomínio do ideológico sobre o racional na política externa. Acho que é o contrário. Veja que sofre da síndrome de “Marquinhos” (ver Sobrinhos do Athayde...)

Veja ainda ressalta entre as capas às edições 1905, que detonou a crise do mensalão, e a 1912, que derrubou em uma tarde José Genoino da presidência do PT. Foram, de fato, as suas duas melhores edições na crise. A matéria de capa da 1912, particularmente, é perfeita e irreprensível. Por isso derrubou Genoino. Ou seja, até eles sabem a diferença de quando acertam e de quando forçam a barra, como na 1956, quando foram cúmplices de Dantas em uma tentativa de armação de contas no exterior de Lula e alguns ministros, um episódio de quinta...

quinta-feira, março 15, 2007

Carta dos Guaranis contra a revista Veja

Os Guaranis estão entrando com uma representação no Ministério Público Federal contra a revista Veja, pedindo direito de resposta da matéria "Made in Paraguai", que questionava a criação de uma reserva indígena em Santa Catarina. Segue abaixo a carta que cacique Guarani enviou para a revista.

Nota dos Guarani

Terra Indígena Guarani de Morro dos Cavalos

13 de Março de 2007, Palhoça, Santa Catarina.


A: Revista VEJA, Editora Abril


Viemos por meio deste informar aos editores e responsáveis da Revista VEJA que toda a comunidade Guarani de Morro dos Cavalos está indignada e transtornada com a reportagem intitulada “Made in Paraguai”, publicada na Edição 1999, de 14 de março de 2007, páginas 56, 57 e 58, de autoria do jornalista José Edward Lima, em que é tratado o processo de Demarcação da Terra Indígena Morro dos Cavalos, Palhoça, Santa Catarina.

Estamos nos sentindo gravemente insultados e desrespeitados pelas calúnias e distorções escritas na matéria que contém racismo e imoralidade, difamando a autenticidade da História Indígena Guarani no Brasil. Nos sentimos também agredidos pela manipulação das informações cedidas em entrevista.

Além de destorcer nosso depoimento e o depoimento de nossos parentes, usaram de inverdades para justificar a reportagem. O reporter não teve o cuidado de conhecer um pouco mais a nossa história, o nosso território e a nossa luta pela terra. Bastaria ler o relatório circunstanciado de identificação e delimitação, que muita coisa iria ficar esclarecida, ele preferiu confiar em fontes pouco confiáveis, essa mesma fonte que há muito tempo vem ameaçando nossa comunidade. O repórter afirma que a TCU declarou inconsistente a “tese” da antropóloga: bastaria o repórter ter lido o Acórdão do TCU pra saber que o referido tribunal informa que não teve acesso a “tese”.

Por isso, exigimos o direito de resposta, nos termos do Art. 29 da Lei 5.250, de 9.2.1967, na mesma quantidade de espaço da citada reportagem, para podermos esclarecer à população brasileira a verdade sobre a História Indígena de Morro dos Cavalos.

Caso o pedido não seja atendido, seremos obrigados a recorrer a via judicial para defender nossa honra e esclarecer as verdades dos fatos.


Atenciosamente,

Artur Benite
Cacique

Matéria brilhante sobre etanol

De um jornalista brasileiro, Pepe Escobar, mas em inglês e publicado em um jornal chinês, o Asian Times... Sinal dos tempos. Mas o artigo é brilhante, ao cruzar os problemas sociais e ambientais da produção de cana-de-açucar as questões estratégicas e geopolíticas etc...Eu tenho algumas "adições". É improvavél que o etanol substitua o petróleo, totalmente, hoje ou amanhã. Ele nitidamente vai cumprir um papel de transição, e misturado a gasolina. Por isso, é viagem achar que ameaça a Venezuela ou demais produtores de petróleo de forma consistente hoje. Ou que seja o futuro.
O futuro energético, a aposta de longo prazo reside muito mais nas células de hidrogênio. Ou seja, o etanol será um ciclo, ainda que longo e lucrativo. A "mundialização" do etanol irá mudar as mãos da propriedade no interior de São Paulo, com risco de descapitalização em um segundo momento, já que os lucros gerados sairão de lá para os investidores distantes. Se não tomarmos cuidado, de donos da tecnologia e gestores viraremos as "maquiladoras" do etanol.
A outra questão é que hoje, a existência da taxa norte-americana é indiferente, porque há mercado para tudo que o Brasil exporta de etanol e qualquer coisa que o Brasil venha a produzir. Se eles não baixarem, vende-se para o Japão, União Européia etc...Caso ela caia, haverá o risco dos norte-americanos "engolirem" toda a produção interna, causando desabastecimento.
Não é necessariamente ruim o etanol promover desenvolvimento no Haiti e na América Central. Mas como o texto de Pepe aponta bem. é o velho modelo de quintal e plantation das relações EUA-AL.
Quanto ao "Brasil apostar em uma monocultura" é a questão daquela mentalidade: o país descobre algo e acha que isso vai ser uma espécie de solução mágica, seja petróleo, soja ou agora etanol. Quando não há solução mágica e tem que se investir acima de tudo em gente, e no mais diversos campos econômicos possíveis.
Se a vantagem comparativa dos custos de produção do país são tamanhas, seria sensacional aproveitar e crescer mesmo as exportações de etanol, cuidando para não sobrevalorizar o câmbio, não atrapalhar a produção de ambientes, e reparando com os recuros os custos sociais e ambientais de sua produção. Compartilhando com a sociedade os ganhos desta indústria, com impostos justos e principalmente com os cortadores de cana, com salários dignos. Infelizmente nosso histórico e presente como sociedade não é esse.
Uma curiosade tola passa pela minha cabeça: o que Cuba, historicamente produtora de cana-de-açucar, hoje um setor em crise na ilha, e historicamente dependente de combustível externo, acha desta história toda?

Justiça seja feita - 2

A Folha de S. Paulo corrigiu seu rumo, e escrevu um editorial focado e dando o nome aos bois do PSDB no caso do fracasso das suas gestões estaduais diante do problema da educação.
Para assinantes do UOL e da Folha, no link abaixo:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1503200701.htm

quarta-feira, março 14, 2007

Justiça seja feita...

Clóvis Rossi, na sua coluna de hoje, atacou o mesmo problema, dando nome aos bois, no caso, tucanos. Para assinantes da Folha

Os inocentes

Porque a imprensa atrapalha o PSDB - parte 1

Vou tentar começar a explicar a lógica infantil e tosca que me leva a crer que a imprensa prejudica o PSDB, PFL e afins. Ao não dispensar o mesmo rigor, espaço e grau de personalização que dá ao PT, ao criticar os governos destes outros partidos a imprensa grande se desqualifica, torna mais famoso o PT, seus políticos e secretários, ainda que na base do fale mal, mas fale de mim, e torna os governos tucanos e pefelês mais "acomodados", porque eles não são tão cobrados pelos seus erros, nem precisam fazer muitos acertos, promover muitas mudanças. Acaba que você mal conhece seus secretários, os elogios aos programas e gestão são superficiais, e a democracia perde com esta falta de informação. O ápice disto foi a exaltação da grande "gestão" de Alckmin, por FSP, Estado e Veja, sem que houvesse coisas concretas para se apontar como resultado desta suposta gestão brilhante. O que houve de concreto foi este despencando no buraco do metrô e a educação de São Paulo piorando nas avaliações. E o pressuposto da diferença de cobertura e simpatias não é duvidoso. Basta notar que havia um exército de setoristas na Câmara Municipal no governo Marta. Hoje os jornais não têm mais setoristas na Câmara. Por que? O que quero comentar é que cada vez mais acho que o PT acaba se beneficiando disso.

Bem, para pegar um exemplo de como a mídia cobre os governos tucanos, que eu só vi hoje, vou indicar não só por este motivo, o blog do gabinete da Soninha (tá certo, ela é do PT, mas é séria e crítica). Desce um pouco no blog até um post do dia 8 deste mês, onde ela analisa um editorial da Folha de S. Paulo sobre a educação no governo Alckmin. Vai lá: http://gabinetesoninha.zip.net/

terça-feira, março 13, 2007

Artigo interessante sobre política externa

Como o principal assunto do último VQP foi política externa, vale mencionar o artigo de Gilberto Maringoni, na Agência Carta Maior : Lula: sai o “ser OU não ser” e entra o “ser E não ser”. Como sempre, indicar um texto não significa concordar com tudo que está escrito nele. Principalmente sobre a questão do etanol, estou caçando tempo de fazer um breve resumo das questões mil levantadas pelos 2 mil texto sobre o "gigante adormecido" da energia renovável...Chávez X Bush, taxa norte-americana X não taxa, substituirá o petróleo ou não, boiás-frias X capital internacional, redução de carbonoX danos ambientais da monocultura, futuro do Brasil, volta do ciclo da cana-de-açucar ou todas as anteriores...o assunto levanta vários temas interessantes.

segunda-feira, março 12, 2007

Gil no New York Times

Matéria bem interessante, de Larry Rohter, sobre Gilberto Gil, sua carreira musical e a questão dos direitos autorais. Soube da matéria pela coluna Toda Mídia de Nelson de Sá, na Folha de S. Paulo, que faz um trabalho bem legal de cobrir novos temas e o que sai do Brasil no exterior. Ela acaba sendo um contraponto ao tom em geral niilista do jornal, ao mostrar também as repercussões e matérias positivas que saem sobre o país.

domingo, março 11, 2007

Faces, de John Cassavetes

Ainda está passando em São Paulo, em uma sessão de cinema a tarde no Cinesesc, o filmaço "Faces", de John Cassavetes. Pela economia de cenário e texto e atuação de atores fortíssimas, poderia se dizer que é um teatro filmado. Mas nada tão longe do que é. Decupagem, enquadramento, movimentação de câmera, é puro cinema. Com câmera na mão, poucos recursos de orçamento e fotografia despojada, poderia se dizer que é um filme simples, mas nunca se usou tão poucos recursos com tanta consciência e talento. A legenda portuguesa gera umas piadas involuntárias, mas mesmo assim, para quem puder ver é uma oportunidade incrível.

VQP - Agora e na hora de nossa morte

Seguem abaixo os trechos mais grosseiros do registro de duas mortes pela Veja. Grifei o pior no pior

Morreram: dom Ivo Lorscheiter, bispo de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Durante o regime militar, à frente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ele denunciou as torturas e os assassinatos de esquerdistas nos porões dos quartéis. Lorscheiter foi um dos principais defensores da Teologia da Libertação, uma excrescência saída da cabeça de padres ideólogos latino-americanos que tentava conciliar cristianismo e marxismo. (...)O bispo também apoiou a criação de bandos armados que, a pretexto de lutar pela reforma agrária, deram origem ao MST. Dia 5, aos 79 anos, de falência de múltiplos órgãos, em Santa Maria.

• o ensaísta francês Jean Baudrillard. Sociólogo de formação, ele ganhou fama escrevendo textos obscuros, muito populares nos cursos de semiologia. Baudrillard fazia arrepiar de entusiasmo o pessoal da pós-graduação, com seu papo-cabeça sobre a "virtualidade" do mundo contemporâneo. Dizia, por exemplo, que a Guerra do Golfo "não existiu". A trilogia cinematográfica Matrix faz menção a suas idéias. Talvez ele tenha sido mesmo um bom autor de ficção científica. Dia 6, aos 77 anos, de câncer, em Paris.

Sobre Lorscheiter, impressiona o detalhe de que ele foi contra a tortura e assassinato “de esuqerdistas”. E não contra a tortura e assassinato, ponto. Também a de que ele apoiou “bandos armados”, o que é uma passagem leviana e incompreensível. Olha, não tenho entusiasmo nenhum por Baudrillard, de quem li pouca coisa, e gostei menos ainda do que li. Mas o desprezo, a arrogância e estupidez das inovações “gráficas” da Veja, adepta de uma “estética da grosseria” que rola no jornalismo atual (com muitos outros adeptos por aí, e que tem sua matriz no neoconservaodirsmo by Rupert Murdoch nos EUA) que eu tenho muito dificuldade de apreciar. Se foi tão irrelevante, porque noticiar, e mais ainda, porque noticiar e tripudiar na hora de sua morte...

VQP - Os juros próprios

A matéria até que certinha da capa da Veja sobre financiamento para a casa própria, que até ouve Raquel Rolnik, do ministério das Cidades, não reconhece que foi uma alteração de regras impulsionada por este ministério que fez aflui recursos para o crédito imobiliário. Ao menos reconhece que a facilidade de acesso ocorre em parte pela queda dos juros. Financiamento da casa própria e investimentos em infra-estrutura são só duas das áreas que mostram como é doloroso e segura um país a existência de juros aberrantes a financiar um capital financeiro “funcionário público” que pendura seu paletó nas altas taxas da Selic. Veja ainda entrevista Hernando de Soto. A proposta de títulos de propriedade defendida por Hernando de Soto (e pelo Banco Mundial) mistura alguns elementos de reforma urbana de esquerda, ao regularizar e dar títulos de posse em áreas irregulares como favelas, com princípios legalistas e “ingênuos” de direita, e por isso mesmo, pode tanto melhorar a vida, se for feita com outros investimentos, como piorar ainda mais as condições dos mais pobres, ao elevar os custos de vida e tornar a própria a favela inacessível (o que de certa forma já ocorre hoje para alguns grupos). Uma crítica demolidora da proposta de Soto se encontra no livro de Mike Davis, Planeta Favela, publicado pela Boitempo Editorial (onde eu trabalho...). Mas é inegável que ela tem aspectos interessantes.

VQP - "Viagens" da política externas

A imprensa brasileira parece não se cansar de estar errada em suas análises de política externa. Lembram-se de como diziam que o “comando duplo” entre Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia ia dar errado? Como tentavam jogar um contra o outro? Bem, não deu errado e nunca bem houve um comando duplo (as funções eram diferentes), mas e daí? Agora, existe o “anti-americanismo” do Itamaraty, que convive, em estranha relação inversa de causa e efeito, com um bom momento da relação entre os dois países (não que esta tenha sido muito útil para alguma coisa, para nós ou para a Colômbia...). Duda Teixeira, na matéria da visita da Bush ao Brasil escreve o seguinte:

O outro propósito é dissipar os deslizes da diplomacia brasileira, que nos últimos quatro anos insistiu numa política ideológica de privilegiar a aproximação e o comércio com países pobres. "As circunstâncias externas atuais criaram um momento único em que o Brasil é de longe o país da região com a melhor relação com os Estados Unidos. Só precisamos aproveitar isso da melhor maneira possível", diz Roberto Abdenur, ex-embaixador do Brasil em Washington. “

Tá, tá: esta circunstância advém em parte do Brasil ter mantido diálogo aberto com os “radicais”, como Venezuela e Bolívia, diferente da Colômbia, e diferente do que propõem desde sempre os conservadores. Entre eles, Celso Lafer, ex-chanceler, que dá a seguinte declaração:

"As três bandeiras da diplomacia brasileira no primeiro mandato de Lula fracassaram", diz o ex-chanceler Celso Lafer. "Não conseguimos um lugar no Conselho de Segurança da ONU, a Rodada Doha não evoluiu e não avançamos na integração da América do Sul."

É o tipo de declaração que nos faz perguntar quais eram as bandeiras e o que conseguimos quando Celso Lafer era o chanceler dos pés descalços...Aliás como se estes objetivos fossem fáceis, rápidos e/ou dependessem apenas do Brasil. Parece que foi por causa do Itamaraty que não saiu rodada de Doha (piada 1), que um monte de países conseguiram intento simples de entrar no conselho de segurança (piada 2) e que antes, quando não havia plano de infra-estrutura e o Mercosul ainda estava pior do que hoje, a integração sul-americana andava melhor.

VQP - Juros, o gasto invisível

Na matéria “Eles vibram, nós pagamos” sobre a extensão da CPMF, Veja lista os seguintes gastos principais que o imposto ajuda a financiar: “O chamado ‘imposto do cheque’, ajuda a pagar o Bolsa Família, as pensões do INSS e até a folha de pagamento do governo.” Veja citou dois dos maiores gastos do governo, incluiu o Bolsa Família, que não é um dos maiores gastos do governo brasileiro mas que a irrita, e na mesma história de sempre, apagou o terceiro dos grandes gastos que fazem o estado brasileiro ser enorme e todo o status quo político depender da CPMF: a conta dos juros. Mas sabe como é, juros altos é para os ricos, Bolsa Família para os pobres...

VQP - Fortuna sólida como concreto

No “clipping” do grupo Votorantim, a Veja deve aparecer pelo menos por dois recortes: o presidente do grupo, Antonio Ermínio de Moraes, é o quarto homem mais rico do Brasil. E em uma matéria importante sobre o famoso cartel do cimento, pela participação do grupo nele, encarecendo todas as obras do país. Os custos estimados para economia brasileira da ação do cartel: 1,6 bilhão de reais. Ainda parece ser tabu no Brasil investigar empresas e setores da economia com o mesmo rigor que se investiga o Estado.

VQP - Perguntas que quase ofendem...

A entrevista das páginas amarelas é com Jim O´Neil, economista da Goldman Sachs que criou o termo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) para determinar os futuros gigantes da economia mundial. A entrevista é interessante, O´Neil inclusive fala sem hipocrisia de como é bom para o capitalismo global a China ser uma ditadura. Duas perguntas de Ronaldo França são engraçadas por trazer ficções estabelecidas pela revista como pressupostos. A primeira é essa, se referindo ao PAC (que aliás, levanta mesmo um monte de questões).

Veja – O governo brasileiro lançou um pacote de medidas que inclui idéias como o investimento governamental intensivo para alavancar o crescimento. Isso funciona?”

Não é bem isso. A maior parte dos investimentos do PAC são voltados para geração de energia, área que demanda grandes investimentos públicos. Senão não sai, independente de toda o papo de marco regulatório...Se não houver investimentos em geração e correção de gargalos na infra-estrutura de transportes o crescimento esbarrará em mais apagões...O PAC é tímido demais para receber este tipo de classificação da Veja. O que só mostra o obscurantismo radical da revista em certas posições. Como essa:

“Veja – Esquecer o mercado americano e apostar em comércio com os países pobres, opção de nossa diplomacia, atrapalha o crescimento?”

Como mostraram o caso da tarifa do etanol e a reunião da Fiesp com representantes do governo norte-americano semana passada (sem falar na OMC...), o buraco é muito mais embaixo. A colocação da Veja dá a impressão que tem algo sendo oferecido que estamos recusando. E não é assim. Onde somos muito mais competitivos que eles, há barreiras que eles não vão derrubar. E o governo não age contra entrar e lutar para crescer nos setores em que já vendemos. A posição da Veja, em relação aos Tratados de Livre Comércio (TLC) é nada mais que exaltar um conto do vigário onde o Brasil entregaria prioridade aos Estados Unidos, regras rígidas de propriedade intelectual e proteção aos investimento deles em troca de nada. Nada mesmo. Faz muito mais sentido o governo agir para estimular a abertura de novos mercados onde isto é difícil e necessita de apoio, do que abrir o mercado americano, país que fala em língua que o mercado domina, para onde há vôos regulares, mercado disputado por todos etc...Esta história de “temos que conquistar mais espaço nos Estados Unidos”, carece, fundamentalmente, de propostas e questões práticas.

VQP - Estado com caixa baixa

A carta ao leitor desta semana é toda dedicada a decisão da Veja de contrariar a gramática e passar a grafar Estado com letra minúscula. É engraçada. É o tipo de idéia que tem frutificado após a contratação de Reinaldo Azevedo, que já publicou na revista textos não assinados, e vez por outra, como esta semana, tem frases do seu blog na seção “Veja essa”.

quarta-feira, julho 13, 2005

REPORTAGEM SENSACIONAL

Porque a grande imprensa, revistas cheias de recursos, não fazem tantas matérias espetaculares como essa, interessantíssima, sobre a comunidade de imigrantes angolanos que vive no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. Publicada pela revista Problemas Brasileiros (taí uma publicação que nunca vai ter falta de pauta), de Maurício Monteiro Filho, trata da descoberta de um país, com toda a violência do tráfico de drogas, bem diferente do que aquele que os angolanos conheceram através das novelas da Globo:

Angolanos que fugiram da guerra enfrentam fogo cruzado

terça-feira, julho 12, 2005

CAIU DO CÉU

Ontem, o Caderno 2 (página D8) publicou texto e fotos maravilhados com a cantora Maria do Céu, que se apresenta nas noites de segunda-feira no Grazie a Dio, na Vila Madalena. Depois de uma noite com seu show, entendi o texto. O jornalista se apaixonou e se você não quer se apaixonar pela moça, não apareça por lá. Dona de voz e presença de palco maravilhosa, tem o canto das sereias, uma banda afiada que faz uma boa mistura de ritmos africanos, do samba e candomblé, ao afrobeat e funk. O curto show conquista. É muito bom ver algo que pode ir tão longe ainda em seu começo.