quarta-feira, março 14, 2007

Justiça seja feita...

Clóvis Rossi, na sua coluna de hoje, atacou o mesmo problema, dando nome aos bois, no caso, tucanos. Para assinantes da Folha

Os inocentes

Porque a imprensa atrapalha o PSDB - parte 1

Vou tentar começar a explicar a lógica infantil e tosca que me leva a crer que a imprensa prejudica o PSDB, PFL e afins. Ao não dispensar o mesmo rigor, espaço e grau de personalização que dá ao PT, ao criticar os governos destes outros partidos a imprensa grande se desqualifica, torna mais famoso o PT, seus políticos e secretários, ainda que na base do fale mal, mas fale de mim, e torna os governos tucanos e pefelês mais "acomodados", porque eles não são tão cobrados pelos seus erros, nem precisam fazer muitos acertos, promover muitas mudanças. Acaba que você mal conhece seus secretários, os elogios aos programas e gestão são superficiais, e a democracia perde com esta falta de informação. O ápice disto foi a exaltação da grande "gestão" de Alckmin, por FSP, Estado e Veja, sem que houvesse coisas concretas para se apontar como resultado desta suposta gestão brilhante. O que houve de concreto foi este despencando no buraco do metrô e a educação de São Paulo piorando nas avaliações. E o pressuposto da diferença de cobertura e simpatias não é duvidoso. Basta notar que havia um exército de setoristas na Câmara Municipal no governo Marta. Hoje os jornais não têm mais setoristas na Câmara. Por que? O que quero comentar é que cada vez mais acho que o PT acaba se beneficiando disso.

Bem, para pegar um exemplo de como a mídia cobre os governos tucanos, que eu só vi hoje, vou indicar não só por este motivo, o blog do gabinete da Soninha (tá certo, ela é do PT, mas é séria e crítica). Desce um pouco no blog até um post do dia 8 deste mês, onde ela analisa um editorial da Folha de S. Paulo sobre a educação no governo Alckmin. Vai lá: http://gabinetesoninha.zip.net/

terça-feira, março 13, 2007

Artigo interessante sobre política externa

Como o principal assunto do último VQP foi política externa, vale mencionar o artigo de Gilberto Maringoni, na Agência Carta Maior : Lula: sai o “ser OU não ser” e entra o “ser E não ser”. Como sempre, indicar um texto não significa concordar com tudo que está escrito nele. Principalmente sobre a questão do etanol, estou caçando tempo de fazer um breve resumo das questões mil levantadas pelos 2 mil texto sobre o "gigante adormecido" da energia renovável...Chávez X Bush, taxa norte-americana X não taxa, substituirá o petróleo ou não, boiás-frias X capital internacional, redução de carbonoX danos ambientais da monocultura, futuro do Brasil, volta do ciclo da cana-de-açucar ou todas as anteriores...o assunto levanta vários temas interessantes.

segunda-feira, março 12, 2007

Gil no New York Times

Matéria bem interessante, de Larry Rohter, sobre Gilberto Gil, sua carreira musical e a questão dos direitos autorais. Soube da matéria pela coluna Toda Mídia de Nelson de Sá, na Folha de S. Paulo, que faz um trabalho bem legal de cobrir novos temas e o que sai do Brasil no exterior. Ela acaba sendo um contraponto ao tom em geral niilista do jornal, ao mostrar também as repercussões e matérias positivas que saem sobre o país.

domingo, março 11, 2007

Faces, de John Cassavetes

Ainda está passando em São Paulo, em uma sessão de cinema a tarde no Cinesesc, o filmaço "Faces", de John Cassavetes. Pela economia de cenário e texto e atuação de atores fortíssimas, poderia se dizer que é um teatro filmado. Mas nada tão longe do que é. Decupagem, enquadramento, movimentação de câmera, é puro cinema. Com câmera na mão, poucos recursos de orçamento e fotografia despojada, poderia se dizer que é um filme simples, mas nunca se usou tão poucos recursos com tanta consciência e talento. A legenda portuguesa gera umas piadas involuntárias, mas mesmo assim, para quem puder ver é uma oportunidade incrível.

VQP - Agora e na hora de nossa morte

Seguem abaixo os trechos mais grosseiros do registro de duas mortes pela Veja. Grifei o pior no pior

Morreram: dom Ivo Lorscheiter, bispo de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Durante o regime militar, à frente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ele denunciou as torturas e os assassinatos de esquerdistas nos porões dos quartéis. Lorscheiter foi um dos principais defensores da Teologia da Libertação, uma excrescência saída da cabeça de padres ideólogos latino-americanos que tentava conciliar cristianismo e marxismo. (...)O bispo também apoiou a criação de bandos armados que, a pretexto de lutar pela reforma agrária, deram origem ao MST. Dia 5, aos 79 anos, de falência de múltiplos órgãos, em Santa Maria.

• o ensaísta francês Jean Baudrillard. Sociólogo de formação, ele ganhou fama escrevendo textos obscuros, muito populares nos cursos de semiologia. Baudrillard fazia arrepiar de entusiasmo o pessoal da pós-graduação, com seu papo-cabeça sobre a "virtualidade" do mundo contemporâneo. Dizia, por exemplo, que a Guerra do Golfo "não existiu". A trilogia cinematográfica Matrix faz menção a suas idéias. Talvez ele tenha sido mesmo um bom autor de ficção científica. Dia 6, aos 77 anos, de câncer, em Paris.

Sobre Lorscheiter, impressiona o detalhe de que ele foi contra a tortura e assassinato “de esuqerdistas”. E não contra a tortura e assassinato, ponto. Também a de que ele apoiou “bandos armados”, o que é uma passagem leviana e incompreensível. Olha, não tenho entusiasmo nenhum por Baudrillard, de quem li pouca coisa, e gostei menos ainda do que li. Mas o desprezo, a arrogância e estupidez das inovações “gráficas” da Veja, adepta de uma “estética da grosseria” que rola no jornalismo atual (com muitos outros adeptos por aí, e que tem sua matriz no neoconservaodirsmo by Rupert Murdoch nos EUA) que eu tenho muito dificuldade de apreciar. Se foi tão irrelevante, porque noticiar, e mais ainda, porque noticiar e tripudiar na hora de sua morte...

VQP - Os juros próprios

A matéria até que certinha da capa da Veja sobre financiamento para a casa própria, que até ouve Raquel Rolnik, do ministério das Cidades, não reconhece que foi uma alteração de regras impulsionada por este ministério que fez aflui recursos para o crédito imobiliário. Ao menos reconhece que a facilidade de acesso ocorre em parte pela queda dos juros. Financiamento da casa própria e investimentos em infra-estrutura são só duas das áreas que mostram como é doloroso e segura um país a existência de juros aberrantes a financiar um capital financeiro “funcionário público” que pendura seu paletó nas altas taxas da Selic. Veja ainda entrevista Hernando de Soto. A proposta de títulos de propriedade defendida por Hernando de Soto (e pelo Banco Mundial) mistura alguns elementos de reforma urbana de esquerda, ao regularizar e dar títulos de posse em áreas irregulares como favelas, com princípios legalistas e “ingênuos” de direita, e por isso mesmo, pode tanto melhorar a vida, se for feita com outros investimentos, como piorar ainda mais as condições dos mais pobres, ao elevar os custos de vida e tornar a própria a favela inacessível (o que de certa forma já ocorre hoje para alguns grupos). Uma crítica demolidora da proposta de Soto se encontra no livro de Mike Davis, Planeta Favela, publicado pela Boitempo Editorial (onde eu trabalho...). Mas é inegável que ela tem aspectos interessantes.

VQP - "Viagens" da política externas

A imprensa brasileira parece não se cansar de estar errada em suas análises de política externa. Lembram-se de como diziam que o “comando duplo” entre Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia ia dar errado? Como tentavam jogar um contra o outro? Bem, não deu errado e nunca bem houve um comando duplo (as funções eram diferentes), mas e daí? Agora, existe o “anti-americanismo” do Itamaraty, que convive, em estranha relação inversa de causa e efeito, com um bom momento da relação entre os dois países (não que esta tenha sido muito útil para alguma coisa, para nós ou para a Colômbia...). Duda Teixeira, na matéria da visita da Bush ao Brasil escreve o seguinte:

“O outro propósito é dissipar os deslizes da diplomacia brasileira, que nos últimos quatro anos insistiu numa política ideológica de privilegiar a aproximação e o comércio com países pobres. "As circunstâncias externas atuais criaram um momento único em que o Brasil é de longe o país da região com a melhor relação com os Estados Unidos. Só precisamos aproveitar isso da melhor maneira possível", diz Roberto Abdenur, ex-embaixador do Brasil em Washington. “

Tá, tá: esta circunstância advém em parte do Brasil ter mantido diálogo aberto com os “radicais”, como Venezuela e Bolívia, diferente da Colômbia, e diferente do que propõem desde sempre os conservadores. Entre eles, Celso Lafer, ex-chanceler, que dá a seguinte declaração:

"As três bandeiras da diplomacia brasileira no primeiro mandato de Lula fracassaram", diz o ex-chanceler Celso Lafer. "Não conseguimos um lugar no Conselho de Segurança da ONU, a Rodada Doha não evoluiu e não avançamos na integração da América do Sul."

É o tipo de declaração que nos faz perguntar quais eram as bandeiras e o que conseguimos quando Celso Lafer era o chanceler dos pés descalços...Aliás como se estes objetivos fossem fáceis, rápidos e/ou dependessem apenas do Brasil. Parece que foi por causa do Itamaraty que não saiu rodada de Doha (piada 1), que um monte de países conseguiram intento simples de entrar no conselho de segurança (piada 2) e que antes, quando não havia plano de infra-estrutura e o Mercosul ainda estava pior do que hoje, a integração sul-americana andava melhor.

VQP - Juros, o gasto invisível

Na matéria “Eles vibram, nós pagamos” sobre a extensão da CPMF, Veja lista os seguintes gastos principais que o imposto ajuda a financiar: “O chamado ‘imposto do cheque’, ajuda a pagar o Bolsa Família, as pensões do INSS e até a folha de pagamento do governo.” Veja citou dois dos maiores gastos do governo, incluiu o Bolsa Família, que não é um dos maiores gastos do governo brasileiro mas que a irrita, e na mesma história de sempre, apagou o terceiro dos grandes gastos que fazem o estado brasileiro ser enorme e todo o status quo político depender da CPMF: a conta dos juros. Mas sabe como é, juros altos é para os ricos, Bolsa Família para os pobres...

VQP - Fortuna sólida como concreto

No “clipping” do grupo Votorantim, a Veja deve aparecer pelo menos por dois recortes: o presidente do grupo, Antonio Ermínio de Moraes, é o quarto homem mais rico do Brasil. E em uma matéria importante sobre o famoso cartel do cimento, pela participação do grupo nele, encarecendo todas as obras do país. Os custos estimados para economia brasileira da ação do cartel: 1,6 bilhão de reais. Ainda parece ser tabu no Brasil investigar empresas e setores da economia com o mesmo rigor que se investiga o Estado.

VQP - Perguntas que quase ofendem...

A entrevista das páginas amarelas é com Jim O´Neil, economista da Goldman Sachs que criou o termo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) para determinar os futuros gigantes da economia mundial. A entrevista é interessante, O´Neil inclusive fala sem hipocrisia de como é bom para o capitalismo global a China ser uma ditadura. Duas perguntas de Ronaldo França são engraçadas por trazer ficções estabelecidas pela revista como pressupostos. A primeira é essa, se referindo ao PAC (que aliás, levanta mesmo um monte de questões).

“Veja – O governo brasileiro lançou um pacote de medidas que inclui idéias como o investimento governamental intensivo para alavancar o crescimento. Isso funciona?”

Não é bem isso. A maior parte dos investimentos do PAC são voltados para geração de energia, área que demanda grandes investimentos públicos. Senão não sai, independente de toda o papo de marco regulatório...Se não houver investimentos em geração e correção de gargalos na infra-estrutura de transportes o crescimento esbarrará em mais apagões...O PAC é tímido demais para receber este tipo de classificação da Veja. O que só mostra o obscurantismo radical da revista em certas posições. Como essa:

“Veja – Esquecer o mercado americano e apostar em comércio com os países pobres, opção de nossa diplomacia, atrapalha o crescimento?”

Como mostraram o caso da tarifa do etanol e a reunião da Fiesp com representantes do governo norte-americano semana passada (sem falar na OMC...), o buraco é muito mais embaixo. A colocação da Veja dá a impressão que tem algo sendo oferecido que estamos recusando. E não é assim. Onde somos muito mais competitivos que eles, há barreiras que eles não vão derrubar. E o governo não age contra entrar e lutar para crescer nos setores em que já vendemos. A posição da Veja, em relação aos Tratados de Livre Comércio (TLC) é nada mais que exaltar um conto do vigário onde o Brasil entregaria prioridade aos Estados Unidos, regras rígidas de propriedade intelectual e proteção aos investimento deles em troca de nada. Nada mesmo. Faz muito mais sentido o governo agir para estimular a abertura de novos mercados onde isto é difícil e necessita de apoio, do que abrir o mercado americano, país que fala em língua que o mercado domina, para onde há vôos regulares, mercado disputado por todos etc...Esta história de “temos que conquistar mais espaço nos Estados Unidos”, carece, fundamentalmente, de propostas e questões práticas.

VQP - Estado com caixa baixa

A carta ao leitor desta semana é toda dedicada a decisão da Veja de contrariar a gramática e passar a grafar Estado com letra minúscula. É engraçada. É o tipo de idéia que tem frutificado após a contratação de Reinaldo Azevedo, que já publicou na revista textos não assinados, e vez por outra, como esta semana, tem frases do seu blog na seção “Veja essa”.

quarta-feira, julho 13, 2005

REPORTAGEM SENSACIONAL

Porque a grande imprensa, revistas cheias de recursos, não fazem tantas matérias espetaculares como essa, interessantíssima, sobre a comunidade de imigrantes angolanos que vive no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. Publicada pela revista Problemas Brasileiros (taí uma publicação que nunca vai ter falta de pauta), de Maurício Monteiro Filho, trata da descoberta de um país, com toda a violência do tráfico de drogas, bem diferente do que aquele que os angolanos conheceram através das novelas da Globo:

Angolanos que fugiram da guerra enfrentam fogo cruzado

terça-feira, julho 12, 2005

CAIU DO CÉU

Ontem, o Caderno 2 (página D8) publicou texto e fotos maravilhados com a cantora Maria do Céu, que se apresenta nas noites de segunda-feira no Grazie a Dio, na Vila Madalena. Depois de uma noite com seu show, entendi o texto. O jornalista se apaixonou e se você não quer se apaixonar pela moça, não apareça por lá. Dona de voz e presença de palco maravilhosa, tem o canto das sereias, uma banda afiada que faz uma boa mistura de ritmos africanos, do samba e candomblé, ao afrobeat e funk. O curto show conquista. É muito bom ver algo que pode ir tão longe ainda em seu começo.

quinta-feira, julho 07, 2005

FUNK CARIOCA GOES GLOBAL...

O caminho do pleo qual o funk carioca está dominando o mundo, por Claúdia Assef, na revista Beatz...

Planeta Funk

quarta-feira, junho 08, 2005

PARÓDIA HILÁRIA DE STARW WARS...

Neste site tem uma excelente "versão" de Star Wars (em inglês), "interpretado" por vegetais. É a batalha dos vegetais orgânico contra o lado negro da "The Farm". Luke Skywalker é um pepino e Darth Wader uma batata: http://www.storewars.org

segunda-feira, maio 23, 2005

SOBRE AL-JAZEERA

Texto interessante, em inglês, sobre o projeto de canal global, em inglês, da rede Al Jazeera.

Watch Out World: Al-jazeera Is Going Global

sexta-feira, maio 13, 2005

2 DICAS SENSACIONAIS

De frente para o crime - Reportagem do jornalista Sérgio Costa sobre Bem-te-vi, o líder do tráfico na Rocinha. Entre a calçada do chopp do Bracarense e o bar da favela com pistolas e maconha ao redor, um texto sensacional daqueles que só a insani-cidade do Rio sob fino olhar e pena podem proporcionar.

Filme de areia - Crítica de Ricardo Calil ao filme Casa de Areia de Andrucha Waddington. O filme vinha recebendo aquelas críticas que dão voltas, meio burocráticas, entre o simpático e o medo da poderosa panelinha. Estava precisando mesmo era uma crítica direta, sem rodeios, dizendo o que pensa mesmo. Cada dia mais fã do sujeito... Se fosse reeditar a Realidade, colocava Pedro Alexandre Sanches para cobrir música, e o Calil para cobrir cinema.

terça-feira, maio 03, 2005

DICAS DE LEITURA DO nominimo

Fazia tempo que não lia o nominimo. Li e "roubarei" os melhores links-textos do site. Divirtam-se

Sobre como dinheiro público pode escorrer por entidades sem fins lucrativos. O caso é no Rio de Janeiro, mas a adusp (www.adusp.org.br) vem estudando o tema faz tempo:

A Fesp é uma festa de Xico Vargas

A Censura sabia o que fazia Sensacional texto de Ricardo Calil, sobre livro que deve ser igualmente ótimo, sobre pesquisa hiper-pertinente sobre a atuação da censura contra o cinema brasileiro. Imperdível.

Ronda cinematográfica: filmecos Mario Sergio Conti comenta em breves notas suas últimas idas ao cinema


Tchau, Romário. Alô, Kerlon de Roberto Benevides, a profusão de craques brasileira encontra no drible da foca de Kerlon, os brasileiros mais uma vez reinventam o jogo...

Bom Dia, Arte Sou fã de Ricardo Calil, que aqui escreve sobre o filme Bom dia, noite , que ainda quero ver.