quarta-feira, setembro 01, 2004

Jornalistas movem cinco mil ações trabalhistas em SP

por Débora Pinho e Priscyla Costa* Consultor Jurídico Tempos difíceis As empresas jornalísticas de São Paulo respondem a 5.408 reclamações trabalhistas movidas por seus ex-empregados. Desde 2001, foram demitidos pelo menos três mil jornalistas no estado, segundo o presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Fred Ghedini. Muitas dessas demissões, afirma ele, foram convertidas em outro tipo de contratação. O jornalista trabalha como empregado, mas recebe como pessoa jurídica. O desemprego e a avalanche de reclamações trabalhistas resultam da crise pela qual passam as empresas. A vertiginosa queda no volume de anúncios publicitários quebrou a espinha dorsal das empresas. No caso mais recente, o Jornal do Brasil, a Gazeta Mercantil e o InvestNews deflagraram uma onda de demissões, que deve atingir 80 funcionários das redações espalhadas pelo país. A Folha de S. Paulo também passou a tesoura na folha de pagamento no mês passado. Foram 200 demissões. A crise desemboca direto na Justiça do Trabalho. Anteriormente, o mesmo ocorreu em O Estado de S.Paulo, na revista Época, nas Organizações Globo e em quase todas as empresas do setor. O fenômeno afeta a capacidade noticiosa da imprensa, tende a reduzir a quantidade e a qualidade das notícias e atenta contra o inciso XIV do artigo 5º da Constituição Federal, onde "é assegurado a todos o acesso à informação". Avalanche de ações A revista Consultor Jurídico fez um levantamento no Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo de processos movidos por ex-empregados de empresas de comunicação. A Gazeta Mercantil lidera o ranking de ações trabalhistas com 1.853 reclamações.
O segundo lugar fica para a Rede TV, que herdou diversos pepinos da TV Manchete. A emissora tem 876 ações e discute na Justiça se é ou não sucessora da dor de cabeça. O jornal O Estado de S. Paulo está em 3º lugar com 850 processos. A Editora Abril aparece na 4ª colocação com 454. E o SBT está em 5º lugar com 216 reclamações. (Veja o ranking das 15 empresas de comunicação mais acionadas) O levantamento do TRT paulista é referente a processos da capital, da Grande São Paulo e da Baixada Santista -- maior parte em primeira instância e alguns em segunda instância ou até mesmo no TST. A pesquisa exclui da base de dados os processos arquivados, devolvidos, transferidos, cancelados e incompletos. Os números levantados pela revista ConJur podem apresentar diferença quando confrontados com dados das empresas, já que na estatística também são computadas as cartas precatórias referentes a ações de outros estados. No ranking não é considerado o número de empregados das empresas. Em baixa O jornalista Alberto Dines lembra que a imprensa perde qualidade com a crise. "As empresas de comunicação começam a contratar terceirizados que trabalham por tarefa contrariando o espírito jornalístico", diz. Segundo ele, o jornalista precisa ser "full time" e essa terceirização acaba com o jornalismo como atividade integral. Para Dines, a baixa qualidade do jornalismo acaba mascarando o padrão de exigência de alguns leitores, que não percebem mais os erros -- porque se acostumam com eles -- e passam a não exigir o bom jornalismo. Outros leitores encontram outro caminho quando percebem a queda de qualidade: trocam de jornal. Inferno astral O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo cuida de cerca de 600 processos trabalhistas e atende, em média, 350 jornalistas por mês. No último relatório feito há um ano, o Sindicato tinha colecionado 102 decisões favoráveis e oito derrotas em primeira e segunda instâncias. A advogada do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Silvia Neli dos Anjos Pinto disse que 90% dos casos que chegam à entidade são sobre vínculo empregatício. "O empregado é contratado como pessoa jurídica e trabalha como subordinado. Na hora em que é demitido, a empresa jornalística o trata como pessoa jurídica para evitar pagar direitos trabalhistas", disse. A advogada tem notado uma tendência pior nos últimos cinco anos nas reclamações trabalhistas. Antes, a maior briga de jornalistas era por horas extras. Hoje, a falta de vínculo empregatício é o principal problema, de acordo com ela, apesar de o pagamento de horas extras continuar na lista de reclamações. O diretor executivo da Associação Nacional de Jornais, Fernando Martins, se manifestou sobre o assunto. "Suponho que o vínculo empregatício não deva ser um grande problema para os donos de empresa, que nunca trouxeram esse debate para a ANJ", disse. Confira a classificação das empresas, o número de ações e o que dizem os advogados

1º lugar -- Gazeta Mercantil -- 1.853 "A Gazeta Mercantil passa por um processo de reestruturação desde o final do ano passado. A empresa vem compondo seu passivo gradativamente, ou seja, fazendo acordos na medida do possível para poder honrar seus pagamentos. Ela precisa de um prazo maior para pagar os débitos trabalhistas porque também tem uma série de obrigações cotidianas. O tombo da Gazeta Mercantil é maior porque é o maior jornal. Assim, o fluxo de caixa gera um buraco maior. A Gazeta Mercantil tem o maior volume de processos trabalhistas porque é o mais antigo. Há vezes em que, mesmo com o pagamento dos direitos, o empregado recorre à Justiça. A maior parte dos processos da Gazeta Mercantil é de gráficos que querem horas extras e verbas rescisórias complementares". (Jeremias Alves Pereira Filho, advogado da Gazeta Mercantil.)

2º lugar -- Rede TV -- 876 "A Rede TV tem hoje 105 processos com acordos em andamento e 231 já pagos. Existem 540 ações trabalhistas contra a TV Ômega. Desse total, há 248 processos da TV Manchete e 292 da Rede TV. A questão sucessória da TV Manchete está sendo discutida na Justiça. Em Barueri, a 1ª Vara entende que a TV Ômega não é sucessora da TV Manchete. Já para a 2ª Vara, a TV Ômega é sucessora. Há decisões de segunda instância nos dois sentidos. A Rede TV tem hoje radialistas, jornalistas e empregados que trabalham em função administrativa. Radialistas e jornalistas têm jornada de trabalho flexível. É difícil o controle de jornada pela empresa. Essa jornada flexível leva jornalistas e radialistas para a Justiça para reivindicarem horas extras. Há banco de horas informalmente, mas a Justiça não o reconhece. E não existe entendimento da empresa e sindicatos para se chegar a um consenso sobre o assunto. Também há advogados que exageram e fazem os trabalhadores pedirem mais do que têm direito para aumentar seus próprios honorários em caso de vitória. Em alguns casos, chegam a pedir 30% de honorários". (Betina Calenda, advogada do departamento jurídico da Rede TV)

3º lugar -- O Estado de S.Paulo - 850 "O grande acréscimo de processos trabalhistas ocorreu porque tivemos de encerrar várias terceirizações, esse ano, principalmente na área de distribuição. São processos movidos por empregados de distribuidoras. Desses processos, somente 5% são de jornalistas que pedem horas extras. A empresa tem contratos em que pactua 5 ou 7 horas diárias. O número de ações na Justiça do Trabalho aumentou porque, antigamente, as pessoas tinham receio de entrar com processo na Justiça. Hoje, o empregado já sai com essa predisposição. E isso é incentivado pela própria Justiça do Trabalho, que não tem sucumbência. O empregado aceita correr qualquer risco e o que vier é lucro. Há reclamações absurdas, às vezes." (José Luiz dos Santos, advogado do departamento jurídico trabalhista do jornal O Estado de S. Paulo)

4º lugar -- Editora Abril -- 454 O escritório Tozzini, Freire, Teixeira e Silva, responsável pela área trabalhista da Editora Abril, preferiu não se manifestar sobre o assunto.

5º lugar -- SBT -- 216 "Não são 216 ações e sim 137 que tramitam na Justiça desde 1996 até este ano. São referentes a horas extras e acúmulos de funções. Com certeza, o SBT não ocupa o quinto lugar no ranking". (Ulda Toledo, assessora de imprensa do SBT)

6º lugar -- Rádio e TV Record - 215 "Não temos 215 reclamações trabalhistas e sim 155 ações ativas. As reclamações trabalhistas mais comuns de funcionários da TV são sobre diferenças de horas extras. A Record sempre pagou todos os direitos e verbas trabalhistas de seus empregados. A maioria das reclamações movidas pleiteia diferenças de horas extras (no entendimento dos reclamantes), ou seja, verbas controversas que dependem de prova pelos reclamantes". (Simone Cosme, diretora Jurídica e de RH da TV Record)

7º lugar -- Editora Globo -- 203 A advogada da Editora Globo, na área trabalhista, Amanda Marim de Oliveira, não quis se manifestar sobre o assunto. Alegou que as informações são sigilosas.

8º lugar -- Rádio e TV Bandeirantes -- 178 O escritório Camargo de Moraes Assessoria e Consultoria S/C -- que representa a TV Bandeirantes na área trabalhista -- não se manifestou até o fechamento desta edição.

9º lugar - Folha de S.Paulo - 145 "Pelo número de funcionários, é normal que a Folha responda 145 processos. A maioria das ações é de funcionários das empresas que prestam serviços para a Folha e o jornal entra no pólo passivo. Os outros são de funcionários que pedem horas extras, como operadores de telemarketing, por exemplo, ou jornalistas que querem vínculo empregatício e equiparação salarial".(Reginaldo Carlos de Araújo, gerente geral de relações trabalhistas e sindicais do departamento jurídico da Folha de S. Paulo).

10º lugar -- TV Gazeta - Fundação Casper Líbero - 145 O departamento jurídico da TV Gazeta não quis se manifestar sobre o assunto.

11º lugar -- TV Cultura - 132 "O departamento jurídico da Fundação Padre Anchieta apurou 100 ações, entre o período de 8 a 10 anos. Pelo número de funcionários, aproximadamente mil, a demanda de ações é completamente normal. Dessas ações, 70% dos casos pedem reintegração. Mesmo assim, a Fundação Padre Anchieta, em primeira instância, foi vencedora em todas elas". (Osmar Franco, advogado do departamento jurídico da Fundação Padre Anchieta).

12º lugar -- TV Globo - 98 O escritório Robortella Advogados -- que representa a área trabalhista da TV Globo -- não se manifestou até o fechamento desta edição.

13º lugar -- Editora Três - 32 O departamento jurídico da Editora Três preferiu não se manifestar sobre o assunto.

14º lugar -- MTV - 6 "Essa classificação é uma vitória. Isso significa que a MTV é uma empresa absolutamente correta. São 200 funcionários efetivos. Três desses processos são de funcionários terceirizados e a MTV acaba entrando como pólo passivo. Os outros são da área de engenharia -- câmera e pessoas responsáveis pela parte elétrica -- ou ainda funcionários contratados para projetos especiais como acústico, programas de verão que, na maioria das vezes, pedem vínculo empregatício. Mesmo assim, em 2003 e 2004, a MTV não sofreu nenhuma condenação". (Lara Andrade, advogada do departamento jurídico da MTV Brasil).

15º lugar -- Valor Econômico - 5 "O Valor Econômico sempre tentou ter 100% de seu quadro de funcionários regidos pela CLT. O departamento jurídico do Valor, junto com o departamento de recursos humanos, sempre tomou cuidado com todas as áreas, inclusive as terceirizadas e por isso busca a contratação mais correta. Para isso, trabalha diretamente com toda as áreas do Valor Econômico explicando as regras e os possíveis riscos de uma contratação. Isso acaba limitando o número de ações trabalhistas. Das cinco ações que o Valor responde no TRT-SP, um ou dois casos são de funcionários que pedem a revisão de um benefício que alegam não ter recebido. As demais são ações do quadro de terceirizados e o Valor acaba entrando como segunda ré da ação. Durante os quatro anos de Valor Econômico, nenhum jornalista processou a empresa". (Daphne M. Sancovsky, diretora de assuntos jurídicos e de recursos humanos do Valor Econômico).

*Débora Pinho é editora-chefe e Priscyla Costa é repórter da revista Consultor Jurídico Publicado originalmente na Revista Consultor Jurídico, 27 de agosto de 2004 Fonte: O Jornalista

ELEIÇÕES 2004 – SAMPA – A IMPARCIALIDADE E EU

PARTE 1 – LUGAR É DONDE ESTÁ E DONDE SE VÊ O MUNDO
Prometi semana passada, cabe cumprir, escrever sobre as eleições 2004, antes que seja tarde e as mesmas passem. Não tenho como ser, ou vestir a camisa do “imparcial”. Criamos uma situação onde a eleição se torna o espaço onde justamente não pode haver debate político. De um lado, o discurso publicitário do bom mocismo, da busca do centro, da não ofensa ou da ofensa sistemática, de dizer o que querem ouvir. De outro a ficção da imparcialidade jornalística que tenta se colocar acima, mas não só não se coloca, como por fim nega a legitimidade das diferenças de projeto, dos diferentes interesses de acordo com classes sociais e questões específicas, e do conflito entre esses. No fundo, embora creiam ser, publicidade e (in)certo jornalismo, antagônicos, andam de mão dadas, completam-se e em parceria escondem, e repito, deslegitimam as disputa reais que estão em jogo nesta eleição de São Paulo. Esmagam o dissenso.


Prefiro tentar vestir a honestidade das minhas dúvidas, opiniões, posições e relações. E daí explicar os porquês dos meus porquês, na eleição majoritária e para o legislativo, assim como o senão e os limites das minhas posições. E aí, espero ser mais maduro que a palhaçada média. Vou começar da minha posição.

Tenho relações com o atual governo do PT. Lembro que na época do Pitta, não conhecia ninguém que trabalhasse na prefeitura. E que quando ia a debates que discutiam a cidade, não havia representação da mesma, e que muitas vezes o debate se dava como se a prefeitura fosse uma entidade isolada inacessível. E não eram estes debates necessariamente tocados por pessoas de esquerda. Terceiro setor e universidade se sentiam assim. A prefeitura não tinha legitimidade. Nem ela queria fazer parceria, nem as pessoas queriam ter com ela.

Hoje conheço várias pessoas que trabalham na prefeitura. Da minha geração do movimento estudantil universitário, grande parte dela trabalha em governos ou gabinetes do PT, muitos na prefeitura. Obviamente isso influi na minha percepção do governo. Tanto porque são pessoas próximas (minha irmã trabalha em um projeto da prefeitura na área de Teatro) como por achar que são pessoas que realmente poderiam e deveriam estar trabalhando na área pública, e que tem emprego e até onde sei trabalham de fato, como eu também de fato trabalhei quando estive em um gabinete de vereador na liderança de governo. São pessoas que se optassem por outro caminho na vida, uma carreira de mercado, profissão de mercado, certamente seriam bem sucedidas.

Você pode saber onde uma dessas pessoas trabalha pela crítica que as mesmas tem da área de governo onde trabalha, que não funciona da forma ideal, da falta de capacidade para lidar com todas as imensas demandas da cidade. Ou seja, provavelmente a maioria deles não acha este governo perfeito. E de fato, não é. Por exemplo, não quero dizer, ou fazer parecer, que todos os indicados na prefeitura tenham o mesmo perfil, ou que não tenha problemas nas indicações. Estou falando do grupo que tenho contato. Ao mesmo tempo sei que há pessoas indicadas que se divertem gabando-se de trabalhar pouco, o que pode ser verdade ou galhofa. As coisas são complexas, ainda mais na gestão de uma máquina de milhares de pessoas, cada uma delas em si, complexa. O moralismo extremo e em geral histérico gerou à esquerda o mito do “PT perfeito” e à direita desboca no autoritarismo, e/ou na facção de direita, se é que hoje ainda é facção, do PSDB paulista

Quero pular fora deste primeiro ponto, que não é tão importante e um tanto enfadonho, mas quis iniciar para “resolvê-lo” e seguir em frente. Acho que existe, dentro de um governo muito maior e questões muito maiores, um grupo grande de pessoas que com falhas e senões, tem uma visão de função pública e tentam fazê-la valer. Talvez valesse mais ter essas pessoas construindo opções melhores e formas melhores de políticas públicas de longo prazo a partir da crítica, ou pressionando o governo através da oposição. Talvez não sejam jovens com difusos ideais de esquerda tentando acumular experiência e aplicá-los nas oportunidades possíveis, mas sim jovens burocratas acomodados na máquina porque não tem coragem de um enfrentamento mais radical. Talvez um pouco dos dois, ou depende da régua, nada é tão simples.

Saí do governo por opção própria, para ganhar um salário bem menor, e não tenho intenção de voltar. Meu trabalho era puramente político, parte do embate sem um papel público direto, mas com o indireto de “escudar” o governo que até meus amigos de fundo anarquistas que certamente anularão o voto, conseguiram ter parcerias e diálogo em projetos com os telecentros. Mas não era o que queria para mim. É inegável, que comparado ao descrédito do governo Pitta, houve na gestão Marta uma recuperação da mesma como instituição.

PARTE 2 – PARA ONDE

Por mais que eu discorde do governo, e por mais que ache limitado o papel do voto, e limitante a democracia passiva que se traduz apenas no voto, há uma situação concreta com conseqüências concretas para muita gente.

Eu simplesmente tenho mais simpatia e identificação por projetos de esquerda, ainda que hoje a esquerda não tenha grande simpatia por si mesma. Vou evitar o “saúde, educação, emprego”, que ocupam o discurso de todos os lados, ninguém no discurso vai se opor à isso, ainda que na prática o faça, e que em todos os partidos pouco se empenham e compram as brigas necessárias para conseguir estes objetivos. As polêmicas são assim mais interessantes. No caso de São Paulo, por esquerda, impostos progressivos ao invés de incentivos fiscais, para que estes financiem ações sociais, prioridade para equipamentos de saúde e educação na periferia, não a privatizações, instrumentos diversos (conselhos, coordenadorias) de participação popular, transparência, moradia no centro da cidade, diálogo e discernimento na questão (urbanização e geração de renda) das favelas, combate à especulação imobiliária, planejamento urbano como instrumento de desenvolvimento, mais espaço para o transporte público contra o carro particular, valorização do espaço público e independência em relação aos interesses econômicos, baseando seu apoio político na população. Fora valorização real de saúde, educação e políticas de emprego e vocação econômica. Ah, e um governo que tenha coragem de enfrentar a visão egoísta e empedernida que a classe média e alta tem da cidade.

O governo Marta significou isso? Pouco, parcialmente, e muitas vezes foi o contrário disso. O segundo governo Marta vai ser melhor nisso? Sinceramente, acho que não. Quando se vê uma proposta como o “CEU Saúde”, que nasce da cabeça não de especialistas e movimentos de saúde, mas de um publicitário e que depois o governo vai ser obrigado a implantar, seja boa ou seja ruim, isso é sinal do que o PT está se transformando e transformando seus processos internos, para cada vez pior.

Mas há uma situação concreta e uma opção concreta do PSDB do outro lado. Para confrontar o PT, o PSDB cada vez mais se aproxima da direita (vide o Secretário de Segurança do estado) e goza de imunidade perante a imprensa, o que cria um ótimo ambiente para autoritarismos, escândalos e pouca prestação de contas. Vou dar dois exemplos. O governo Alckmin cansou de anunciar que iria construir um centro de formação de jovens onde funcionava a Casa de Detenção do Carandiru. Um belo dia disse que não ia mais fazer isso e deixaria ali apenas uma área verde, o que seria mais “útil”. E claro, bem mais barato para o governo. Saiu só uma matéria e nenhum editorial, nem questionamentos, nem pressão quanto a essa mudança de rumo. Imagina se o governo Marta faz como fez Gabriel Chalita, e adultera uma pesquisa para só serem divulgados os resultados positivos da rede de ensino estadual, escondendo os dados negativos?
Erundina não se viabilizou como uma opção de esquerda, sequer como voto de protesto. Sua opção pelo PMDB é um caso claro onde a soma política do dinheiro do Quércia com o nome respeitado de Erundina dá zero. Um anula o outro. E a própria Erundina adotou um discurso confuso que atira ora para um lado, ora para o outro, em um dos casos mais surpreendentes de desorientação política.

É nesse tipo de encruzilhada que nos deixa e nos limita o voto e ação política a ele relacionada. Por isso que a democracia, mesmo a limitada atual, vai e tem que ir muito além dele, quanto mais além do voto no majoritário. Semana que vem, ponderações sobre o papel e até que ponto pode contribuir um voto bem calculado para vereador (pequeno guia de passos para escolher o seu) e os limites do voto, da representação e da espera e “fé” que acompanham este modelo de democracia.

Já da parte 3, o seguinte comentário. Compare o romance “Ensaio sobre a lucidez”, o mais recente de José Saramango, onde o autor a partir de sagaz observação da atualidade cria um romance que questiona a falência da democracia, onde o povo, ao constatar a falta de opção, e que o poder real não se encontra nas mãos dos políticos, mas do poder econômico, não vota e os brancos e nulos ganham de qualquer partido versus a neurótica e desesperada campanha “Choose or Loose” (escolha ou perca) nas reprises do Vídeo Music Award da MTV americana, que a brasileira está reprisando (entre outros horários, sexta 21 hs) e que implora para que jovens americanos se registrem para votar (obviamente só em duas opções quase iguais, democratas ou republicanos). Durante o show do Outkast, mais do que mostrar um dos melhores grupos do mundo, o diretor de imagem focava o banner da campanha. Desespero total diante de falta de legitimidade, e do vazio político X opções de consumo.

SEMANA (S) QUE VEM
PARTE 3 - O EX-PAPEL (HOJE A URNA É ELETRÔNICA) LIMITADO DO VOTO
PARTE 4 – PARA ALÉM DO VOTO E DESTA ELEIÇÃO (PÓS PT)
PARTE 5 - PEQUENO GUIA TÁTICO PARA VOTAR EM VEREADOR
PARTE 6 - NÃO TEM PARTE 6


CURTAS
- Seleção de músicas fossa: começa com “For no One” dos Beatles, segue com “Testamento” de Vinícius e Toquinho, chega no fundo com “Espelho” de João Nogueira e Paulo César Pinheiro e “Vai saudade” de Humberto Teixeira, interpretação da Velha Guarda da Portela (porque no fundo do poço mora o samba). E sai, ou tenta-se sair dela patinando no atoleiro em “Não tem nada não” de João Donato, Marcos Valle e Eumir Deodato (trinca de ases).

- Parece que o Simoninha, o Max de Castro, a Maria Rita, o Jairzinho, a Luciana Mello, o Davi Moraes, a Bebel Gilberto, a Preta Gil, o Pedro Camargo Mariano, Moreno Veloso, o SNZ, Wanessa Camargo, Léo Maia, Sandy e Júnior (tenho certeza que devo estar esquecendo de alguém) vão se reunir, como no clip de “We are the world”, em um imenso coral para uma regravação de “Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais” de Belchior. Ainda que eu ache que não era isso em que ele estava pensando quando fez a música.

- Muitos acima devem ser gente finíssima, mas fazendo música é triste, outros tem até umas canções legais, outros ainda são puro negócios, outra parece até reencarnação, mas quem diria que a MPB, que veio para ser democrática e popular, haveria de virar oligarquia?

- Grande filho é o Donatinho, o “garoto-prodígio e seu teclado estratosférico”, que acompanha a banda do seu pai, o genial João Donato. Toca muito.

- Das Olimpíadas deixo como sugestão ao Comitê Olímpico Brasileiro a idéia de gerar atletas antes mesmo do berço, programados para serem imbatíveis. Por exemplo: imagina a geração de cinco filhos nascidos de Daiane dos Santos com Roberto Carlos. Um pequeno ser de puro par de coxas, seriam as mais potentes pernas da história da humanidade. Se menina executaria o quádruplo twist muito mais que carpado, que carpa é peixe pequeno, pirarucuado, ao som de brasileirinho remixado pelo DJ Marky Marky, nos 350 bpms. Se menino correria o salto com barreira pulando duas de cada vez, e depois aproveitaria o pique final para cobrar uma falta chutando a pelota a 120 km por hora, marcando 1x0 no futebol olímpico. Só por favor não me cruzem o Galvão Bueno com o Datena para narrar isso que o ouvido da gente não güenta não.

DICAS DE LEITURA

Ainda no campo da música o caderno Mais! Publicou interessante série de textos sobre seus rumos. Aponta para vários lados, e traz opiniões e visos diversas, por isso mesmo é bem legal.
Era uma vez uma canção – entrevista com TinhorãoFina estampa – entrevista com Luiz TatitA MPB do B – resenha sobre série de livros “Decantando a República” Remix de autor - artigo de Hermano Vianna, antropólogo e irmão do Herbert

- Da entrevista com Tinhorão Marcelo Coelho extraiu este texto sobre o mesmo, o discurso politicamente correto e o publicitário o que tem um pouco a ver com o meu texto acima: Tinhorão
- E próximo ao tema, Fernando Gabeira, sobre as relações entre a cultura brasileira e estrangeira. Alguma coisa entre Pelé e a Mulher-Gato

- Nostalgia e inveja. Estas sãos as minhas impressões pessoais ao ler o texto “Hay Bush, soy contra” de Adriana Maximiliano, cobrindo as manifestações contra a convenção republicana em Nova York. Nostalgia do meu trabalho cobrindo os protestos em Praga, o qual o estilo do texto tanto me lembrou. Inveja, porque desde Gênova que eu não queria tanto estar cobrindo um protesto novamente quanto estes nos EUA. E frustração, por não ter dado continuidade ao trabalho. Bem, ao menos resta a satisfação de já ter feito um trabalho assim e de ler uma reportagem muito bem escrita, que nos transporta para lá, com personagens e links para os impagáveis sites de protesto. O texto é excelente e faz o que eu espero ter conseguido fazer em meu livro. Porque os jornais não publicam um texto assim, a não ser que seja traduzido de um veículo estrangeiro?

- Este é “o” cabra. Um tremendo jornalista. Xico Sá, no nominimo, de Juazeiro do Norte e Vale do Jaguaribe, em matéria de texto sensacional sobre pistoleiros no interior do Ceará.
A era da pistolagem high-tech

- Do mesmo nominimo O conselho obsoleto, por Pedro Doria. O texto talvez seja um pouco exagerado, mas acho que o sentido, ao analisar o proposto Conselho Federal de Jornalismo X a Internet e seus blogs, está correto. Eu penso às vezes se não deveria me organizar ou, melhor, já ter me organizado faz tempo, partindo do Veja Q Porcaria, (ah, as reminiscências inúteis em torno do passado...) para me profissionalizar nessa direção.

- Dan Wetzel é um colunista americano de esportes do site Yahoo. Foi cobrir as olimpíadas. Seus textos são bem conservadores, para dizer o mínimo, do ponto de vista político. Mas ele escreveu um belo texto sobre a final de futebol feminino, sobre o time do Brasil. É óbvio que o texto puxa um pouco a patriotada ao dizer que Mia Hamm inspirou meninas no Brasil, mas está acima disso ao olhar e dizer que “o futuro” do futebol feminino, e o melhor time, foi o Brasil.
The sincerest form of flattery

- Eu sei que algumas indicações que faço andam estranhas, de autores cujo o conjunto da obra é um tanto complicado. Mas há textos e textos, e textos que acertam. Vou indicar por exemplo um de Gilberto Dimenstein, pessoa que já disse que haveria uma nova versão do conflito de classes não mais entre capital e trabalho mas sim entre trabalhadores de carteira assinada versus trabalhadores informais (sic, muito sic). O que acho ser uma bobagem imensa, Mas este texto, especificamente, achei correto.
Prioridade de Serra à saúde é social ou eleitoral?

DICAS DE CINEMA (em cartaz, em SP, ainda que em horários esdrúxulos)

- Sherk 2 – Que vergonha... Assisti ao filme faz tanto tempo, gostei tanto, e esqueci de indicar aqui. Hilário e muito bem feito, para rir muito. Isso é filme para criança?

- Igual a tudo na vida - O novo filme de Woody Allen segue a pegada dos recentes filmes do diretor. Não tem como errar ao assisti-los. São todos muito bons. Este talvez seja até o melhor desta safra, com o subtexto existencial por detrás do humor. O ator Jason Biggs, faz um jovem “Allen”, o seu personagem típico que a dublagem da Globo dá aquela voz ridícula, um escritor de comédia judeu no início de carreira. Allen faz seu alter ego mais velho, cético e paranóico. Entre frases geniais e piadas inteligentes em cima de piadas inteligentes, beleza, fotografia, trilha sonora, planos e atuações excelentes encaixadas com a discreta perfeição orgânica de um “anti-Olga” (a julgar pelo trailer). Inclusive uma das melhores piadas do filme, é quando o personagem judeu paranóico diz ao jovem “Você não quer morrer em um filme preto-e-branco ao som de violoncelos”.

- Fahrenheit 11/9 – O documentário de Michael Moore pode ter uns problemas menores de ignorar algumas informações, mas você sai muito mais informado do que desinformado sobre o governo Bush após vê-lo. Apesar da dica, adiciona-se aqui crítica pertinente de Demétrio Magnoli ao filme... Filme de Michael Moore abomina a história

- Histórias mínimas –Grandíssimo filme, dica um pouco acima das outras. Na imensidão da Patagônia, três histórias se cruzam. A de um velho em busca de seu cachorro e de perdão, a de uma jovem em busca de um prêmio e do glamour da televisão, e de um caixeiro viajante em busca do amor. Um filme muito delicado é belo, sobre histórias que acontecem muito mais na imaginação dos personagens do que na realidade.

- Bicicletas de Belleville – Animação francesa genial e maluca sobre uma avó e um cachorro que partem para salvar o neto ciclista raptado. Caramba, será possível que todo o filme atualmente seja crítico dos EUA?

- Diários de Motocicleta – Bem, muito já foi dito sobre este filme, e eu até pensei em ressuscitar uma entrevista que fiz com a filha do Che Guevara e que nunca foi publicada. Talvez o faça. Mas enfim, é uma bela viagem pela América do Sul, as locações e a atuação dos atores são emocionantes. Mas não consigo deixar de achar curioso, apenas isto, que um filme tão “esquerda-católica-socialista-latino-americana” (vide P&B a lá Sebastião Salgado no filme) tenha sido feito por um banqueiro. Eu não consigo desgarrar minha cabeça deste tipo de incógnita, por mais inúteis que elas sejam...


quinta-feira, agosto 26, 2004

TRIVIAL VARIADO

- Frase “Devo, não pago, nego quando puder”.

- Sobre a guerra Veja X Isto É. Não tenho tempo nem para deixar os papelotes no ritmo e jeito que eu quero, quanto mais para analisar as alegações de ambas a fundo. A Veja cita com a grosseria habitual quantidade cavalar de fatos em sua defesa, mas há de se notar o peso da Editora Abril na história e nas declarações e a matéria tem teor de contra-ataque, muito mais que auto-defesa. Aliás é curioso como a agressividade da revista da Abril aumenta quando ela está errada (como em um caso ocorrido com o site nominimo anos atrás). E é fato que a Isto É tem problemas aparentemente recorrentes com venda de matérias, como Veja diz. Mas fiz um boletim ao longo de um ano chamado Veja Q Porcaria que pegou toneladas de erros factuais, sem falar de matérias editorializadas desprovidas de base em qualquer fato, e nunca me chamaram para fazer parte desta perfeita equipe de checagem (o que me deixa um tanto magoado), ou me faz crer que a mesma deve ser as vezes ignorada...Cabe registrar que a fama dela é de realmente ser muito boa. Se, segundo a Veja, a carreira do pivô da história, o jornalista Lula Costa Pinto, foi de repórter brilhante a assessor de imprensa, marketeiro e lobista, a minha está indo de repórter e crítico de mídia medíocre para assessor de imprensa desatento e DJ razoável, logo não tenho muito o que falar. Não tenho em mãos as edições da época, nem fiz o trabalho de reportagem necessário para dizer quem está certo. Nestes casos sempre gosto de (me) lembrar que diante de dois lados em conflito há de se abandonar à tentação do maniqueísmo de achar que um lado é bom e o outro é ruim. Posso dizer que o entregador da Isto É aqui em casa é pior do que o da Veja e tem a mania de jogar a revista para ser estraçalhada pelas minhas cachorras. O que esta história toda irresponsavelmente me lembra, é de um caso que ouvi de uma tribo indígena, cuja tradição diz que quando nascem gêmeos, um será bom e o outro ruim. Como a mãe não tem como saber qual será o ruim, e não pode ter a responsabilidade de trazer uma pessoa ruim para compor a tribo, ela mata os dois.

- Esta ocasião talvez seja interessante aproveitar de forma aleatória, Frases que anotei de uma entrevista que o Roberto Civita deu ao Jô Soares, por ocasião dos 35 anos de Veja, e que tinha anotado para um livro que faria, mas decidi fazer outras coisas da vida:
1) “O leitor não nos paga para contarmos mentiras”.
2) “Nós publicamos toda a carta que provar que nós erramos”.
3)Eu me envolvo em dois momentos durante a semana: a pauta na segunda, e a reunião final, quando passa a pauta e discute a capa e a carta ao leitor”.
4)”A palavra, tem que ser a palavra certa”.

O mundo se cansou de brincar com a oposição venezuelana

Um daqueles engodos típicos da imprensa 'neutra"está chegando ao fim. A simpatia à oposição ao Presidente Chávez na Venezuela. Era retratada como democrática, mesmo depois dela ter dado um golpe de estado, que fracassou. Era retratada como responsável economicamente, mesmo depois de uma greve geral de meses com o objetivo de derrubar o governo, que também fracassou. Achava que não teria um plebiscito que aconteceu, e no qual perdeu. Agora não admite o resultado, contra todos os observadores internacionais. O presidente venezuelano tem sorte e boa visão política. Primeiro foi a reação do povo e de setores militares que fez fracassar o golpe. Depois Lula se elegeu no Brasil, e concedeu uma base de apoio à Chávez, principalmente durante a greve (locaute) geral e estabelecendo um equilíbrio, canal de diálogo e apoio externo (para isso a eleição na Argentina contribui também).
Depois Aznar e os conservadores perderam na Espanha, e a oposição venezuelana perdeu seu segundo maior aliado externo (o primeiro é o governo dos Estados Unidos). Finalmente, Chávez, que no início do seu mandato trabalhou na Opep para aumentar o preço do petróleo, com a disparada do produto passou a ser fator para a estabilidade dos preços. O mundo cansou da briga, e com o barril em mais de 45 dólares, decidiu ser pragmático. A alta do preço do petróleo ajudou Chávez nas duas pontas: permitiu financiar seu programa político e ser tolerado pelo Financial Times, Bush etc... De fato, não tinha como se contar com sua astúcia....Lógico que há muito de política interna nesta história, mas isso não deixa de ilustrar um certo "efeito borboleta". Um sabotador em Nadjaf tendo efeito na oposição venezuelana. Veja por exemplo, em relação à oposição, o que diz e a linguagem em que fala, esta matéria do El Pais sobre o plebiscito: Oposição venezuelana continua esperneando


- Sobre o Conselho federal de Jornalismo, o texto de Maurício Tuffani analisando as mudanças que o governo fez no projeto : A canetada e a tesourada (lembrando que é só pedir que mando qualquer material aqui citado por e-mail). Na minha opinião, para melhorar a imprensa e em um sentido mais amplo a comunicação, duas medidas são muito mais importantes que este cartório ou tribunal especial. Uma seria a instituição da clausula de consciência nos contratos coletivos de trabalho ou através de lei, medida que o sindicato de SP ganhou na justiça em relação aos funcionários de Rádio e TV, e que depois desistiu dela em acordo principalmente com a Globo. A clausula de consciência é uma defesa, tênue, mas que dá embasamento legal a jornalistas que se recusem a fazer ou assinar matéria que firam sua ética, e é uma importante defesa para construção de uma independência da área editorial das questões políticas e comerciais da empresa em que ela está. A segunda seria a regulamentação da propriedade impedindo monopólios construídos sobre abuso de poder econômico (Globo na TV aberta e fechada) ou através de propriedade cruzada de várias mídias (Sirotsky no sul do país, Sarney no Maranhão, ACM na Bahia, Collor nas Alagoas etc...). Nenhuma destas medidas está sendo defendida de fato pela atual direção da FENAJ que prefere batalhar para aumentar seu poder com o CFJ sobre os fracos (os jornalistas individualmente) do que comprar uma briga contra os poderosos, que estão no congresso ou nas empresas de mídia e barram estas duas medidas muito mais úteis para a liberdade de expressão. Diriam ser impossíveis de serem aprovadas no Congresso. Então tem de se perguntar porque o CFJ seria possível.


- Negando o sentido de urgência que queria imprimir, eu também esqueci de citar que neste momento onde todos falam de liberdade de expressão e dos erros de Veja e Isto É´s da vida, a maioria não menciona o caso do jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto, criador e editor do Jornal Pessoal, um exemplo de bom jornalismo e liberdade de imprensa realizados na raça e na prática, condenado pela justiça por ter publicado uma matéria correta contra a maior grilagem\invasão de terras do pais, promovida pela empresa C.R. Almeida. Quem quiser receber o manifesto\informações sobre o caso, peça-me que envio por e-mail


- Sobre Olga: Ainda não consegui ver o filme (leia abaixo frustração por não ter visto Sganzerla). Vi o trailer, e achei engraçado que o trailer é tão careta que além de ser cronológico, é exatamente o filme, do começo ao fim, do conflito familiar por ser comunista na Alemanha, passando por ser mandada ao Brasil e seu envolvimento com Prestes, prisão, separação da filha, ao fim no campo de concentração. Taí o filme em dois minutos. E o que se pode julgar pela amostra é que tem a sutileza de linguagem de um Galvão Bueno (tudo é dito, redito e explícito), e aquele tom permanente de “épico histórico”. Fico feliz de termos uma indústria de cinema para criticarmos, porque é uma evolução no país, isso é o legal do filme, além de ser uma história digna de ser popularizada. Mas deve ser um filme com pretensões comerciais ponto, e de um gênero melodramático de virar o estômago. Vou assistir, mas deve ser chato pra caramba.


- Sobre os vereadores calados do PT na capital paulistana, a brincadeira é que é a lei “Rui Falcão” – vereador bom é vereador quieto.


- Nelson Jobim, que vem sendo citado como astro-luz da idéia do conselho Federal de Jornalismo, é uma daquelas figuras superpoderosas (no caso, nos três poderes) e interessantíssimas da república. Só na semana passada, como presidente do Supremo Tribunal Federal, passou por cima de decisão de colega e permitiu leilão de áreas de exploração de petróleo, agradando os mercados. Depois, recebendo o elogio\ato falho de José Genoíno (como o homem é capaz de se enforcar tanto com a própria língua?) de ter posto o Supremo “nos eixos”, ao passar por cima da lei tendo em vista a “situação econômica”, e permitindo a cobrança de contribuição previdenciária de funcionários públicos já aposentados (uma sandice). Novamente agradando os mercados. Estamos falando do mesmo sujeito que como presidente do Tribunal Superior Eleitoral, presidiu o processo da última eleição, que foi Ministro da Justiça de FHC por anos, e que como deputado constituinte esteve envolvido em alterações clandestinas de texto da constituição de 1988. Depois de dividir apartamento com José Serra, hoje junto com Nizan Guanaes (que aderiu ao Taleban), Henrique Meirelles (o novo ministro intocável, que vergonha...), entre outros, é praticamente um “neo-petista”. Vai ser poderoso assim lá em Brasília...

- Trecho de matéria do Valor Econômico com o presidente do grupo Silvio Santos, Luiz Sebastião Sandoval. Entre outras grosserias, que revelam a crueza das pessoas envolvidas com comunicação no país, tem esta pérola da admissão do abuso do uso de concessões públicas para alavancar negócios próprios, o que deveria configurar abuso de poder econômico. Para quem quiser, envio o texto completo por e-mail.
“A meta é chegar a dez milhões de cartões de crédito em dois anos. Os cartões se destinam a pessoas com renda familiar de até R$ 1.200. ‘Este segmento é consumidor de comida e combustível. E é um bom pagador, tem a menor inadimplência. Além de tudo é o consumidor de nossos produtos.’
O crescimento deve ser rápido na visão do grupo, pois ele tem como arma importante a comunicação do SBT. ‘Esse é o diferencial nosso negócio’, explica.”

DICAS DE LEITURA

- Kennedy Alencar sobre os patéticos sonhos de poder de grupos de cacique (todos de dentro da corrente “Articulação” de São Paulo) que hoje ditam o compasso e parte das disputas dentro do PT. Ainda que o título seja típico do mundo de futricas e veneno dos corredores da política é para guardar e se divertir no futuro, porque raramente estes planos conseguem sobreviver aos imprevistos da vida.
"Projeto Gabão" é o tema da hora no PT

Erika Campelo entrevista José Saramago na Agência Carta Maior. Como sempre, muito bom.
Saramago questiona a ilusão do mundo democrático

- Folha de terça-feira
Pedro Alexandre Sanches em texto primoroso sobre as gravações da obra-prima Elis&Tom, em lançamento de CD remasterizadas por César Camargo Mariano pela gravadora Trama, do filho de Elis João Marcelo Bôscoli. Muito bonito mesmo.

Só tinha de ser com você

Cesar Mariano orientou reconstrução

- Folha de domingo

Para o debate interno (dentro de mim) "PT e pós PT", vale muito esta entrevista de Fernando Gabeira, ainda que seja um triste fim se pegar apoiando César Maia.Mas diz algumas verdades conferidas por este in loco, ou in louco. Uma das respostas mais interessantes é esta:
"Existe uma vontade deles de se perpetuar no poder. Ficou muito claro que, ao chegarem ao governo, eles descobriram, deslumbrados, que o mais importante é ficar no governo e secundário o que será feito com o país. A sucessão de frases como as do José Dirceu - "a principal tarefa é a reeleição de Lula"- ou do próprio Lula -de querer saber como ficar 37 anos no governo- mostra isso. Eram pessoas que viviam como uma certa dificuldade e de repente encontram esse universo de ascensão material. A presidência para o Lula é uma ascensão material. Ele desfruta de recursos e possibilidades materiais muito maiores do que quando estava na oposição.Em primeiro lugar, eles vão tentar canalizar o que puderem de excedente para um trabalho social que mantenha as populações mais pobres na condição de clientes. Em segundo lugar, vão utilizar toda a força que têm -a sedução ou a ameaça- para garantir que a mídia os consagre. Na mídia, eles não dão tanta importância aos jornais. Dão à TV. Vão tentar essa manobra do pão e circo. Até que ponto vai dar certo, vai depender da capacidade deles"

Gabeira revê 79 e ataca "sonho burguês" do PT

Política e desbunde: Cultura da época destampou panela de pressão

Tanga original não era lilás nem de crochê

- Para o mesmo debate, texto de Fábio Konder Comparato: Dois escândalos e uma proposta

- Muito o PSDB tem criticado a política multilateral de Lula, e houve também algumas matéria da Veja a questionar o que o Brasil ganha se relacionando com países do Terceiro Mundo. Bem, na prática dos ganhos de exportação e do modelo de inserção brasileiro na economia mundial, sem nada de “terceiro mundismo” ou socialismo, ao contrário muito capitalista, ganha muito, como mostra esta matéria de Raquel Landim para o jornal Valor Econômico.
Múltis usam o Brasil como base de exportação à África

A publicação de trechos ou mesmo do papelote inteiro é permitida, desde que discutida com o autor. No caso querer receber os papelotes semanalmente via e-mail, mande um e-mail para assinar-papelotes@grupos.com.br, ou cadastre-se na página http://www.grupos.com.br/grupos/papelotes.

quinta-feira, agosto 19, 2004

AUTO-OTÁRIOTARISMO


Três diferentes iniciativas, ainda não implementadas, do governo federal, geraram reações em torno de uma possível “escalada autoritária” do Governo Lula/PT. Seriam as criações do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ), da Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav) e a criação de um “código de ética”, que limitaria o direito do servidor de falar com a imprensa.
Antes queria dizer algo que tem muito a ver com todo o resto do texto e deste caso. Como cidadão, mas também da minha experiência passada como assessor de imprensa ligado ao PT e ao governo Marta Suplicy, um dos motivos que ainda me faz votar nela é a ferrenha oposição da imprensa, em particular da Folha de S. Paulo. Querida Folha, olha que ironia. De tanto bater, prefiro suas críticas ranhetas e livres, muitas vezes acertadas, outras tantas injustas ou apenas bobas, do que o cabresto voluntário diante de governos do PSDB, como o do Geraldo Alckmin. O PT te odeia, “você” (como se ambos fossem um ser) odeia o PT. Isso é democracia. Contém embate, ainda que longe de ser amplo e da melhor maneira possível, ou mesmo um debate honesto. Mas não é um consenso estúpido. Eu prefiro um PT sob pressão que um PSDB livre leve e solto para privatizar a Sabesp aos poucos, destruir a TV Cultura, ou ainda um PT sob as asas gentis da mãe Globo.Mas voltando mais diretamente ao assunto...
Quem achar que às três iniciativas recentes fazem parte de um plano coordenado de controle da imprensa pelo governo, certamente superestima, e muito, a coragem e capacidade organizacional e intelectual da gestão Lula.
Os projetos nasceram de fato de lugares mais ou menos próximos, e parte do PT realmente tem uma cultura autoritária, como é até certo ponto inerente a qualquer partido e governo, ainda mais quando piorar neste sentido é a triste tendência internacional. Mas as iniciativas são “coisas” bem diferentes e sua simultaneidade ocorre por coincidência. O governo encampou o projeto da Federação Nacional de Jornalista (FENAJ), por trabalho interno, entre outros, de Ricardo Kotscho, assessor de imprensa do Planalto, sem dimensionar a reação. E paralelo, ficou pronta a proposta do Ministério da Cultura de reforma do setor audiovisual. A simultaneidade reforçou a oposição aos dois projetos, uma por dinheiro (Ancinav), outra ideológica (CFJ). A primeira deve sobreviver alterada. A segunda deve ser engavetada, e talvez volte à baila mais adiante, mas acho que vai lá para o fim da fila, para o fundo da gaveta.
Como sou contra duas destas e acho uma deles importante, mas com ressalvas, lembro mais uma vez como é difícil o debate conviver não só na apatia, mas também no seu extremo oposto, na histeria. E o ritmo do mundo parece histérico...Por exemplo, vejo a capa da Veja, “a tentação autoritária”, e lembro que a revista defende, não critica nem considera autoritária, a autonomia do Banco Central, que é tirar a macroeconomia (juros, câmbio, regulamentação e fiscalização dos bancos) da esfera da democracia representativa, deixá-la para um conselho que não responde à sociedade. Isso não seria autoritário?
Proibir servidores de darem informações à imprensa é uma bobagem, uma violência. Tem que se qualificar o que é informação sigilosa e o que informação de interesse público. Uma já é restrita por natureza. A outra deveria ser o mais acessível possível, de formas não apadrinhadas, mas padronizadas. No espaço entre as duas, o servidor ter o direito de exprimir opiniões, percepções etc...
O Conselho Federal de Jornalismo é uma bobagem infinita, provavelmente criada para acomodar burocraticamente os novos burocratas do sindicalismo, a parte ornitorrinco desta classe. Embora a grande imprensa se oponha a ele pelos motivos errados, e baseadas em um conceito distorcido de liberdade de imprensa, que poderia ser traduzido como liberdade de empresa-vale tudo, a iniciativa para mim é nosense.
Primeiro por querer regular e restringir o que não deve ser restrito. Sou a favor da regulamentação para as empresas de comunicação, particularmente de radiofusão, sua propriedade, especialmente a cruzada, e que esta tem que ter um fim social, mas não para a liberdade de expressão. Nem para o exercício dela. Os crimes do jornalismo já estão previstos no Código Penal.
Segundo quando se compara o Conselho à Ordem dos Advogados, ou aos Conselhos de Medicina, Engenharia e Arquitetura, enfim, aos “profissionais liberais”. Jornalistas, principalmente os que exercem a profissão na grande imprensa, tem que cair em si de que não são “profissionais liberais”, com seu escritoriozinho e relativa independência, mas que sim executam um trabalho intelectual associado a uma estrutura industrial. Em outras palavras, um tipo de operário, com mais em comum do ponto de vista da estrutura da profissão com um metalúrgico do que com um advogado ou um médico.
Deste decorre o outro erro do conselho. Que é concentrar a punição no jornalista, ignorando as estruturas e vícios das empresas, como se pode ver agora com a revelação do caso Ibsen Pinheiro, 11 anos depois, que o buraco é mais embaixo, em cima e por todos os lados. Há um contexto e um cenário que este projeto de Conselho ignora.
Falando muito melhor que eu, o amigo e especialista na matéria, João Brant:

“1) A primeira é o fato de que se inverte o foco da regulação, das empresas para os jornalistas. Um dos grandes problemas da lei de imprensa é justamente o fato de responsabilizar não necessariamente a empresa, mas o editor, nos processos judiciais. E agora corremos o risco de oficializar que o problema está no jornalista, e não na empresa. Claro que a proposta não coloca o CFJ como espaço de controle dos meios de comunicação, mas essa questão fica meio nublada. Para a Fenaj não é essa a abordagem principal, mas sim o fato de poder controlar o processo de certificação. E aí vem o segundo ponto.
2) A luta histórica pelo controle público tem como princípio o fato de que a comunicação é um processo de interesse de toda a sociedade, e não apenas dos "especialistas". Se isso é verdade, então deixar na mão apenas de nossos pares as questões profissionais me parece uma incoerência. Deixando claro: para mim, é controle público para mediar o processo de regulação dos meios de comunicação (que é o principal, responsabilizando a empresa pelas questões fundamentais) e justiça comum nos casos que forem de justiça. O processo de certificação (que certamente significa também de "descertificação") significa dar a um conselho de "notáveis" o poder de julgar se você cumpriu ou não com a ética da profissão (o que para mim é uma armadilha. Nessa hora fico com o Cláudio Abramo e a ética do carpinteiro...). Isso enfraquece a própria entidade representativa, porque não é ela a responsável por esse processo diretamente, e passa a imagem de que a questão da comunicação se resolve separando os bons dos maus jornalistas, uma falsa dicotomia”.
A hipocrisia maior das empresas, que não tem dúvidas de exercer a sua “tentação autoritária” contra seus funcionários no dia-a-dia , se revela no projeto da Ancinav, e a oposição que recebeu, particularmente da Globo, que usou e abusou de “dirigismo” para mover seus canhões contra o projeto
A Ancinav mexeu no vespeiro de interesses poderosos, como aqueles que asseguram mercado para qualquer filme produzido nos Estados Unidos nas salas de exibição e na TV brasileira, impedindo, em conchavo com esta, que dê vazão, e olha que quando exibe tem boas audiências, de toda a produção nacional, assim como censurando a entrada da produção de outros países.
O que está se discutindo aí, não negando que o projeto tenha problemas, é a possibilidade de avanços e de posicionamento do país na produção audiovisual, reforçando o nosso cinema além da Globofilmes e melhor estruturando a produção independente para a TV. E é boa esta TV? Não, e é uma concessão pública, tem que cumprir um mínimo de papel público, não pode servir apenas de instrumento de sinergia midiática para alavancagem de capital. “Trata-se de afirmar ou não afirmar a capacidade do Brasil de ser um criador, um produtor e um difusor de conteúdos audiovisuais próprios.” – disse o ministro e músico Gilberto Gil, em histórico discurso na USP, que quem quiser, eu envio...Como se diz, o governo apanha quando erra e apanha ainda mais quando acerta. Outro texto interessante sobre o tema foi o da coluna de Luis Nassif, no sábado, também sobre este tema.
De todo este barulho, vê-se que se nossa liberdade de expressão, de informação, de comunicação democrática, depender das empresas, que tem pouco ou nenhum interesse nela, ou dos governos, que também pouco tem, estamos, para usar a palavra correta, fodidos. Não creio que a solução mágica e definitiva venha de um ou de outro, ou mesmo do embate deles, ou apenas de leis, ainda que estas e estes façam parte do debate, são poderosos, não possam ser ignorados, e podem ajudar ou atrapalhar. Mas a liberdade na comunicação vem das nossas atividades, no cotidiano de cada um de nós, jornalistas, leitores, espectadores, ativistas etc... É uma liberdade que não pode vir por procuração e não se constrói só na teoria. Ela acontece, e só acontece no momento em que nos movemos e testamos seus limites, de forma organizada ou entrópica. Ela é a sua liberdade, nossa liberdade, não dos Frias, dos Civita, dos Lulas, dos Gushikens, dos Jabás. E como será que esta anda?

FIM
PS: Poucos meses atrás aconteceu o processo de eleição da FENAJ. Participei apoiando a oposição à atual diretoria. Ninguém deu pelotas. Parecia um “não-assunto”. Perdemos. Hoje um dos assuntos então em jogo está aí na cara de todo mundo.
PS2: Talvez o melhor texto sobre tudo isso seja o de Tutty Vasquez. Hilário
PS3: Se o governo quer reforçar uma mídia livre e com orientação social, o melhor a fazer seria reformular a Radiobrás, tornando-a uma empresa de comunicação pública autônoma, com estatuto missão abrangente e mais recursos, presidente com mandato fixo, independente do governo e um conselho gestor com participação da sociedade civil, nos moldes da BBC...
PS4 e chega: Todo este barulho sobre governo e liberdade de imprensa, mas para a Cultura se desmilinguindo, e a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo querendo cortar ainda mais verbas da TV, contratando consultoria privada para isso, a imprensa não está muito aí.

segunda-feira, julho 12, 2004

Frase

Era um relógio muito à frente do seu tempo.

domingo, julho 11, 2004

SÃO PAULO MALUF

Na segunda-feira, dia 5 de julho, o candidato do Partido Progressista à prefeitura de São Paulo, o ex-prefeito Paulo Maluf, protagonizou uma pequena jam jazzística com um grupo de jornalistas. Vários deles tentaram ditar o ritmo da música, batendo no bumbo de suas várias acusações de corrupção, mas o solista estava impossível. Uma de suas melhores frases: “Eu nunca menti na minha vida pública.”. Outra “eu que sempre fui um homem democrático...”. Ele estava hilário e tinha respostas para tudo, que falava sem hesitar, por mais que soassem absurdas.

Os jornalistas que o entrevistaram eram experientes, preparados e tentaram de tudo. Relembrar que Maluf foi contra as diretas, o minhocão, a águas espraiadas, Paulipetro, dinheiro na Suíça, isolado politicamente etc...

Maluf é o Freddie Krueger da política paulista. Sempre ressurge quando se acha que ele já está acabado. E os 20% de eleitores fiéis que ele carrega com ele, crê-se que poderão mudar de idéia com denúncias de corrupção. E não dá certo. E os jornalistas são crentes que o encurralarão. Mas não conseguem.

Falta tentar entendê-lo e quem vota nele pelo ponto de vista de visão do mundo que estas pessoas tem. Entender o que há de ideologia que resiste e ignora as denúncias, que independe delas. A questão de porque Maluf ainda tem 20% dos votos não tem nada a ver com corrupção, mas com um fato mais duro e difícil de encarar.

Maluf representa uma mentalidade autoritária, do fazer obras, do capitalismo do automóvel desenfreado, da visão privada e egoísta da propriedade, e violenta entre as classes sociais. Maluf pratica uma visão de relação estado-sociedade, marcada pelo fisiologismo, que apesar de absurda e anti-democrática, ainda é tão corrente que o próprio PT se apropriou desta lógica até nas suas relações internas, e o PSDB também. E uma visão de cidade onde o “progresso”, está relacionado a um desenvolvimento industrial e a uma especulação imobiliária predatória. Idéias que estão na identidade de São Paulo, uma das cidades que mais cresceu no mundo no século XX e que seus 450 anos sem grandes reflexões só reforçaram. O elogio ao gigantismo, ao “não pode parar”, ao lucro desenfreado e ao luxo inconseqüente do qual a região da Faria Lima/Berrini é o exemplo máximo para detratores e defensores do modelo.*

É bobagem pensar em Maluf como um exotismo. Ele tem fortes laços com setores da economia (imobiliário, empreiteiras), categorias (policiais, comerciantes, taxistas) e mais que isso, com o imaginário da cidade cruel hiper-capitalista e exploradora sem dó de imigrantes e migrantes. Apaixonada por soluções falsas e publicitárias para problemas complexos, como o Cingapura. Cheia de radialistas dispostos a falar leviandades no ar, ou mesmo alugar este espaço. Com classe média e alta alienadas da situação dos serviços de saúde e educação, só se interessando por buracos, não pagar multas de radares e tirar seu naco do Estado. Com pouco espaços e pouca convivência pública.

Maluf, com sua cara-de-pau infinita e esperteza nas repostas, entra nessa campanha como franco-atirador, um radical livre da sua própria causa pessoal e conservadora. E quem jogará a primeira pedra? O publicitário de Marta Suplicy era o seu, o dele trabalhava na prefeitura até setembro e o vice de Serra era malufista de carteirinha. Serra e os tucanos querem se vender como “competente”, mote de Maluf, e Duda Mendonça, segundo a Folha de S. Paulo, quer vender Marta como “fazedora de obras bem-feitas”, uma das coisas menos importantes no seu governo. A identidade conservadora de São Paulo “não pode parar”, crêem os marqueteiros, que antes de tudo, são especialistas em vender-se, mais do que em vender alguma coisa.

Um exemplo do problema Maluf é sua resposta sobre os CEUs. Marta irá defender o projeto do seu governo. Serra irá atacá-lo dentro da estratégia do PSDB. PT X PSDB, a monótona briga em um tom da atual política nacional. Maluf que não é burro e não tem compromisso com a menor forma de coerência disse que “vai analisar” e que se for ruim, caro demais, não fará. Se for bom, promete que fará não vinte, mas 60 CEUs espalhados pela periferia. Respondendo assim passa a imagem de sensato e responsável, agradando a classes média e alta que odeiam os CEUs, e também a população das periferias onde tem CEU e onde não tem mas se sonha com eles.

Que a arrogante e hiper-confiante direção paulista do PT, que soltou o monstro na arena, achando que era ótimo para ela, embale a criança. No mundo feio da política, sabe-se que o PT no planalto tinha meios de barrar a candidatura de Maluf pelo PP. Mas que preferiu e torceu para que saísse candidato, por calcular que pode tirar Serra do segundo turno, onde então Maluf perderia para Marta Suplicy. A ver, já que há o risco de Marta ter que suar para ir para o segundo turno, com o cenário de Erundina roubando seus votos à esquerda, e Maluf e Serra adiante dela. O PT com o discurso Duda e atitude atual, que prefere usar o oportunismo do que correr o risco de enfrentar e mudar uma concepção de cidade, que enfrente o teste da sua estratégia. No caso, o risco é todo dos moradores de São Paulo.

*Sobre a história da região Berrini/Faria Lima, como o poder público gastou ali uma fortuna, como as comunidades que lá viviam em favelas tiveram suas vidas destruídas, como lucros enormes foram feitos e como a especulação imobiliária construiu um “progresso urbano” sem pé nem cabeça, a editora em que trabalho, a Boitempo, tem um belíssimo livro escrito pela arquiteta Mariana Fix chamado “Parceiros da Exclusão”. Recomendo.

quarta-feira, julho 07, 2004

DOIS ENCONTROS COM DEUS EM UM FIM-DE-SEMANA


A festa havia sido fraca. Pouco público; quase prejuízo. Saio do Vale do Anhangabaú até o carro. Chego no guardador, dono da rua, negro, gordinho, nos seus quase cinqüenta, jaqueta, camisa social, gravata e tênis prateado cheio de estilo. Comento que a noite não foi como eu esperava, meio na desculpa por ter empatado a dele, afinal, se fosse um sucesso, muitos carros, muito dinheiro (“já fiz festa de quinta com carro estacionado entre o Viaduto Santa Ifigênia e o do Chá”). Ele, meio alto na madrugada, olhos arregalados, diz que não foi isso. Sentencia:

- Você foi “boicotado”. Me escuta, me escuta, “boicotado”. Eu estava aqui e eu vi tudo. Boicotado. Entende?

Digo que sim. Acho que sim.

- Tem gente querendo ofuscar teu talento, tua estrela, fazendo trabalho. Olha, eu to sem telefone, mas olha...Porque você acha que eu tô assim, bacana, todo mundo me dá dez, me dá cinco.

Ué, porque você guarda os carros. Pensei, mas não falei.

- Você vêm aqui na quinta e a gente conversa.

O homem não deixa eu ir embora. Eu que não vou provocar o sujeito. Quando finalmente me vou, ele me dá um longo e forte abraço, para “sentir energia”. E faz um X com os braços sobre seu peito.

- Eu sou do candomblé. Aparece aqui na quinta e a gente conversa.

Domingo de manhã vou jogar basquete. Pouca gente, então treino arremessos livres. Séries de 10. Vinha sensacional em uma delas acertando nove seguidos. Erro o último deles e urro de raiva, por estragar uma série que seria perfeita.

Na quadra ao lado, skatistas estacionam seus veículos embaixo da tabela e se reúnem para jogar. São sete. Seco, chego junto para uma partida. Outro colega de parque, basqueteiro experiente, desconfia da turma e prefere seguir sentado.

Quatro contra quatro, em meia quadra é um tanto exótico, mas tudo bem. Dividimos os times. O adversário começa a se reunir em círculo. Acho que vão conversar algo do jogo, mas olho de novo e meu time está se juntando a roda também. Só eu estou de fora.


- Todo mundo aqui já esteve no fundo do poço, no abismo das drogas e se salvou em Jesus Cristo, e hoje estamos aqui curtindo o dia.

Diante da minha hesitação a se juntar à roda, quem a chamou se vira para mim e pergunta:

- Você crê em Deus?

Não, eu sou ateu. Pensei, e falei.

- Você gostaria de participar desta oração?

Não. Pensei, e falei.

Eles começaram a orar, enquanto eu brincava com a bola. Cada um na sua, pensei. Ainda bem que falei que sou ateu, pois acho aproveitar para falar isso enquanto posso. Sabe-se lá até quando haverá este luxo, em um mundo de Bin Laden, Bush, Marcelo Rossi e Garotinho. Não vou questionar a fé deles, ainda mais uma que ajudou a salvá-los do abismo, como disseram e como diziam as marcas no corpo de alguns deles.

Mas basquete não sabiam jogar e isso estava mesmo na cara. E o único ateu, mesmo estando longe de ser craque, definiu fácil a partida, isso com uma dor no joelho esquerdo, que insistia em piorar.

No dia seguinte, fui mancando ver o ortopedista sobre a dor no joelho. Tendinite. Um mês sem basquete, caminhada, mesmo dançar. Veredicto médico.

Mas vai saber...

Bem, de qualquer jeito, é só quarta-feira. Em caso de dúvida, ainda há tempo de aparecer no Anhangabaú na quinta...

quinta-feira, abril 29, 2004

Os últimos serão os primeiros: finalmente
Lula se decepciona com o governo Lula


Hoje, com a frustração diante de um aumento de 20 reais no mínimo, após longas reuniões, repetidos adiamentos e a cara de angústia de Lula, parece que finalmente o próprio se decepcionou com o seu governo e se sente impotente diante das opções de política e equipe econômica que ele mesmo fez. Ser vaiado como foi esta semana, onde nasceu para a política, na sua base número 1, os metalúrgicos de São Bernardo, não é pouca coisa em termos psicológicos e de simbolismo. No aumento do salário mínimo, Lula deve sentir sua carreira e história política refém da sua equipe econômica e da conversão da conversão a direita que fez o PT após a eleição (como se não bastasse a que fez antes...). Infelizmente não acho que seja um sinal de mudança. Só dá um ar humano, de angústia, a tragicomédia da mesmice neoliberal que ao mesmo tempo raptou e foi raptada por este governo.
O "espírito da coisa" foi captado um pouco nesta charge de
Maurício Ricardo do site www.charges.com.br

http://charges.uol.com.br/vercharge.php?idcharge=1362&modo=som

segunda-feira, abril 26, 2004

CURTAS E DICAS DOS PAPELOTES - PARA O CONTEÚDO INTEGRAL DO BOLETIM ASSINE A MAILING MANDANDO UM EMÍLIO PARA
assinar-papelotes@grupos.com.br

- Frase moralista para consumo populista: “No Brasil é fácil fazer piadas. Difícil é não ser tratado como palhaço.”

- Body Count: Sobre a Guerra do Iraque, a maneira mais macabra de acompanhá-la é por esta página da CNN, que traz atualizações constates do número de soldados mortos, com nome e foto deles. É injusto que não exista algo assim para os iraquianos. O site me lembra uma frase (mas não seu autor), que diz que guerra é: “Pessoas que não se conhecem matando uns aos outros, em nome de pessoas que se conhecem e não se matam”.
http://www.cnn.com/SPECIALS/2003/iraq/forces/casualties/


- Retomando nos papelotes o gosto pela publicação de letras de música, retomo com “Mãos”, uma parceria rap samba genial entre Mano Brown e Almir Guineto. Grande música presente no CD ‘Todos os pagodes” de Almir Guineto. As partes em samba estão em itálico

Mãos

Um role de Vemax
Um gole de Lê Chandon
Mãos pobres querem ter o que é bom
Mãos nordestinas me ensinou
Que mãos para trás neguinho
Não senhor!
As mãos de Tyson, ódio nocaute
As mãos do mal
Também usam esmalte
Mãos que apontam,
Mãos que delatam
Toda mão tem, mãos tremulas matam
Mãos na cabeça, o mão branca armou
Algemas, prendem a mão do sonhador
Mãos negras, sinfonia funk
As mãos do rap não usam Mon Blanc
Palma da mão, palma, palma
Negro dança, sua e lava a alma
As mãos que se humilham ao céu
Serão as que erguerão troféus
Demorou já vou camba,
Porque o samba em boas mãos ta
Michelangelo vive bem perto
Em forma de samba ele é Almir Guineto

Mãos se rendem
Para outras que tudo levam
Quase em extinção
Mãos honestas, amorosas
Em nossas pobres mãos, batem as cordas

Pago pra ver, queimar em brasa,
Mãos de bacharéis
Que não condenam o mal
Que inocentam réis
em troca do vil metal

Em mão de infiéis
Revés que não condenam
Volver na diretriz
Tão fraudulentas
Sem réu e sem juiz
mãos não se acorrentam
Justiça põe as mãos
Na consciência
Ato que perfilado
Lavando tuas mãos
É o mesmo que justiça
Feita com as próprias
Mãos que fracassaram na Torre de babel
Porque desafiaram mãos do céu


- Com o número de desempregados que tem na cidade de São Paulo (dois milhões) e o número de armas de fogo que circulam na cidade (igualmente em torno de dois milhões) a cidade até que é muito tranqüila.

DICAS DE CINEMA

- De passagem – Estréia esta semana, na sexta-feira o filme “De Passagem”, o primeiro longa-metragem de Ricardo Elias. O filme tem uma abordagem da periferia que hoje é praticamente subversiva. Um olhar digno e compreensivo, não moralista, que com simplicidade sem ser simplista conta uma bela história desta cidade (São Paulo). Duas viagens, uma no passado, outra no presente, marcam a vida de três amigos.

- Adeus, Lênin! – O filme conta de maneira simples e interessante, através da história do filho que tem que esconder da mãe que o muro caiu, o veloz fim da Alemanha Oriental. O mais legal para mim é contar a “grande história do muro de Berlim” e do bloco soviético, que em geral se conhece, mas ao nível do chão, das pessoas, de coisas como a troca dos marcos orientais, o abandono dos imóveis, reencontros e fins.

- Dogville - Uma estranha porrada. Com temática semelhante à “Dançando no Escuro”, do mesmo Lars Von Trier. O final que aquele tinha de emocional, esta novo filme tem de intrigante. Sem soluções fáceis.

- Elefante – A diferença que faz o plano-seqüência....Um mundo sem sentido e por isso, talvez sem explicação. OS; O jornalista Nelson de Sá na sua coluna Toda Mídia, na Folha, aponta bem que a linguagem do filme, e mesmo a divisão narrativa entre personagens se deslocando em um imenso cenário, é inspirada em jogos como Counter Stryke.

- Sobre Meninos e Lobos – Grande cinemão, em grandes atuações, câmera, o melhor do cinema americano. Em uma história de problemas, tragédias e traumas além das soluções.

- Encontros e Desencontros - Há quem não goste deste filme. Há quem goste pelo “hype” (palavra horrível), pelo apelo moderninho. Mas eu me surpreendi achando que vai além, gostando mais do que imaginava que ia gostar, desta história tão bem construída sobre solidão, dificuldades de comunicação entre pessoas, entre culturas e em relacionamentos.

DICAS DE LEITURA

- Continuações da disputa/debate Zé Celso X Sílvio Santos no Bexiga: o encontro dos dois no oficina, mediado por Contardo calligaris e Eduardo Suplicy (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1904200414.htm). Coluna de Contardo Calligaris (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2204200420.htm)



- O economista Paulo Nogueira Batista Jr.n n agência Carta Maior, sobre as viagens de Palocci na ilha de Comandatuba.
http://agenciacartamaior.uol.com.br//agencia.asp?coluna=boletim&id=839



- Na mesma agência Carta Maior bom e didático artigo sobre orçamento, previdência e aumento do salário mínimo que explica de forma clara como a mídia distorce/ignora uma questão claramente definida na constituição sobre a função de certas contribuições que o governo arrecada e que são desviadas para pagamento de juros da dívida;
http://agenciacartamaior.uol.com.br//agencia.asp?coluna=boletim&id=837



- As segundas intenções das companhias de telefonia que estão formando um consórcio (ou chamando melhor, cartel) para comprar a Embratel e poder sobrecarregar a tarifa do consumidor final aumentando de propósito seus custos. A jogada é conhecida na empresa como “Projeto Carnaval”. A reportagem mostra, na prática, porque em tempos remotos o PT chamava a Embratel de “estratégica’”. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi2504200402.htm


- Traduzida do Financial Times, no UOL, matéria sobre uma das iniciativas boas do governo Lula, o estímulo a adoção do software livre. Observe o custo que os governos das diferentes esferas gastam no Brasil em licença da Microsoft US$ 1 bilhão. Lógico que software livre não sai exatamente de graça, mas há muitas vantagens, inclusive por gerar um conhecimento público, não privado, e ainda assim ser economia de fato, que fazem esta medida ser muito positiva.
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/fintimes/ult579u1101.jhtm

terça-feira, abril 20, 2004

matéria da folha de ontem, sobre tema tratado na última edição dos papelotes - http://www.grupos.com.br/grupos/papelotes

ILUSTRADA

Empresário e diretor teatral se reuniram para conversar sobre projeto de construção de shopping na área do teatro

Silvio Santos encontra Zé Celso no Oficina
DA REDAÇÃO

Depois de mais de duas décadas de conflitos, o empresário e apresentador de TV Silvio Santos e o diretor José Celso Martinez Corrêa se reuniram ontem, no teatro Oficina, em São Paulo. Eles conversaram sobre projeto do shopping que o Grupo Silvio Santos pretende construir em terreno de sua propriedade em torno do teatro, no bairro do Bexiga.
"O encontro foi extraordinário, mágico, é uma coisa que há 25 anos eu sonho", afirmou o diretor, que pela primeira vez se avistou com o empresário.
Da reunião também participaram o senador Eduardo Suplicy, acompanhado de seu filho, o cantor Supla, e o psicanalista Contardo Calligaris, colunista da Folha.
O encontro foi intermediado por Suplicy, que telefonou ao empresário, dono da rede de TV SBT, na última sexta, um dia após a publicação, na Folha, de coluna em que Contardo Calligaris propunha em carta aberta a Silvio Santos que ele conversasse com Zé Celso e fizesse uma visita ao teatro. Silvio Santos manifestou a Suplicy o interesse em conhecer o Oficina, e a reunião foi marcada.
O empresário chegou ao teatro desacompanhado, às 17h. Foi recebido por integrantes do grupo teatral, que cantaram músicas do espetáculo "O Homem 2".
Zé Celso contou um pouco da história do grupo e apresentou o teatro a Silvio Santos. Depois encaminharam-se para o mezanino do Oficina, onde Zé Celso detalhou seu projeto de construir um anfiteatro para grandes peças populares, espécie de "universidade popular do teatro".
O diretor teatral enfatizou não se opor a iniciativas de desenvolvimento do bairro do Bexiga e disse não ver contradições entre o projeto do Grupo Silvio Santos e a manutenção do Oficina. O grupo de Zé Celso entregou a Silvio Santos um projeto de expansão do teatro que prevê a utilização dos terrenos que o shopping e o centro de diversões ocupariam, numa tentativa de conciliar as duas propostas. O trabalho foi desenvolvido pela arquiteta Cristiane Cortilio. Silvio Santos afirmou que o levaria para sua equipe avaliar a viabilidade do projeto.

"Os Sertões" e água-de-coco
A reunião durou cerca de uma hora. O empresário tomou água-de-coco, recebeu uma edição de "Os Sertões", de Euclydes da Cunha, com dedicatória escrita pelo diretor, e deixou a promessa de que voltariam a se encontrar.
Ao final da visita, o grupo Oficina cantou para Silvio Santos samba dos anos 70 da escola carioca Vila Isabel cuja letra diz: "Eu sou o teatro brasileiro/Da vida o espelho verdadeiro". Silvio Santos escutou até o fim e foi acompanhado por aplausos do grupo até sua saída do teatro.
"Se nas suas próximas apresentações vocês cantarem com tanto carinho, terão o maior sucesso", declarou Silvio Santos.
"Ele achava que a disputa era exclusivamente pela preservação do teatro. Foi recebido pelo elenco todo, agradeceu e ficou impressionado", disse Zé Celso.

"Outra dimensão"
No final, o diretor fez uma avaliação positiva do encontro. "O Silvio veio sozinho, sem paranóia, chegou na hora, isso é importantíssimo. Estávamos nos preparando para recebê-lo de corpo aberto, de alma aberta. Fui caminhando com ele e mostrando os buracos que existem no fundo do teatro, e os atores ficaram o tempo todo se concentrando. Estou orgulhosíssimo, os atores conseguiram manter uma atmosfera zen, tântrica", disse ele.
Segundo Zé Celso, foi dito a Silvio Santos que o grupo pretende fazer um "teatro dedicado à cultura brasileira antropofágica, e que já estamos preparados para isso. Ele se surpreendeu. Quis saber quanto custa o projeto. E o convidei para atuar", contou. Para ele, "a partir de hoje, mudou a relação" com Silvio Santos.
"Vi nele uma pessoa de carne e osso e, por trás do homem em que existe só comércio, vi uma outra dimensão, muito contagiante, muito talentosa. Esse encontro pode ser uma revolução na cultura de São Paulo", disse.
Para o senador Suplicy, o encontro foi entre "duas pessoas de genialidade e talento". E considerou o episódio "uma experiência de "serendipity" [dom de fazer descobertas felizes, por acaso]".

segunda-feira, abril 19, 2004

domingo, abril 18, 2004

A mailing papelotes (http://www.grupos.com.br/grupos/papelotes) é diferente do Blog. Só pode ser diferente do Blog. Existe nela uma cumplicidade, que neste vazio aberto de uma página não há. Para você, por exemplo, que caiu aqui por acaso e nem sabe do que eu estou falando, este próprio texto é um exemplo do que eu estou falando. Então, nem tudo, nem do mesmo jeito que vai lá, vira cá. E lá vai antes. Então vá lá e cadastre-se, enquanto solução (edição) do problema blog virá a galope esta semana.