terça-feira, abril 26, 2005
DECLARAÇÕES DE BRINCADEIRA - PARTE 2
DECLARAÇÕES DE BRINCADEIRA - PARTE 1
Dá raiva ouvir isso de um sujeito que durante a campanha repetia constatemente a necessidade de se reduzir a taxa de juros, e que um país nunca iria para frente enquanto rendesse mais a especulação do que o investimento na produção. Uma vez eleito, abdicou da sua responsabilidade e discurso de campanha, orgulhosamente sentando a bunda, e deixando as decisões de juros para o pequeno conclave do Copom, que o mantém na alturas a taxa básica (e por conseqüência, o câmbio sobrevalorizado), sendo a brasileira, de longe, a maior taxa de juros reais do mundo.
Lula na sua declaração finge que o cidadão que está tomando um empréstimo tem o "poder", de como "consumidor" reduzir o que?, meio ponto percentual de um empréstimo? Enquanto seu governo se abdica de decidir e governar a política econômica. Brincadeira.
domingo, abril 24, 2005
CIÚMES DA MUSA
PS: Uma das maiores alegrias da minha curta carreira de jornalista foi ter recebido um telefonema em um bar de hotel, de Paulinho da Viola avisando que não poderia vir e pedindo para marcar a entrevista para o dia seguinte. É muito legal atender o telefone e ouvir "Oi, aqui é o Paulinho da Viola", como se dizer seu nome, com aquela voz bela e calma, não fosse um pleonasmo do conteúdo perante a forma.
JESUS É... TERAPIA OCUPACIONAL?
Participe você também. A proposta é simples. Qual o espaço extremo da liberdade de expressão? A cabine de banheiro públicos, em rodoviárias, lanchonetes, escolas e casas noturnas. Então, cade vez que visitar estes espaços ocupados pela expressão mais pura do que há dentro do ser humano, ao invés de escrever obscenidade, suje a parede simplesmente com Jesus é...(complete). O objetivo é deixar as pessoas completarem livremente, do seu intímo intestinal, o que Jesus é para ela neste momento tão reflexivo da nossa fisiologia. Se é 10, se é tudo, se é o senhor, se é bugrino, se é cagão, se faz boquete etc...Ou mesmo se o pessoal pára com a esculhambação das outras mensagem no entorno, em respeito ao mais famoso judeu-palestino de todos os tempos.
Transformar o banheiro em uma pequena catedral, onde cada um pode confessar seus segredos mais fedidos, cumprir a penitência com papel higiênico e ainda se livrar de tudo simplesmente dando a descarga.
Depois de algum tempo, dias, semanas, meses, como em um exame de fezes, voltar ao mesmo banheiro e recolher, através de foto digital, a amostra da resposta à indagação digna de deixar todos no reservado com a mesma pose do pensador de Rodin...
Eu vou esperar o material deste exame, que pode ser mandado para o meu e-mail. Claro que como não sou bobo e sei que todos tem mais o que fazer, vou esperar sentado. No vaso mesmo.
Microsoft + Monsanto = PT livre, mas transgênico?
A pergunta é válida, porque em ambos os casos tratam-se:
- de setores estratégicos para a economia nacional, com grande impacto na balança de pagamentos (software via pagamento de royalties e exportações de soja sem pagamento de royalties)
- Da apropriação pelo Brasil do conhecimento destes dois setores (genética e software)
- Do princípio da propriedade intelectual X conhecimento. No caso da Microsoft o governo defende a liberdade de fluxo do saber. No da Monsanto, que este, e a soja derivada dele, seja propriedade patenteada da empresa. Através de royalties, é como se a Monsanto se tornasse sócia, dona de uma porcentagem, de toda a produção do país. Além de gerar, com o tempo, um verdadeiro monopólio no setor de sementes e a depêndencia dos produtores. Isso para ficar apenas na discussão econômica, sem falar da ambiental e possíveis riscos à saúde.
Tenho minhas opiniões heterodoxas baseadas em boatos inseguros sobre o porque da amizade PT-Monsanto. Mas no fundo, só levanto este assunto para ver como na era do governo Lula-campo majoritário, a coerência do PT, a sua linha, virou uma imensa bunda de nenê, donde ninguém sabe o que vai sair, e quais são as instâncias de decisão. Obscuridades que geram “posições” inflexíveis, mas que ninguém sabe onde foram engendradas.
Quatro influentes deputados do partido (Luizinho, José Eduardo Martins Cardozo, Jorge Bittar e Nelson Pellegrino), além de José Carlos Aleluia (PFL-BA) e Júlio Semeghini (PSDB-SP), alegremente, vão a Washington, patrocinados pela Microsoft, ver palestras do homem mais rico do mundo, Bill Gates, e do notório mentiroso em sessão da ONU sobre armas no Iraque e ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell. Dizem que não é lobby. Se não for turismo é o que? Pura perda de tempo dos deputados? Pura generosidade da Microsoft?
É lógico que o PT tem ainda um papel a esquerda do centro na política brasileira. Vide São Paulo, onde o partido entrou fundo na lógica nociva das alianças, e ainda assim está a esquerda do PSDB. Mas o PT não é mais esquerda em si mesmo. Não o é mais como partido de fato, coerente. Isso depende de que grupo, pessoa, discurso e política na prática do PT você se refere.Em muitos casos, como em relação às leis trabalhistas, sua posição está, na prática, à direita do que a do discurso do PTB (a ver se na hora H da reforma trabalhista, o fisiológico partido não vai mudar de lado, se não está só cacifando seu passe).
Por um lado, isso gera uma confusão ideológica no cenário político, uma tremenda perda de clareza e orientação para a esquerdas, que tem facilitado tanto uma redução das demandas por mudanças sociais no Brasil quanto à continuação da implantação da agenda de medidas e reformas conservadoras (das micro como liberalização do câmbio e taxa de juros, focalização dos gastos sociais, as macro como autonomia do Banco Central, trabalhista, sindical etc..).
Por outro, cria uma saudável desconfiança e força uma maior maturidade política. Uma volta à atenção ao público acima de uma ilusão redentora partidária(PT)/personalista (Lula). E que a atuação neste público, pela igualdade social e democracia, tem que se pautar pelo próprio, concretamente, tanto com uma visão de fundo quanto com uma prática cotidiana.
Para o PT, minha impressão é que fica um círculo vicioso. Quanto mais o partido perde a identidade e o apoio da esquerda (o que é mantido é na base de acenos de esperança, cooptação e chantagem com a ameaça da direita) mais depende de esvaziar a disputa política, embaralhando e reduzindo as candidaturas adversárias através de alianças cada vez mais amplas. E neste processo mais perde a identidade e distancia a política dos eleitores. Deixa de ser um partido comprometido no combate ao conservadorismo. E cada vez menos cumpre a justificativa da política de alianças: de que esta seria o PT impondo sua agenda aos fisiológicos, que não teriam uma. Na verdade, cada vez menos o PT tem um projeto político claro, o que retorna a questão do começo do texto, e o que permite que a natureza das alianças gire cada vez mais em torno da própria fisiologia. (a ocupação do estado como um valor em si mesmo). Acaba virando, no extremo, linha auxiliar para as próprias oligarquias locais, sendo elas que se aliam ao PT, não vice-versa. Veja o caso Romero Jucá, nesta matéria do Valor Econômico: Acordo para reeleição de Lula esbarra no PT. É o rabo abanando o cachorro, o meio do poder perdendo seus objetivos. Como não é nunca a direita que vai dar o suporte político na prova dos nove o PT (mas sim uma rasteira...), eu acho que a reeleição de Lula ainda é muito possível, mas duvido que o PT vença a eleição em 2010.
sexta-feira, abril 22, 2005
PANTÂNO E O CINEMA COMO LUPA E CASSETETE
E é mais do que isso. Chamar de metáfora da crise do nosso vizinho é fácil demais, como bem aponta Ricardo Calil em excelente crítica no nominimo (A ‘buena onda’ argentina 7/04/2005). Permite que digamos "não é conosco". Quando muitas das cenas devem tocar na memória de qualquer latino-americano de classe média, ainda mais falida, entre férias, empregados e negação da realidade (e do trabalho).
Além de ser apenas uma afirmação clichê, porque muito mais do que metáfora, o filme observa com lupa seus personagens. Usa para tanto o recurso mais específico e forte do cinema: o plano. É nele, nas escolhas de ângulo e proximidade, deslizam atuações, cenografia, diálogos e trama, com muito mais força.
Com a combinação destes elementos é um filme de abrangência impressionante que trata das relações familiares, raciais, de classe na américa latina, catolicismo (uma crítica poderosa em dias de novo (velho) papa), de gênero (machismo, homossexualismo), desejo e repressões. O filme não "fala" disso. Ele mostra isso. Articulando na construção das cenas, vários personagens e histórias. Com profundidade nos sulcos do rosto, na atuação física, no figurino etc...De forma tranquila, sem discurso, é o filme que melhor executa, que o faz na síntese da imagem uma das melhores características comuns da buena onda argentina: a relação firme, mas não forçada, nem esquemática, entre a história dos personagens e o contexto social que os cerca. É um dos filmes mais políticos que eu já vi.
O cinema é ilusão por natureza. Mas através desta ilusão, O Pântano alcança um realismo tal, tão violento no ranger das cadeiras arrastadas, que necessita de uma coragem, inteligência e técnica tremenda para serem atingidos. Lucrecia Martel surge como um nome que ainda deve produzir muita coisa boa para o cinema, porque ninguém acerta um alvo deste por acaso. Tanto que Pedro Alomodóvar saiu para produzir seu segundo filme. E se você ainda não viu, saia, alugue o DVD e vá ver o seu primeiro.
PS: O melhor da linguagem cinematográfica demanda atenção de quem assiste, o que é sempre um risco na tela pequena e fora da sala de cinema, com telefone, parentes etc...Proteja-se!
quarta-feira, abril 20, 2005
TEORIA E PRÁTICA DO CASO
Duas notícias que batem neste fim-de-tarde parecem estar bem mais próximas que a borboleta e o vendaval. O Comitê de Política Monetária (Copom), eleva mais uma vez a taxa de juros do Brasil, que já era a mais alta do mundo, cinco pontos percentuais a mais que a da Turquia, a segunda colocada. Subiu 0,25%, movimento detectado/estimulado por alguns agentes do sistema financeiro, como o Unibanco. Enquanto isso no Equador, Lucio Gutierrez, que chegou ao poder em uma "revolução indígena" de esquerda, cai pelas mãos da mesma esquerda, após traí-la e aprofundar as políticas neoliberais na economia dolarizada do país.
As borboletas, daqui e do Equador, segue tentando sobreviver ao vendaval...
sábado, abril 16, 2005
GRAFITE ESCREVE CERTO POR LINHAS RETAS
- que a atitude do Grafite foi o máximo, tipo 0,7. Concordo que ele deve sofre inquérito e Grafite estava certo em fazer a queixa
- que os jornais Argentinos como o Olé tem que ter noção da realidade e do limite das coisas- que patético o Agnelo Queiroz, ministro dos Esportes, meter o executivo no caso para tirar uma casquinha da repercusssão na mídia. Este sim quis aparecer. Espero que tenha tido a decência de ter consultado o Itamaraty antes, mas duvido
- que a assessoria de imprensa do secretário de Segurança Saulo de Castro Abreu Filho trabalhou em cima da pinta, e que a "alta cúpula de segurança", que fez ele também aparecer em cima da prisão
- que Galvão Bueno atingiu o gozo máximo e objetivo maior de sua carreira - estimular um incidente diplomático com a Argentina, pouco tempo antes de um confronto entre as seleções em Buenos Aires. Preparem-se! Se os argentinos forem espertos e quiserem dar o troco, basta acompanharem a transmissão da partida e o Galvão sairá preso do estádio...
sexta-feira, abril 15, 2005
Eu: EGO, SUPEREGO, ID e HD
Tive uma impressão de que falava de mim. O HD sou eu? – perguntei-me Eu I (não acredito em reencarnação...). Sentia-me improdutivo, o tempo rendendo menos que meus colegas, como se menos esperto e capaz. O trabalho e stress acumulando, quase a me dar um pau. Seria mesmo eu, ou a minha extensão, os meus periféricos? Onde acaba um e começa o outro.
A potência do playboy na caminhonete, do músico no amplificador, do soldado no fuzil, do apresentador nas ondas de TV, de qualquer um na amplidão positiva ou profundidade do negativo da sua conta bancária.
Meu ego no HD, minha memória, o que fiz e um tanto do que sou em RAM. Textos políticos, experiências, mensagens de começo e fim de amores. Seriam nossos softwares compatíveis? Ou tem razão e suas últimas atualizações deixaram meu modelo obsoleto e seu CD já não roda mais no meu disco rígido?
Será que no futuro teremos psicanalistas de sistema? “Conte-me mais sobre seu sistema operacional”, pergunta para nós e o laptop, no divã...
O transplante foi um sucesso. O computador passa bem, não houve problemas de rejeição ao novo HD e a memória está de volta, com uma velocidade de quando eu tinha uns 20 anos, com a experiência de 50. Sinto-me mais moço, mais vigoroso. Baixo músicas moderninhas pela web, arranjei uma nova comunidade de amigos no Orkut e coloquei uma foto toda-toda no meu Messenger. Oi, gatinha, sabia que minha conexão a cabo é banda larga? A minha esposa diz que eu estou vivendo a crise da meia idade, que antecede a minha total obsolência programada. E ironizou: acho até que você durou muito, já veio cheio de defeitos de fábrica. Deviam fazer era um recall...Ela anda muito engraçadinha.
Após uma sessão de bate-papo com um monte de gente querida que há tempos não vejo ao vivo desliguei-me, ops, desliguei o computador. E refletido na tela, vi meu próprio rosto. Pensei, sem extensões, arquivos ou conexões.
Eu sou apenas eu.
Confesso que fiquei um pouco assustado.
segunda-feira, abril 11, 2005
A TROCA NA SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA
DICA DE LEIITURA
Texto interessante de Antonio Guilermo García Danglades, publicado noPlaneta Porto Alegre, sobre asmovimentações dos Estados Unidos nos bastidores diplomáticos da Organização dos Estados Americanos, entidade chave para julgar o que é "democracia" no continente, principalmente na Venezuela.
Entre ricos e milionários
O maravilhoso mundo dos serviços bancários para os muito, muito ricos, em matéria interessantíssima do Valor Econômico. Dê uma espiada pelo olho da fechadura e volte para a fila do caixa, que a coisa não é para o seu bico.
domingo, abril 10, 2005
DICAS DE LEITURA
- Mário Sérgio Conti em excelente matéria sobre o Principado de Mônaco, e como o glamour esconde lavagem de dinheiro. Uma citação excelente dela: "E porque o capitalismo, estruturalmente, precisa de válvulas de escape, de paraísos fiscais."
Rainier: príncipe do paraíso
- Matéria do New York Times, traduzida na UOL, mostra como o modelo Microsoft de desenvolvimento de software, empurrando novos "produtos" e associados à eles mais "produtos", está velho e obsoleto, comparado aos conceitos de software livre e este setor como prestador de serviço, não vendedor de produtos. Por Randall Stross: Próxima versão do Windows valerá a espera?Fiz uma matéria faz pouco tempo sobre adoção de software livre no setor público para a revista da Fundap (quando estiver no ar, coloco o link aqui...). Algumas pessoas acharam que a matéria pendeu demais para o software livre. Mas: 1) A Microsoft simplesmente ignorou as perguntas encaminhadas à sua assessoria. 2) Na apuração, de fato não achei desvantagens, mas gente que com Windows de graça disse que havia redução de custos com a migração para Linux.
- Eu não concordo em nada com Maílson da Nóbrega, representante do pior conservadorismo financeiro e político. Posto isso, acho interessante ler sua análise, porque burro ele não é, tanto na escolha da pauta quanto na defesa do seu ponto-de-vista, que é o do capital financeiro para quem sua consultoria (Tendências) trabalha. É inteligente, inclusive ao fazer neste texto o senão, e depois fugir da discussão, sobre a sustentabilidade ambiental do modelo neoliberal que defende e ao não apontar a crescente desigualdade no acesso aos bens e serviços, exploração do trabalho, incapacidade (mais desinteresse) de lidar com problemas como as epidemias de AIDS e malária e estímulo à conflitos bélicos, entre outras questões, geradas por este mesmo modelo.
Era o papa anticapitalista?
HERÓI E A TODA PODEROSA CHINA
Avaliação do governo Serra na Folha de S. Paulo
Ontem (09/04) , o Estado de S. Paulo publicou matéria sobre a proposta de renegocição da dívida de São Palo, feita pelo prefeito José Serra ao Ministro da Fazenda, Antonio Palloci. As mudanças representam uma redução de R$11 bilhões no valor da dívida. Após se dedicar sistematicamente a destruir a imagem do governo Marta, Serra parte para uma complexa disputa/negociação com o governo federal. Se a imagem de Marta realmente ficou no chão, parece-me que foi mais por "mérito" próprio da prefeita nos últimos 3 meses do seu governo (e a oposição cerrada da imprensa) . Quanto a Serra, principalmente como mostram os problemas no transporte da cidade, a má imagem de uma não significa boa avaliação do seu governo.
Dado curioso da pesquisa é a melhor avaliação entre os mais ricos. Este era a disputa real na eleição, e é isso que Serra está implantando: um governo de viés elitista (vide o conceito que ele tem de "revitalizar" o centro) para manter as diferenças e delimitar territórios na cidade, além de fustigar o PT, governo municipal passado, federal presente e qualquer um futuro, e servir de plataforma para vôos maiores de Serra.
O problema que a pesquisa Datafolha bem indica é que a prefeitura de São Paulo é um cargo "carregado", como o governo do Rio de Janeiro. Tem tanto problema, encara uma situação de caso tamanho para sua capacidade adminsitrativa, que enterra o futuro de qualquer político, mas se um dia alguém fizer um grande governo sai de lá com chance de até ser presidente.
PS:O Estado noticia também problemas do Secretário Municipal de Cultura, Emanoel Araújo, com Serra. É um dos melhoresnomes apontados pelo prefeito, e vinha tentando equilibrar os problemas de falta de recursos da pasta e negocar com a classe artística. Mais um mal sinal.
segunda-feira, novembro 29, 2004
A ESCALA HUMANA
Permita-me usar do tão falado, quando estava na faculdade, recurso do hipertexto. Primeira parada. Leia como mudou a construção do responsável pelas novas atrocidades americanas no Iraque. Como a eleição ampliou o que antes e focava como um ataque à Bush e sua cúpula, neste texto, de Emir Sader. Meu coração está em Faluja. Voltou? Até a Madonna, está vendo seu país, da Inglaterra, e de forma diferente. Madonna pede retirada de tropas americanas do Iraque
Uma amiga minha mandou algo que me comoveu muito. Veja da primeira até pelo menos a sexta página da galeria de fotos deste website. São norte-americanos, centena deles, e o site sequer consegue processar a enxurrada de imagens que chegam, pedindo desculpa ao resto do mundo pela eleição de Bush. Uns xingam quem votou nele de idiota, outros pedem “asilo”, no Canadá ou no resto do mundo.
Olhem nos seus olhos, fotos tiradas em suas casas, a maioria jovem, entre brincadeiras e olhar desoladores, um dos atos mais simpáticos de viver sociedade. Pedir desculpa. Não desculpas por serem americanos. São o que são. Pedem do que os Estados Unidos é e estar se tornando mais.
Dizem terem tentado ao máximo, feito campanha, mas não deu. Talvez o mais tocante sejam aqueles que dentro da paranóia terrorista fermentada, ou antevendo contornos mais sombrios para o futuro, ou a lei do retorno, pedem para não serem bombardeados, temem pela vida até 2008, lembram que seus estados não votaram em Bush.
São a minoria. Bush, se não houve roubo, venceu de forma “legítima”.
Típico do sistema “tudo ou nada”. Fica uma “minoria” desamparada de 48%, de um sistema político que não dá opção real, a deriva em um país cada vez mais fanático, egoísta e disposto a impor sua verdade e principalmente manter seu padrão de consumo e reflexão autista custe o que custar para os outros. E no final da conta certamente custará para eles também.
O nome é Sorry everybody. E é só clicar no link.
Voltou?
Triste, não é? Humanos dentro dos vagalhões dos sonhos dos megalomaníacos e oportunistas que nos separam.
E a maioria dos iraquianos, que sem escolha, nunca pediram para ser bombardeados, não votaram para isso, e o são? E os que estão à deriva, de arma ou não na mão, em Faluja, neste massacre democraticamente referendado e aceito?
“Morram. Pois essa é a decisão democrática da maioria dos americanos!”
Mais do que pedir desculpas, as imagens de Sorry Everybody são um contato com o mundo. Um alô para nos lembrar que ainda existem humanos lá dentro. Enquanto outros internalizam o mal, banalizam o mal, espetacularizam o mal (nada menos contraditório hoje em dia do que espetáculo e banal), institucionalizam o mal, agitam bandeirinhas e gritam histéricos “Four more year”, ignorando o mal que infligem ao outro. Estes ignoram o outro. Consiguiremos ser melhores que eles?
Alguém tem solução? O humanismo tem solução para este mundo onde os EUA, sentados em um imenso arsenal nuclear, se arrogam no direito de atacar qualquer lugar da terra, ou pessoa que julgarem ameaça, não a sua segurança, mas ao seu poder? Dos presos sem acusação em Guantánamo, a escalada de mentiras da Guerra do Iraque, alguém dimensiona o que é vivermos, e vivemos, com isto como horizonte e fundamento? Será que teremos saudade da Teoria da Destruição Mútua da Guerra Fria, cuja noção era mais pacífica que a atual, entre guerras preventivas, e perspectivas reais de uso de armas nucleares, pelos Estados Unidos, por estados ameaçados por ele e em ataques terroristas?
quinta-feira, novembro 04, 2004
O (EXTERMINADOR DO) FUTURO PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS
O futuro presidente dos Estados Unidos é conhecido e admirado no mundo todo. Apesar ou talvez até por causa da sua imagem associada à violência. Pôsteres seus adornam paredes pelo planeta e muitos o olham como um exemplo, passando horas e horas para ficar mais parecido com ele.
A sua eleição, no fundo, impõem por si só terror nos países que queiram desafiar a superpotência, e os desestimula a procurar ter à bomba atômica. Todos já viram como ele lida com terroristas, e como caça seus inimigos até o fim. Mesmo que seja muito mais simbólico que real, mesmo que tenha um que de ridículo, é uma figura que impõem medo.
Pode-se dizer que ele fala mal inglês, tropeça nas palavras, que é um ignorante, robótico, e bronco para entender a dinâmica das relações internacionais, mas vamos falar sério, lá como aqui, tudo isso carrega uma grande dose de preconceito. E se até a pouco tempo atrás todos gostavam dele, era por causa justamente da sua força brutal. Porque mudar de idéia agora?
Acusam-no de ser uma farsa, de ter se feito e construído sua imagem através de ficções, de conflitos fictícios. De que é um ator, e que suas falas não exprimem o que pensa, que não se sabe quem ele realmente é. Que ele só lê os textos que outros escrevem, de forma cuidadosa e calculada, para dar maior verossimilhança as suas histórias e versões.
Dizem, e mostram vídeos para provar, que ele já foi festeiro e que deve ter consumido cocaína. E que é um bárbaro.
Eu estou falando do futuro presidente dos Estados Unidos. Arnold Schwarzenegger. Hoje ele é o nome mais forte dentro do partido republicano para a sucessão de Bush. Imagine daqui a cinco anos, você assistindo na TV, e o presidente Arnold declarando guerra à Síria, Irã, Cuba, França, enfim, a algum país que sobreviva aos próximos quatro anos.
Arnold nasceu na Áustria, e hoje só americanos nativos podem se candidatar à Casa Branca, mas está tramitando no congresso norte-americano uma lei sob encomenda, para permitir que naturalizados em condições semelhantes às dele possam se candidatar. E a maioria do congresso é republicana.
DICAS DE LEITURA
DICAS DE LEITURA
- Ontem fui à um seminário em torno de um livro da editora em que trabalho, que discutia Edward Said, e a questão da construção das narrativas e dos estereótipos que justificam fundamentalismos e guerras. Por narrativas se quer dizer no sentido amplo, filmes, ficções e também jornalismo. Veja este texto de Larry Rohter. O sujeito pode ter virado um personagem folclórico no Brasil, fazer matérias curiosas e até interessante sobre Hermeto Paschoal. Não concordo em expulsar o sujeito, há de se achar outras maneiras de lidar com ele, mas o fato dele fazer a imagem do Brasil para o mundo, isto é realmente um assunto muito sério e preocupante. Rohter diz que Brasil assusta o mundo com programa nuclear - The New York Times (31/10/2004)
- Tutty Vasquez reclama de não ter assunto e dos furtos entre colunistas. Passatempo: Mártires da falta de assunto
- Adriana Maximiliano no nominimo, sobre os 30 anos da revista especializada em maconha “High times” Uma maconheira balzaquiana
sábado, outubro 23, 2004
VIAJANDO
Domingo à noite, hora morta, chove lá fora, e eu decido rodar o mundo sem sair do lugar. A turnê começa motivada pela amiga que faz anos não via, que me achou pelo Orkut e pede notícias minhas desde Boulder, Colorado. Mando as poucas que tenho e pergunto as dela. Não sei nada do lugar, exceto que ela mora na “cidade do hotel do Iluminado do Kubrick”. O que soa bem assustador, como se ela tivesse que tomar cuidado com Jack Nicholson empunhando um machado e rios de sangue que jorram dos elevadores do local...
Sigo à viagem com o colega que está em um avião para reencontrar a namorada na Espanha. Desejo sorte, registro saudades e faço uns acertos com ele enquanto o sujeito dorme sobre o Atlântico.
Passo adiante e dou continuidade ao diálogo sobre um livro de Edward Said, que a editora em que trabalho lançou, e que uma amiga em Londres comprou em um seminário em homenagem ao ativista e pensador palestino em Londres, após um ano de sua morte. Aqui, nenhum jornalista deu muita bola para este assessor de imprensa quanto a isso. Tudo bem. Somos muitos e o espaço, pouco.
Decido girar de vez o mundo, e viajando no tempo e espaço, escrevo para um ex-amor, não sei se em Möst, Praga, Liberec ou em que cidade, em que hospital ela anda, pedindo as mesmas notícias que a amiga de Boulder pede para mim.
Com muita saudade da minha namorada, mando aquele texto de Robert Kurz que ela havia me pedido por e-mail, e por algum problema da lista papelotes, ou do seu desmoderado moderador, ela nunca havia recebido (se tem o mesmo problema, não dê reply, mande direto e reclame). Não que ela vá ler nestes dias em que está desbravando, brava que é, o norte da Argentina: Tucuman, Cafayate etc. Brava no bom sentido, para ela não ficar comigo no mau.
Outro alô, e mais notícias, sempre as notícias, da minha irmã que foi morar na Paris para onde todo mundo quer ir, e onde ela foi parar meio sem querer querendo, tendo que agüentar todo mundo dizer que era chique a dura batalha que não tem nada de chique. Dizer que é chique é uma merda de preguiça mental. Quem sabe o que é, sabe que foi sim extraordinário pela superação.
Depois, um contato-convite com pessoa querida da mais exótica e distante das culturas: a carioca. Para que ele venha em mais uma excursão antropológica ao planalto, combater os bandeirantes de merda que aqui residem e votam naquele sujeito com nome do acidente geográfico que nos separa do litoral (deve ser o desejo incosciente de ir á praia que provoca este voto).
Leio na Folha de S. Paulo as notícias que a ex-colega de faculdade traz do debate entre os candidatos à “dono do mundo”, Bush e Kerry, no Missouri, e por telefone, aquele alô para minha mãe que com minha outra irmã aproveita o feriado em Santos, onde do mundo não se decide nada.
Não deu tempo de visitar pessoalmente meu avô em Higienópolis, ele que dizia que ia “correr o mundo”: Guarulhos, Santo André, se não me seguram vou até Diadema. Adiei de novo.
O filósofo esloveno Slavoj Zizek, avisa desde a pequena Ljubljana, que tem grande vontade de vir, mas só pode visitar o Brasil depois de fevereiro. No seu texto sobre uma nova luta de classes, entre as favelas excluídas e comunitárias versus uma nova classe global simbólica, de mídias, universidades e gestores de capital, urbanos/globalizados, com mais semelhanças e referências comuns entre si nos milhares de quilômetros conectados por e-mails, filmes, seriados e aviões, do que com aqueles que fisicamente moram a dois quilômetros deles.
Um rapaz que faz samba e joga basquete, me mostra suas músicas na rua, estilo clássico, talvez até demais, que sonha levar ao “Zeca”, como se falasse em Meca, donde partiriam milagres. O problema é que não tem como ser contatado. Sem telefone, fixo ou celular, sem saber mexer no computador, sem grana para telefonar, sem residência fixa entre aqui e lá. Faz um a cobrar, sugiro, que ligo de volta para onde tu estiver.
Para a amiga de Boulder, que perguntava por onde eu andava, respondi que nas mesmas ruas de sempre, da zona norte da cidade-monstro em que nos conhecemos. Entro na internet e vejo fotos do lugar. As melhores imagens são da viagem da menininha loira Regan, tiradas por Meinhardt Greeff, que deve ser o pai ou mãe dela (Meinhardt é homem ou mulher?), e jogou a excursão familiar para o mundo ver.
Montanhas, lagos, canyons lindos, alces, aquelas pessoas com aquela cara de americanos. Lugar idílico pelas fotos da pequena Regan. Bonito, dá vontade de conhecer.
As fotos me lembraram que as montanhas de Boulder não são apenas o cenário de O “Iluminado” de Kubrick. Partes das mesmas filmagens, de helicópteros sobrevoando uma floresta do início deste filme, foram emprestadas para o fim de outro, a também obra-prima Blade Runner, de Ridley Scott. As mesmas cenas representando em um caso, o isolamento que leva a loucura e ao terror, e no outro, a liberdade, a fuga da opressão em busca de um futuro desconhecido, mas aberto à possibilidade do amor. As mesmas montanhas de Boulder. Questão de montagem? Faz tempo que eu não vejo Blade Runner e hoje de manhã por acaso me peguei com vontade de assisti-lo pela sei lá, 20ª vez. Talvez quando ela voltar da Argentina.
domingo, outubro 03, 2004
APOSTAS ELEITORAIS
Marta X Serra: O Datafolha projeta 37% para serra versus 34% para Marta (o que dá 40% X 37% dos votos válidos). É um empate técnico pela margem de erro. Eu creio que Marta ganhará a votação do primeiro turno por uma vantagem mínima, não superior a 2% dos votos.
Vereadores: O PT hoje tem 18. Acho que sai da eleição com 14. O PSDB hoje tem 8. Acho que sai dela com 11.
Vereadores do PT que devem se eleger (sem order de votação):
1) Arselino Tatto
2) João Antonio
3) Beto Custódio
4) Lucila
5) Carlos Neder
6) paulo Teixeira
7) José Américo
8)Soninha
9) Claudete Alves
10) Chico Macena
11) Donato
12) Nabil Bonduki
13) Irma Passoni
14) Pampa
Eu não conheço todos os vereadores do PSDB, mas acho que Willian Woo, Gilberto Natalini, Carlos Alberto Bezerra, Marcos Zerbini e Ricardo Montoro se reelegem. Quanto a José Aníbal, se elege, mas não acho que será o puxador de votos que o PSDB espera dele. Deve ter uma votação em torno de 150 mil votos.
Quem eu espero que não seja eleito mas deve ser: Milton Leite, Faria Lima (Prona). Espero que Maria Helena também não volte à Câmara.
Vamos checar isso depois das eleições.