quarta-feira, abril 18, 2007

VQP - é mais por aí

As matérias da Veja sobre as ameaças ao Conselho Nacional de Justiça, sobre o avanço de missionários evangélicos sobre populações indígenas e as denúncias contra Jader Barbalho são importantes.

VQP - É quase por aí...

Maílson da Nóbrega assina um artigo comparando Cuba e Dubai, sobre suas visitas aos dois países, ambos ditaduras, mas uma exaltada, porque capitalista, outra criticada, porque socialista. Além de ficar claro que democracia não é o ponto aqui (Cuba é considerada mais “democrática” que Dubai) e a simpatia de citar Mike Davis, Maílson é obrigado a reconhecer que os cubanos são altamente instruídos, cosmopolitas e saudáveis. Muito mais, aliás, que seus vizinhos do Haiti, Jamaica e República Dominicana. Mas o artigo até que é tranqüilo, pragmático e realista. Melhor que as reportagens da Veja. Quem diria: um artigo de Maílson da Nóbrega um dia seria mais jornalismo que o jornalismo...

VQP - Cite a New Yorker quando chupinhá-la

Na sua matéria de uma página sobre a polêmica em torno da língua da tribo pirahã, seria educado da parte de Veja: 1) não comprar completamente a tese, polêmica e contestada por muitos, de Daniel Everett, só porque ela rebate uma teoria científica elaborada por Noam Chomsky. 2) Citar que chupinhou a matéria da New Yorker. Ao menos citaram Chomsky sem nenhum impropério do lado...Em tempos de web e blogs, na sexta-feira quem se interessava pelo assunto já tinha ido na fonte original...

VQP - Agora e na hora de nossa morte - 2

Outro caso de obituários grosseiro da Veja


“O artista plástico americano Sol LeWitt, expoente da arte conceitual, um modismo dos anos 60 segundo o qual a idéia por trás de uma obra é tão ou mais relevante do que a sua realização final. Esse blablablá teórico não era levado em conta pelos compradores das pinturas de LeWitt, que gostavam mesmo era das cores fortes de seus murais com motivos geométricos. Dia 8, aos 78 anos, de câncer, em Nova York.”

Alguém ainda precisa de Veja Q Porcaria?

Quando comecei a analisar a Veja lá atrás, em 2002, não era banal a revista ser considerada exemplo de jornalismo parcial e mal intencionado. Hoje, olhem este post do blog Econominimo:

"Até tu, Economist?

Até a celebrada “The Economist” tem seus dias de “Veja”. No recente e extenso relatório sobre o Brasil, o correspondente Brooke Unger, além dos entrevistados citados nas próprias reportagens, lista os especialistas que ouviu para compor seus textos.

Mas, engraçado, aqueles que, procurados por Unger, não rezaram pela cartilha neoliberal da publicação, mesmo perdendo até mais de uma hora em conversas pessoais com o correspondente, ficaram de fora – não só das reportagens como também das menções no final do relatório.

Imparcialidade é isso."

Esta certo que ainda tem muita gente que acredita na revista, que segue a batida distorcida com que ela trata muitos assuntos, e que esta vai muito bem de publicidade...mas sinceramente, quem ainda precisa de uma crítica que a leve a sério, nesta altura do campeonato?


terça-feira, abril 17, 2007

FHC: o que fez e o que faria diferente

por ele mesmo, em inglês, no Miami Herald

O que fez:

In democracy, we made progress. I tried to reinforce institutions; democracy requires institutions. What is still lacking in Brazil in terms of democracy is not institutions. It is a more difficult thing. It is civic culture: the respect of the law.

Secondly, I consolidated economic stabilization. After the stabilization of the economy, we suffered an enormous financial crisis. We tried not to just look at the economy but to look at the people, education, agrarian reform and health.

O que deveria ter feito diferente:

As to whether I would do something differently? Yes, it would have been possible to float the exchange rate in 1998. Maybe I would have started the social program earlier.

I could also have put more energy into political reform.

Tradução: o câmbio estava sobrevalorizado em 1998, e sim, que maçada não termos pensado em um bolsa Família mais amplo antes do PT. Custaria tão pouco ter o apoio das massas e não parecer tão elitista...

PS: Após a histeria da eleição, e um ar conformado com o fato de Lula estar adquirindo um peso tão grande, FHC parece na entrevista mais sereno e ponderado: http://www.miamiherald.com/103/story/73571.html

segunda-feira, abril 09, 2007

Vai entender...

É difícil, e dispensável, entender a mente de Sérgio Martins. Fez uma matéria sobre novas cantoras. Muito legal, Veja dando espaço para um mundo de nomes novos, e cultura brasileira. Abordou várias delas. Deu destaque para cinco e citou várias outras. Nenhuma menção a Céu, talvez a mais importante das jovens cantoras de linhagem mais moderna, pop ou contemporânea e das que eu ouvi, a melhor de todas, anos luz a frente da Mariana Aydar, por exemplo, que está na matéria (anos luz mais conhecida que as outras sob a linhagem "Marisa Monte"). Não faz sentido justifcar por tempo, porque cita o CD de Roberta Sá, que é de 2005. E o estranho e gratuito ataque ao Seu Jorge inserido meio de caco, chamando-o de "pagodeiro". O registro do espanto com a não citação de Céu pela Veja, na comunidade de fãs da moça no Orkut:
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=470215&tid=2525498588961829518&start=1

quinta-feira, março 29, 2007

Um pouco de música

Anda faltando música e outras coisas mais neste blog. Sexta, assisti o show do enérgico Tom Zé e não escrevi nada. Domingo, vi o complexo documentário "Santiago" de João Moreira Salles, que tem material para 10 tratados sobre estética, documentário, relações de classe ou psicanálise. E não escrevi nada, e sigo não escrevendo. Bem, o show do Tom Zé já foi, e sabe-se lá quando vão passar a sessão de descarrego do Salles. Vale dizer, um corajoso auto-retrato da elite brasileira. Ele disse que tinham que começar a filmar a elite brasileira e começou por ele mesmo. Legal.

Mas chega de escrever que papo de sambista é samba. O link da rádio:
http://www.4shared.com/file/13028053/f7b24606/coqueiro_velho_2.html

terça-feira, março 27, 2007

VQP - O índice "Marquinhos"

Na segunda-feira da semana passada, houve uma reunião dos gerentes da Abril no Hotel Meliá, em São Paulo. O presidente do grupo, Roberto Civita disse que o Brasil “não era desculpa” para o grupo não crescer. Que o país estava no rumo certo. Que não era o que eles queriam, e que poderia estar crescendo mais rápido, mas que era o rumo certo.

Este é o tom da Carta ao leitor desta semana. Óbvio que por um lado ela beira o ridículo caipira, com seu “índice Starbucks”.

“Imaginemos agora um Índice Starbucks. Seria um indicador baseado no desempenho das cafeterias da rede americana instalada em quase quarenta países e serviria para medir a capacidade empreendedora de cada uma dessas nações, bem como o potencial de consumo de suas populações. Aonde se quer chegar? A uma informação publicada na seção Holofote desta edição. No espaço de uma simples nota, há uma notícia que esclarece muito sobre o estado atual da economia brasileira: as duas primeiras lojas da Starbucks abertas no país em dezembro, ambas em São Paulo, já ocupam o topo do ranking de atendimento a clientes das cafeterias da rede mundial.”

Olha, só dá para entender isto como besteirol intencional, para este e outros caírem de patinho e a revista gerar comentário. Eles estão falando sério? Quando saiu aquela matéria imensa, de capa, sobre a chegada da Starbucks no Brasil, muita gente no meio disse: “não pode ser, isto é jabá”. Mas eles são tão marquinhos que não sei...Eles acham que duas lojas novidadeiras na região sudoeste de São Paulo simbolizam qualquer coisa? Nossa...

“Não poderia existir momento mais propício para que Brasília desse um empurrão pondo para andar as reformas tributária, previdenciária e trabalhista e, assim, arrancar os grilhões que ainda aprisionam a economia. Isso ajudaria a levar o Índice Starbucks a todo o parque produtivo brasileiro com as previsíveis e extraordinárias conseqüências para a paz social e a elevação do padrão de vida de todos os brasileiros.”

Olhe. Existem mudanças tributárias (mais), previdenciárias (algumas) e trabalhistas (menos) que provavelmente seriam interessantes. Simplificar a tributação e cobrar no destino, não na origem do produto seria justo, mas isso sempre é barrado por São Paulo. Aprovar idade mínima de aposentadoria de 65 anos para a maioria das carreiras com nível superior e em alguns setores do funcionalismo público, por exemplo, poderia ser uma idéia aceitável, mas os neoliberais feitores que defendem a reforma querem descê-la sobre o lombo dos mais pobres...O problema no “rumo certo” que se quer com estas reformas sem se pronunciar é regredir os custos e condições da mão-de-obra brasileira aos níveis da indiana e chinesa. É o tipo de projeto de país que grande parte da nossa elite (lógico, há exceções) está viciada em pensar. Ela não quer, nem acredita, no desenvolvimento em parceria, e para, melhorar a vida da maior parte da população. Dureza...

VQP - 3 artigos sobre insegurança

A Veja já foi definida uma vez como a revista “da classe média assutada”. Três artigos, de Lya Luft, Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo, tratam de violência. É claro que a violência no Brasil não é normal. E é claro que ela assusta a classe média. Porque embora os índices de mortes por homicídio entre a classe média não sejam muito acima dos de primeiro mundo, os crimes contra o patrimônio e a ameaça de violência nos espaços públicos são constantes. E os efeitos da violência não estão só no ato, mas também no medo de que o ato possa ocorrer, na sua possibilidade. O desafio de escrever, e tratar, sobre violência é manter a indignação, porque de fato é absurdo, mas não cair na sua versão vazia de basta que não compreende e que a reforça. Basicamente, realimentando o paradoxo de que quem alimenta as estatísticas da violência, a morte de jovens de periferias, e quem mais sofre com as políticas que supostamente deveriam combater a violência (afinal, todos sabemos que o que realmente se advoga é menos reduzi-las e mais confiná-la aos seus limites geográficos e sociais “aceitáveis”). Eu vou passar de comentar o artigo do Azevedo, com duas exceções: 1) Ele não resiste a tentação de atacar a esquerda em todos os seus textos...2)Embora ele coloque ressalvas, nas passagens sobre o humanismo, a tese de que a moral só pode advir de uma religião é mais um capítulo do preconceito e da incapacidade de compreensão que os religiosos têm dos ateus. Proponho a seguinte pesquisa ignóbil: analisar a moral e a criminalidade em dois países vizinhos do Leste Europeu, recém saídos do comunismo e ingressos na União Européia: a de maioria atéia República Tcheca e a fortemente católica Polônia. Para quem não tiver mais nada, nada o que fazer...

VQP - Briga grande em notinha

Atente para esta inocente nota da seção Radar:

“Curioso
A Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) quer proibir no Cade uma promoção conjunta da TVA e da Telefônica que oferece um pacote de TV por assinatura e banda larga por preços reduzidos. No caso, é curioso que a associação se volte contra um associado, considerando que é exatamente isso que outro associado, a NET, vem fazendo com outra tele, a Embratel, há muito tempo. Com todo o apoio da entidade.”

A nota está correta. Só falta informar que a TVA é uma empresa em processo de venda, da Abril para a Telefônica. E que esta venda é estratégica para o grupo Abril saldar suas dívidas. E que a briga em torno da convergência da internet+telefonia+tv por assinatura que coloca de um lado do ringue a Abril+TVA+Telefônica(Speedy e Terra) e do outro a Globo+NET (Virtua)+Embratel+Sky e Direct TV (News Corp) é a mais importante briga do setor de comunicações do país...Ao menos na matéria “calhau” sobre o Canal Fiz que será lançado pela Abril, Veja informa que é do mesmo grupo que a publica.

VQP - Sonegando informação...

A matéria de capa da Veja é boa, noves fora fazer baião de dois para a instalação da CPI do Apagão Aéreo, o que é do jogo e do direito. Ela só tem um porém, que é um grande porém. Por que fingir que o problema da infraero e da falta de investimentos em infra-estrutura portuária é apenas de corrupção e má gestão, e esconder que o governo contingência recursos bilionários arrecadados de taxas cobradas dos consumidores, para fazer superávit primário? Ou seja, que o próprio setor gerou receita, que deveria resolver seus problemas, mas que esta foi desviada para pagar juros? Por que na matéria “A infraero não informa” a Veja não informa isso...


Sonegar informação para defender de forma exagerada seu fanatismo neoliberal também ocorre na matéria “Maior, mas do mesmo tamanho” sobre o PIB brasileiro. Último parágrafo da matéria:

“Os novos cálculos deixaram o Brasil ligeiramente melhor na fotografia internacional. Mas nem por isso desapareceram as travas que emperram o desenvolvimento. Ou, pior, como temem alguns analistas, o governo pode se inebriar com o seu "quase pibão" e enterrar de vez as reformas sem as quais não haverá como o país entrar em rota de crescimento duradouro. O "novo PIB" dá a dimensão do drama: a gastança pública foi maior do que se imaginava. Já a poupança e os investimentos ficaram menores. (grifo meu) E aí não há milagre estatístico: sem poupança e sem investimentos, o "pibinho" nunca será "pibão".”

Sobre o trecho em negrito, duas coisas: não se sabe como Veja diz, a partir do PIB, que os gastos do governo cresceram, já que o novo PIB não afeta os números absolutos dos gastos do setor público, e os reduz em termos relativos (carga tributária/PIB), informação sonegada aos leitores da revista porque contraria seu discurso ideológico. Assim como foi sonegada a queda da relação dívida PIB, provavelmente a conseqüência mais importante do novo número, junto com ele forçar os ortodoxos a refazerem suas contas de “PIB potencial” (o máximo de crescimento possível do país sem afetar a inflação) o que tem efeito nos debates sobre a taxa de juros.

sexta-feira, março 23, 2007

VQP - Azevedo X Azenha

Reinaldo Azevedo semana passada teve uma "briga de blogs" com Pedro Doria, do nominimo, em torno da tradução da fala do papa do latim em torno de casamento, a "chaga" X "praga" . Estava certo. Entende muito de latim, catolicismo e gramática. Parabéns.
Esta semana, e parece que quem começou foi Azevedo, mas, felizemnte, perdi o primeiro caítulo, começou um "tirotexto" (tiroteio de texto, desculpe a infâmia...) com Luiz Carlos Azenha.
Não é nada edificante. Mas enfim, como inventei-me, faz tempo, de fazer isso, vão os links para quem estive disposto:
Azenha:
http://viomundo.globo.com/site.php?nome=MinhaCabeca&edicao=725
Azevedo:
http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/

Óbvio, e sinceramente, concordo muito mais com a visão de mundo, de jornalismo e postura do Azenha.

Idéias que provocam...

Bem, citando de cara o "conflito de interesses". Esta entrevista do filósofo Paulo Arantes na Carta Maior é por conta do lançamento do seu livro, Extinção, pela editora em que eu trabalho, a Boitempo. Mas vale muito, muito a pena indicá-la. Mesmo sem concordar com tudo, é o tipo de raciocínio rigoroso e criativo que provoca e estimula a questionar lugares-comuns e falsas dicotomias. A parte sobre as guerras de Bush que existem justamente para não serem vencidas nem perdidas, mas eternas, é sensacional.

http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=13774

quinta-feira, março 22, 2007

Coluna de Clóvis Rossi de hoje

Dois temas importantes: a maluquice de Lula chamar os usineiros de "heróis" (está com esta mania agora...deve estar assistindo o ótimo seriado Heroes...). E a quebra de contrato, pedida pelos lobbys dos bancos, que reduziram os rendimentos do FGTS e da poupança, para protegere os fundos de renda fixa (uma inversão de valores inacreditável).

Os heróis de Lula


SÃO PAULO - Primeiro, o governo Luiz Inácio Lula da Silva mexeu na TR (a Taxa Referencial de juros), de tal forma que os rendimentos da poupança serão reduzidos.
Alguém aí ouviu algum outro alguém gritar "calote", "tunga", "quebra de contrato" ou algo parecido? Ou só silêncio?
Depois, constatou-se que, graças à mesma mágica besta do governo, também o FGTS será afetado, passando a ter rendimento inferior ao da inflação (ou seja, perda de renda, em bom português), dependendo do nível da taxa de juros.
De novo, gritos enfurecidos de "calote", "tunga", "quebra de contrato"? Nadica de nada, salvo uma reclamaçãozinha chocha do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, mais por não ter sido ouvido do que pela tunga. Reclamação que, de resto, só comprova uma vez mais que, no governo do Partido dos Trabalhadores, trabalhador não é ouvido nem cheirado, por mais que o presidente da República ainda se considere torneiro mecânico, profissão que não exerce há pelo menos um quarto de século.
Agora, experimente você mencionar "calote" (não necessariamente para defendê-lo) em relação à dívida pública. Cai-lhe o mundo em cima, por baixo, por baixo.
Ficamos então assim: "redutor" na TR, afetando o pequeno investidor e o assalariado, pode. Já o rendimento do grande investidor, que detém os papéis do governo, é absolutamente intocável, sagrado. Foi assim sempre, mas se tornou quase vício, verdadeiro dogma religioso no governo Lula, que fez a opção preferencial pelo mercado financeiro, ao qual dedica anualmente algo em torno de 7% ou 8% do PIB.
Dia virá em que Lula chamará de "heróis" o pessoal do mercado, como fez anteontem com os usineiros, no mesmo dia em que fiscais do trabalho encontravam trabalhadores da cana atuando em condições "degradantes".

quarta-feira, março 21, 2007

Diálogo maluco sobre o novo PIB by IBGE

Começou como um debate sobre economia. Acalorado. Aí, no meio do caminho, o IBGE aumenta o PIB em mais de 10%. E as bases do debate vão para o ralo. Aí eu digo:

Tem mais , a gente discute, discute, aí vem o IBGE, muda tudo, e a gente descobre que a vida é numerolo...ops, metodologia...De ontem para hoje acordamos 10% mais ricos, devemos ter crescido mais que alguém além do Haiti, e a dívida/PIB foi de 51,5% para 46,5%. 10% de crescimento em um dia? Seria o espetáculo (no sentido teatral do termo) do crescimento? abração e risos...

Resposta

Zé, tô tentando entender essa parada faz umas três horas. Minhas dúvidas:
Se é assim, por qual motivo o IBGE foi tão estúpido de não fazer isso antes?
Será que isto não poderá ser visto como manipulação?
Caso esteja correto, como me parece que está, será que finalmente vamos entrar em um novo ciclo de crescimento, novamente sem inflação? (não teve inflação no milagre)

Como fica a questão do investment grade?
E o PIB potencial?
Quer dizer então que a carga tributária é menor do que a gente pensava e mesmo assim trava o país? Enfim. Dúvidas, dúvidas e dúvidas.
E o meu conhecimento em economia não me permite ir além delas.To tentando ler mais a respeito. Abração

tréplica

Bem, se a carga tributária é mais baixa em relação ao PIB e ele está crescendo neste ritmo, ela não trava tanto o país assim...ao menos como se pensava...Tenho as mesmas dúvidas. Estou esperando alguém vir com uma c´ritica demolidora para começar a entender o que ocorre. Deixa eu te adicionar outras duas dúvidas:

1) Quais são os padrões internacionais de cálculo do PIB? Nos aproximamos deles, nos afastamos, ou é o samba do FMI doido, cada país tem seu critério?

2) O que os gringos vão pensar quando todos os números da economia brasileira forem diferentes amanhã..."Uau", "uai" ou "how" ?

A emenda 3 e o jornalismo de resultado

A discussão em torno da emenda 3, que proíbe fiscais do trabalho de aplicarem multas em empresas, e passa esta atribuição aos juízes do trabalho, vetada por Lula e defendida pela oposição, tem escancarado algumas máscaras. A matéria de ontem do Jornal da Globo sobre o tema era o ápice da desinformação e cinismo. Do governo à oposição, todos fingiam se tratar da questão de um "princípio jurídico" da função do fiscal, quando todos os entendidos sabem que não é esta a questão ou o que está em jogo (todo mundo ali cumpria um script...). Se fiscal não pode aplicar multa em sua área específica de competência, só juiz, policial não poderia prender em flagrante, nem guardinha da CET aplicar multa, e teríamos que ter um monte de juízes pelas ruas fazendo o policiamento...
O que está em jogo é a tentativa dos defensores da medida, o que inclui as grandes empresas de mídia, de impedirem a fiscalização (pouca) da justiça do trabalho contra a "pejotização" de empregados, que acontece inclusive nas empresas de comunicação, por exemplo, com grande parte dos repórteres e apresentadores da Globo (o boato em Brasília é que a própria empresa fez lobby pela emenda). Atuação em causa própria. E pouco se importando com as implicações disso, por exemplo, no combate ao trabalho escravo. Se os fiscais forem proibidos de atuar, acabam as missões para libertação de escravos em fazendas. É isso aí, a aparente defesa das relações (pós) modernas de trabalho defendem a escravidão. É a cara do projeto conservador brasileiro. É a cara do PFL e do PSDB fazer de algo assim uma prioridade.
Lula fez bem em vetar a emenda, mas nitidamente o governo não está jogando pesado em impedir a tentativa da oposição de derrubá-la, porque se tivesse já tinha acabado com esta história.
Para entender melhor o caso, leiam o Blog de Leonardo Sakamoto: http://blogdosakamoto.blig.ig.com.br/
E este artigo interessante sobre o caso, que saiu na Folha de S. Paulo de hoje, de Elio Gaspari:
O fantasma jurídico da pessoa física
Na mesma Folha de hoje, um exemplo da importância do trabalho dos fiscais. Blitz nos canaviais do interior de São Paulo, contra condições abusivas de trabalho de boiás-frias, nas "glamourizadas" plantações de cana-de-açucar. E com este tipo de coisa que a emenda 3 quer "acabar".

segunda-feira, março 19, 2007

O caminho da sucessão na Abril

Hoje os gerentes e executivos da Abril se reuniram no Hotel Meliá. Foi anunciada a participação de Giancarlo Civita na presidência executiva do grupo, pelo presidente da editora e seu pai, Roberto Civita. É o caminho da sucessão para a terceira geração da empresa.

Davi x Golias no Bexiga - de Gulherme Wisnik

"Roubei" este texto da Folha de S. Paulo, porque merece ser lido independente das caretices da informação restrita "para assinantes" na web.

GUILHERME WISNIK

Um dos maiores patrimônios da cultura brasileira viva, teatro Oficina continua a disputa com Silvio Santos

MAIS UM capítulo na disputa entre o Grupo Silvio Santos e o teatro Oficina: depois de induzir o destombamento e a demolição de sobrados de interesse histórico nos terrenos que adquiriu para a construção de um shopping, o Grupo SS continuou a "limpeza" da área demolindo a sinagoga Ohel Yaacov, uma das primeiras de São Paulo. Com os entulhos, tapou duas janelas do teatro, envolvendo-o em escombros. Zé Celso, por sua vez, encontrando uma estrela de Davi metálica em meio aos destroços, passou a usá-la em cena como um amuleto contra a ofensiva do Golias-Silvio Santos. Seu poder é revelar os teatros latentes por trás de cada personagem, incluindo o seu próprio, e reteatralizá-los.
Encaixadas sob os arcos de tijolo do paredão dos fundos do Oficina, as janelas foram abertas durante a montagem de "Os Sertões", indicando a intenção de expansão do espaço cênico atual (um palco-pista, como um sambódromo) para a desejada "apoteose" do teatro de estádio no terreno de trás, hoje um estacionamento.
Nascido de uma colaboração inédita entre os arquitetos e a companhia teatral, o teatro Oficina é um dos maiores patrimônios da cultura brasileira viva e um exemplo de radicalidade única no mundo. Radicalidade que não nasceu nem se alimentou de caprichos ou meros interesses expansionistas, mas, ao contrário, de uma necessidade artística: um auto-sacrifício ritual, masoquista como a própria estética tropicalista. Essa é a história inscrita no seu espaço, e determinante na decisão aparentemente insana de se demolir o antigo teatro para a construção do atual, acarretando mais de uma década de impasses em que o Oficina permaneceu em ruína.
O projeto anterior, feito por Flávio Império, "aproveitava" a estreiteza e declividade do lote construindo uma única arquibancada em frente a um "palco italiano". Ocorre que, com o tempo, o experimentalismo vanguardista da dramaturgia ultrapassou a sua estrutura física, ainda presa ao ilusionismo estático da caixa cênica. Era o coro que tomava posse do espaço, em uma concepção de encenação que tendia para o ritual, abandonando o paradigma do teatro como um lazer burguês, e radicalizando sua condição de festividade de massa, em aproximação com o Carnaval. Inspirado na tragédia grega e no teatro nô japonês, o projeto de Lina Bo Bardi e Edson Elito assumiu o terreno existente como uma pista em rampa, um "teatro de passagem", ligando a rua a um parque festivo.
Com o poder da grana e das "leis do mercado", Silvio Santos vem comendo por fora e cercando o teatro, ameaçando encapsulá-lo. Cabeça dura, e ainda mais ambicioso que o seu adversário, Zé Celso responde na mesma moeda: não faz concessões e pleiteia a cessão do terreno do "inimigo" para a construção do parque-estádio que completará o projeto original do Oficina. Sua ousadia desafia um dos maiores tabus da nossa sociedade: o direito de propriedade. Pois ele bem sabe que se o Brasil for capaz de eleger e cultivar os patrimônios que o mantêm vivo, Davi poderá vencer Golias.

domingo, março 18, 2007

VQP - PAZ, AMOR E ANÚNCIO

A revista está até que meio paz e amor com o governo nesta edição. Fala de Odílio Balbinotti, aquele que foi sem nunca ter sido ministro da Agricultura, mas cita os problemas que FHC também teve com o PMDB. E elogia o pacote de Lula para a educação. Fofo. É claro que trata-se de coincidência (mesmo), mas é também a primeira vez em muuuuito tempo que surge um anúncio de estatal ou do governo federal na revista. É um de página dupla do Banco do Brasil.