terça-feira, maio 15, 2007
Os porques de Fidel ser contra o etanol
O problema de Fidel com o etanol pode ser resumido da seguinte forma: se o Brasil seria a "Arábia Saudita" do biocombustível, Cuba tem tudo para se transformar no "Iraque" do etanol. A potencialidade econômica do combustível pode estimular a beligerância norte-americana.
Esta é a razão não dita para as preocupações de Fidel com o assunto. Seu último artigo pode ser lido no link abaixo:
http://www.granma.cu/espanol/2007/mayo/mar15/lo-que-aprendimos-del-vI-encuentro-hemisferico-la-habana.html
segunda-feira, maio 14, 2007
VQP - Dois países, duas eleições, duas medidas
Voltemos agora para a França. A chamada de capa é a seguinte "França: aposta em um futuro de direita". Parece mentira, mas Veja não publica que a diferença entre Sarkozy e Ségolène Royal foi de apenas seis pontos. Que a massiva participação no processo eleitoral indica uma sociedade polarizada e indecisa em torno da necessidade de desmonte do estado de bem-estar social, e na relação com os descendentes de imigrantes... A matéria faz um oba-oba em torno da personalidade de Sarkozy (assim como Veja sempre foi simpática a Berlusconi, Aznar e Menem, argh!), monta um paralelo descabido entre ele e Tony Blair, que está se aposentando e manchou um governo com desempenho interno incrível por ter montado na garupa de Bush, e só termina indicando que "vem turbulência por aí". É a maneira de desqualificar previamente os protestos que certamente acontecerão quando Sarkozy colocar suas propostas na rua. Matéria de muito mais senso, reportagem, clima e rua, também de correspondente em Paris é a da Carta Capital(aliás, é impressionante, como ter um correspondente em Paris, parece não fazer diferença nenhuma no texto da matéria...).
VQP - Veja mente sobre USP e autonomia
No textículo de uma página intitulado "No caminho certo", pateticamente assinado por Camila Pereira, mas "pensato" (sic) por Reinaldo Azevedo, sobre a invasão da reitoria da USP, a revista Veja mente ao dizer que o problema é apenas que "as universidades se recusam a entrar no Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios (Siafi)". Não é este o problema. O problema é que com a criação da Secretaria de Ensino Superior, com a reformulação do Conselho de Reitores das Universidades do Estado de São Paulo (Cruesp), e novos decretos, Serra passou por cima da lei e acabou com a gerência interna de recursos na universidade, a autonomia financeira. Na prática, interveio na universidade.
O último parágrafo do artigo é uma elegia ridícula: "O governador Serra cumpre seu papel de administrador ao enfrentar esses problemas e resistir às pressões corporativas. Age com a autoridade de quem foi presidente da União Nacional dos Estudantes e teve longa carreira como professor em instituições como a própria Unicamp e Princeton, nos EUA. Não é ele quem quer destruir a autonomia da USP."
Não é que ele queira. Ele já destruiu. Basta ler esta matéria da Folha de S. Paulo, que pode ser acusada de tudo, menos de ser um jornal anti-serrista: Universidade só pode mudar gastos com decreto de Serra (para assinantes).
Isso é o fim da autonomia financeira da USP. E mostra como a Veja sabe fazer, sei lá se de forma espontânea ou estimulada, matérias e versões de encomenda para Serra, mesmo que elas sejam mentiras absurdas.
PS: Observe que a questão do mérito ou não de como eles cobriram a invasão em si, da opinião deles sobre ela, nem foi tratado. Impressiona mais a mentira e manipulação descarada do ataque de José Serra a autonomia universitária...
No quesito público, o papa perdeu
Romantismo fora de hora
1- Avalon - Roxy Music (eu ainda tenho que escrever um texto sobre esta música inacreditável de boa)
2 - You´re the best thing - Style Council (note a tendência por uma bossa nova inglesa...)
3 - Fade into you - Mazzy Star (pegadinha blues, "desaparecer dentro de você" é lindo, etéreo e sexual ao mesmo tempo)
4 - Nothing Compares 2U - Sinead O´Connor ("Faz sete horas e quinze dias, desde que você levou seu amor embora..." A letra genial é do Prince, mas Sinead transforma a música em algo muito, mas muito triste)
5- There´s a light that never goes out - The Smiths (foi uma disputa dura com "Don´t let me be misunderstood", na versão blues-oriental de Elvis Costello, mas Morissey praticamente se suicida nesta música. Não é para qualquer emo não...rs....)
Notei que a lista começa mais alegre e vai descendo a ladeira...Dia desses faço uma de nacionais...
Proibido Proibir
sábado, maio 12, 2007
Fotos de Sebastião Salgado
http://arts.guardian.co.uk/salgado/image/0,,2077763,00.html
quarta-feira, maio 09, 2007
Todo apoio ao amor de Bento XVI
"Queridas pessoas
Do fundo do coração desejamos toda felicidade a todo tipo de casal que queira viver em liberdade e afeição genuína.Por isso, reivindicamos o direito de união aos urubuzinhos Joseph e Georg.No portal da Folha, hoje, tem um bocado de informações sobre Don Georg, secretário do Bento, monsenhor opus-dei-fashion que inspirou a última coleção masculina Versacce e é uma espécie de muso dos gays italianos. Mais informações interessantes nos sites de busca.Além de escolher óculos, relógios e demais adereços do Joseph, monsenhor Georg está sempre por perto, ajudando a trocar de óculos e solidéus, arrumando a capinha etc. Em todas as aparições do B16, monsenhor está ao lado ou um passinho atrás. É fácil vê-lo: é um loiro alto, lindo, de olhos verdes, corpão de tenista. É bonito, mas ordinário. Começou dando aulas na faculdade da opus dei e agora é da santa inquisição, digo, da doutrina da fé...O Estadão diz que o papa tem hábito de fazer as refeições sozinho, coisa que as fotos da Folha desmentem, mostrando o verdadeiro lugar de Don Georg. Eu estou neste propósito: o B16 fala o que quer do aborto, da camisinha e da homossexualidade, e eu falo o que quero da vida pessoal dele!"
A matéria na Folha Online e as fotos da dupla:
http://noticias.uol.com.br/ultnot/especial/papanobrasil/ultnot/2007/05/09/ult4563u94.jhtm
terça-feira, maio 08, 2007
Polêmica Racionais X PM porque o You Tube é melhor que a Globo
http://www.youtube.com/results?search_query=virada+racionais&search=Search
Até neste vídeo da Globonews fica nítido o exagero dos policiais, o despreparo, e que primeiro eles saíram, deixando as pessoas subirem na banca e depois voltaram barbarizando. Tiros de borracha e bombas de efeito "moral". Enquanto isso, Mano Brown tenta acalmar o público. O fim da matéria destaca apenas o "vandalismo". Mas a falta de preparo, planejamento, e responsabilidade da polícia atirando balas de borracha e provocando correria em uma multidão (alguém poderia ter sido pisoteado) disso ninguém fala. E como isso provoca a revolta. Mais uma vez, vale lembrar a frase de um policial nas manifestações de Genova, sacadas pelo filósofo italiano Giorgio Agamben. "O papel da polícia não é manter a ordem. É gerir a desordem."
http://www.youtube.com/watch?v=8vdJEeW2UEk&mode=related&search=
Texto legal de esportes
http://www.trivela.com.br/default.asp?pag=ExibirMateria&codMateria=2484&coluna=16
domingo, maio 06, 2007
Virada Cultural - "re-clamar" as ruas...
A Virada mostrou que existe em São Paulo um déficit, um potencial, uma fome imensa de arte, de rua, do centro da cidade, de encontro, de expressão, de liberdade. Tamanho déficit que as vezes explodiu, e arrebentou em um excesso de bebida ou na violência do incidente da Sé. Mas os contratempos não devem parar a vida, ou serem maiores que ela...
A secretaria de cultura também pode ser criticada por não fazer muito no resto do ano, ou por não dar recursos decentes para o bom funcionamento ou mesmo o funcionamento de certos equipamentos. Nota-se isso pelos poucos equipamentos culturais da própria secretaria que participaram da Virada (com a exceção do Municipal e dos CEUs, que assim seguem comprovando sua vocação como rede importante de cultura na periferia, outro potencial subaproveitado).
Mas é impossível não admirar e não reconhecer que a Virada Cultura NÃO é um simples evento e sua importância como subversão e demostração das possibilidades da cidade, do seu centro e da cultura como transformação. Até dá para entender nela, o que talvez Guilberto Gil quis dizer com a cultura para um "Do-in" antropológico...No caso, eu diria urbanístico... A Virada explica mais que qualquer discurso, a importância de uma política cultural do estado, como ela pode ser transformadora e relevante.
É triste, vale dizer de novo, pensar que o problema óbvio e real de rancores e violência que brotam em um show dos Racionais (onde no conflito nenhum dos lados detém toda a culpa e todos têm um pouco, e todos executaram seu papéis "previsivelmente"...) apague a ocupação das ruas como cidade de fato, não mero comercial, a integração e alegria das pessoas que o ocupavam, tornando-o público. De gente que mora em São Paulo faz anos e que pela primeira vez conhecia o centro. Da cara que poderia ser bonita e mais humana da cidade onde as pessoas caminham sem medo, se misturam entre classes sociais, e se encontram. De um espaço recriado e reanimado pela criação.
E aí existe o outro lado importante da Virada Cultural, e porque ela não é um simples evento. Ela nitidamente deu um sentido diferente aos shows que nela aconteceram, e isso deu para eu notar a ver grupos que já assisti, como Clube do Balanço com Erasmo Carlos, ou João Donato. Não era mais um show em um espaço que não tem como escapar de ser delimitado e careta, por melhor que seja, e o Sesc Pompéia o é. Era uma ação com um sentido, inclusive político. Erasmo Carlos estava visivelmente emocionado e orgulhoso de lá tocar. Ali a arte deixou de ser entretenimento, produto, e voltou a ter seu sentido entre o sacro e o profano, de congraçamento e renovação. Sua "Além do Horizinte" ganhou todo um novo sentido, ou melhor dizendo, retomou seu sentido. A arte fica mais excitante, mais arte. Quem quiser pode aproveitar horrores da experiência.
E isso me lembrou um movimento inglês da virada do milênio chamado Reclaim the streets (retome as ruas). Que queria através de festa/protestos de surpresa as ruas, justamente isso: retomar o espaço urbano para as pessoas, para o encontro, para a alegria, para a comunidade, para a liberdade.
É irônico que uma prefeitura (e um governo do estado) conservadora, com um secretário de cultura não conservador, e com uma eminência parda ultra reacionária, como Andrea Mattarazzo*, tenha organizado este evento. Certas coisas, como proibir poluição visual, cobrar zona azul no Ibirapuera e fazer a virada cultural, só os conservadores de outros partidos (não os do PT...) poderiam fazer...Que sejam boas heranças (não a Zona Azul no Ibira) antes deles caírem fora...porque corredor de ônibus, transporte alternativo, e políticas na periferia não são com eles.
A Virada tinha que ser também de política e atitude em relação ao centro em particular e as ruas em geral...reocupá-las, nos reencontrarmos nelas, recriarmos e acreditarmos na nossa cidade, em nós mesmos, porque o risco envolvidos em viver isso é muito menor que o vazio seguro dos alphavilles, shoppings e Vila Olímpias da vida. E os ganhos tão maiores...
* Mattarazzo, o Andrea, não o Eduardo, deve ter ficado feliz pela Virada em seus esforços para gerar insônia nos moradores de rua. Este é outro ponto triste do negócio. Ela aconteceu na casa dos que não tem casa...Até nisso, viver e andar as ruas é importante. Ele nos força a encarar os problemas com uma proximidade, velocidade e escala mais humanas...
quarta-feira, abril 25, 2007
VQP - Você recebe a Veja de graça?
VQP - A sentença contra Mainardi
A história se desdobra por dois links. O grosso da informação produzida foi por ambas as partes, sem nenhuma isenção. A Veja usou a revista como acessório do processo. E Kennedy viu-se obrigado a se defender das acusações. O fato é que contra Reinaldo Azevedo não há fatos, ele só enxerga o que quer e não dará o braço a torcer. Quem quiser ver seus malabarismos, entre o que desqualifica, sonega e distorce, visite seu blog e boa viagem ao parnasianismo conservador. Kennedy Alencar postou a versão do juiz e suas explicações neste link: http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult511u299.shtml
A minha opinião disso: se for verdade, Mainardi e Azevedo estarão na posição do menino que sempre gritava "Lobo, lobo" e um dia o lobo apareceu. E acho que não apareceu.
Sobre este caso, e nada a ver com este caso, tenho a seguinte intuição que me veio não sei poque: ensaio aberto. Para Abril, os 30 mil de Mainardi devem ser menos que as custas de uma semana de trabalho do seu setor jurídico com o caso. O que preocupa mesmo é o governo atrapalhar seus negócios com os sul-africanos do Naspers ou com os espanhóis da Telefônica (neste caso, com a vantagem indireta de agradar a Globo). Não que eu acha que o governo vá fazer isso, mas a Abril teme inclusive porque já usa este dinheiro por conta. Então este é o segundo ensaio (o primeiro foi quando chamaram jornalistas de Veja para depor na PF) para ver se o papel de vítima e bastião da liberdade cola. Não tem colado. A revista tem uma imagem péssima (dê uma olhada na matéria e nestes links do Comunique-se). Se Kennedy Alencar caísse no fogo cruzado, para Azevedo+Mainardi, tanto melhor. Veja e eles não estão nem aí para quem quer posar de equilibrado, nem para ao menos ouvir a explicação de um denunciado, mesmo quando amigo, antes de tentar implodir sua imagem.
quinta-feira, abril 19, 2007
O Embargo e a burrice
Para o que acham que o comércio faria os EUA "compactuar" com uma ditadura, fica uma pergunta e uma lembrança: o que o bloqueio comercial ajudou Cuba? E lembrem-se que os EUA manteve negócios com a África do Sul nos tempos do apartheid, sendo inclusive incentivador de aventuras militares daquele regime infame.
Com mais fluxo de comércio e mais turistas norte-americanos na ilha, do que os Estados Unidos tem "medo" (sei que não tem, é para fin de exposição...)? De serem mais influenciados pela ilhinha do que de a influenciarem?
Da Carta Maior, a insanidade do que é o bloqueio, aliás, condenado por qause o mundo todo...
"Todas essas medidas tinham como objetivo asfixiar economicamente a recém-nascida revolução cubana. Em função do bloqueio, Cuba não pode, entre outras restrições, exportar nenhum produto para o mercado norte-americano, nem receber turistas vindos dos EUA. Além disso, não tem acesso a créditos e nem pode utilizar o dólar em suas transações com o exterior. Os navios e aviões cubanos estão proibidos de tocar portos e aeroportos dos EUA. Essa política tem um caráter extraterritorial, uma vez que impede importações de subsidiárias norte-americanas instaladas em outros países e sanciona investimentos estrangeiros em Cuba. O documento observa que, para agravar ainda mais os nefastos efeitos da perda de 85% do comércio externo cubano, causada pelo desaparecimento do campo socialista europeu e da União Soviética, os EUA aprovaram em 1992 a chamada Lei Torricelli.Por meio dela, foram interrompidas as importações cubanas procedentes de subsidiárias norte-americanas em outros países, que chegavam, em 1991, a 718 milhões de dólares. Cerca de 91% dessas importações era constituído por alimentos e medicamentos. Essa lei também impôs severas proibições à navegação marítima desde e para Cuba. A partir dela, o navio de um país que atracasse em um porto cubano, não poderia entrar em um porto dos EUA antes de seis meses e mediante uma permissão especial. Em 1996, a Lei Helms-Burton aumentou os efeitos do bloqueio. Estabeleceu sanções para atuais e potenciais investidores em Cuba, autorizando ainda o financiamento de ações hostis contra a ilha. No final de 2001, pressionado pelo setor agro-exportador norte-americano, o Congresso dos EUA aprovou uma legislação autorizando que Cuba comprasse alimentos dos produtores do país. No entanto, essas importações são acompanhadas por severas restrições."
quarta-feira, abril 18, 2007
VQP - Tinha na mailing, faltou no blog
PS: Sobre a mesma matéria das jovens cantoras. Uma carta de leitor corrige Sérgio Martins, que escreveu que as interpretações de Elis Regina privilegiavam a emoção ao invés da técnica. Alguém que não entende que ela conseguia combinar os dois ao mesmo tempo deveria se abster de escrever sobre MPB.
PS2: Leitor me cobra que Veja não citou Fabiana Cozza e Ceumar, enquanto colocou cantoras que sequer lançaram o primeiro CD...
VQP - Faltou no Boletim - direito de resposta
"VEJA publicou em sua edição de número 1 944, com data de 22 de fevereiro de 2006, um texto intitulado 'O mais vendido', no qual consta a informação de que o jornalista Leonardo Attuch, editor das revistas IstoÉ Dinheiro e Dinheiro Rural, estaria devendo satisfações às autoridades policiais. Em um episódio pretérito, a respeito do 'caso Kroll', o nome do jornalista foi citado como autor de determinadas reportagens, mas ele jamais foi denunciado ou indiciado pelas autoridades que investigaram tal assunto. O livro publicado por ele, intitulado A CPI que Abalou o Brasil, editado pelo selo Futura, do grupo Siciliano, teve seu volume de vendas alterado, o que mereceu sua exclusão da lista de 'Mais Vendidos' da revista VEJA. O relato da Siciliano exime o jornalista Leonardo Attuch do episódio. O jornalista também jamais foi indiciado pela Polícia Federal ou por qualquer outra autoridade policial pela prática de qualquer tipo de delito."
VQP - Capa câmbio, alô câmbio?
A matéria da Veja de capa, sobre o câmbio, tem algumas verdades. A valorização de hoje não é igual a de 1998, na medida que ela ocorre em um mercado livre da moeda, e se sustenta parcialmente no saldo da balança comercial e na melhoria do cenário internacional. Veja também está certa na sua análise da relação entre a popularidade de Lula e a economia, e que este cenário deve permanecer no futuro próximo. Há aspectos positivos no câmbio valorizado para alguns setores, como a compra de máquinas mais modernas e estudo no exterior. Eu também acho divertido comprar equipamentos e viajar para a Europa (não para a Disney...), como qualquer um. Mas há outros setores que sofrem. E a quantidade de abobrinha e besteiras na matéria ainda assim, são de revirar o estômago.
Veja ridiculariza opiniões sérias e destrói qualquer debate. Trata quem discorda dela como idiota. É lógico, contábil e óbvio que a arbitragem de ganhos com os juros e o câmbio brasileiro atrai volumes financeiros significativos e influencia na taxa de câmbio. Inclusive pode ser ela mesmo fator de instabilidade no futuro, se a valorização for excessiva. Assim como é óbvio que não é só isso. As pessoas se preocupam com uma pauta de exportações baseadas em commodities, que hoje estão com demanda forte e preço alto, mas isso pode mudar (lembram como Veja gozava com soja por volta de 2002/2003, era o futuro do país, e como o setor quebrou fácil como um graveto em 2004/2005?).
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Quando eu leio a matéria da Veja sobre câmbio forte falar em “darwinismo industrial”, eu lembro das vacas européias. Sim, não é industrial, mas está dentro da discussão sobre eficiência econômica. As vacas européias estão entre os bichos de estimação mais caros do mundo. Economicamente, se fossemos levar a lógica da eficiência econômica a sério, não existiriam. As vaquinhas que tem que ser protegidas do inverno europeu com subsídios não tem como concorrer com as suas irmãs australianas, argentinas e brasileiras, ou mesmo de algumas regiões do Estados Unidos. Assim como as plantas industriais de etanol baseado em milho que estão sendo erguidas nos EUA, são irracionais se pensarmos nos termos de Veja. Mas o mundo não funciona assim, e nenhum país sério, nenhum governo sério, nenhuma sociedade minimamente solidária, mesmo no capitalismo, arrebenta setores da economia como Veja acha bacana. Ela, no mínimo, tenta lhes dar uma chance de desenvolvimento. O “Brasil” abstrato tratado por Veja esmaga e não liga para setores da economia – empresas, empregos, pessoas – que poderiam estar melhor e não precisariam ser eliminados por uma destruição criativa. A desvalorização de 1999 foi o que depois permitiu a adaptação da economia brasileira a folia do populismo cambial do período 1993-1998 (que combinou câmbio valorizado com juros altos, devastando a economia). Tudo na vida traz matizes. 1993-1998 foi importante para conter a inflação. Mas não é verdade que precisava arrasar a economia para fazê-lo e depois haver o trauma e golpe da desvalorização e recessão. O mesmo vale para hoje.
VQP - Capa câmbio 2
Um amigo apontou os problemas do seguinte trecho da matéria:
Três boas sugestões (de mercado) para impedir uma valorização excessiva do real foram dadas pelo empresário Boris Tabacof, na Folha de S. Paulo de sexta-feira:
“1) rápida redução dos juros, o que não representa riscos de inflação, que seria a meta de chegar a 6% de juros reais, dito explicitamente pelo Banco Central;
2) eliminação da isenção de 15% de Imposto de Renda sobre os ganhos dos investidores estrangeiros em títulos públicos federais;
3) tributação crescente sobre rendimentos de capitais que ingressam para ganhar na arbitragem dos juros, por exemplo, pegando-se empréstimos com taxas japonesas muito baixas e trazendo para a aplicação em títulos com juros brasileiros, o que dá um lucro garantido de, no mínimo, 6% ao especulador financeiro, sendo a progressividade da taxação inversamente proporcional ao prazo de permanência do investimento não produtivo no país. Além da adoção de medidas que a criatividade das autoridades de Brasília têm demonstrado com tanto sucesso na criação de constrangimentos ao crescimento da economia brasileira.”
VQP - Mulheres contra mulheres
VQP - é mais por aí
As matérias da Veja sobre as ameaças ao Conselho Nacional de Justiça, sobre o avanço de missionários evangélicos sobre populações indígenas e as denúncias contra Jader Barbalho são importantes.