quinta-feira, novembro 04, 2004

O (EXTERMINADOR DO) FUTURO PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS

O futuro presidente dos Estados Unidos é conhecido e admirado no mundo todo. Apesar ou talvez até por causa da sua imagem associada à violência. Pôsteres seus adornam paredes pelo planeta e muitos o olham como um exemplo, passando horas e horas para ficar mais parecido com ele.

A sua eleição, no fundo, impõem por si só terror nos países que queiram desafiar a superpotência, e os desestimula a procurar ter à bomba atômica. Todos já viram como ele lida com terroristas, e como caça seus inimigos até o fim. Mesmo que seja muito mais simbólico que real, mesmo que tenha um que de ridículo, é uma figura que impõem medo.

Pode-se dizer que ele fala mal inglês, tropeça nas palavras, que é um ignorante, robótico, e bronco para entender a dinâmica das relações internacionais, mas vamos falar sério, lá como aqui, tudo isso carrega uma grande dose de preconceito. E se até a pouco tempo atrás todos gostavam dele, era por causa justamente da sua força brutal. Porque mudar de idéia agora?

Acusam-no de ser uma farsa, de ter se feito e construído sua imagem através de ficções, de conflitos fictícios. De que é um ator, e que suas falas não exprimem o que pensa, que não se sabe quem ele realmente é. Que ele só lê os textos que outros escrevem, de forma cuidadosa e calculada, para dar maior verossimilhança as suas histórias e versões.

Dizem, e mostram vídeos para provar, que ele já foi festeiro e que deve ter consumido cocaína. E que é um bárbaro.

Eu estou falando do futuro presidente dos Estados Unidos. Arnold Schwarzenegger. Hoje ele é o nome mais forte dentro do partido republicano para a sucessão de Bush. Imagine daqui a cinco anos, você assistindo na TV, e o presidente Arnold declarando guerra à Síria, Irã, Cuba, França, enfim, a algum país que sobreviva aos próximos quatro anos.

Arnold nasceu na Áustria, e hoje só americanos nativos podem se candidatar à Casa Branca, mas está tramitando no congresso norte-americano uma lei sob encomenda, para permitir que naturalizados em condições semelhantes às dele possam se candidatar. E a maioria do congresso é republicana.

Não é por nada não, pode ser puro preconceito. Mas todos lembram o que aconteceu ao mundo da última vez em que um austríaco se tornou governante de uma potência estrangeira, mais ou menos setenta anos atrás. Para aqueles que não sabem, tem um pôster de Arnold, e adoram seus filmes, ou pior ainda, um pôster de Bush, basta dizer que morreu muito mais gente, mas muito mais gente do que em “Comando para Matar”. E sem nenhum efeito especial.

DICAS DE LEITURA

DICAS DE LEITURA

- Ontem fui à um seminário em torno de um livro da editora em que trabalho, que discutia Edward Said, e a questão da construção das narrativas e dos estereótipos que justificam fundamentalismos e guerras. Por narrativas se quer dizer no sentido amplo, filmes, ficções e também jornalismo. Veja este texto de Larry Rohter. O sujeito pode ter virado um personagem folclórico no Brasil, fazer matérias curiosas e até interessante sobre Hermeto Paschoal. Não concordo em expulsar o sujeito, há de se achar outras maneiras de lidar com ele, mas o fato dele fazer a imagem do Brasil para o mundo, isto é realmente um assunto muito sério e preocupante. Rohter diz que Brasil assusta o mundo com programa nuclear - The New York Times (31/10/2004)


- Tutty Vasquez reclama de não ter assunto e dos furtos entre colunistas. Passatempo: Mártires da falta de assunto


- Adriana Maximiliano no nominimo, sobre os 30 anos da revista especializada em maconha “High times”
Uma maconheira balzaquiana